Etanol atrai R$ 27 bilhões em investimentos em Mato Grosso, aponta estudo da FIEMT
Levantamento associa expansão das usinas aos incentivos estaduais e estima R$ 3 bilhões em ICMS em 2025; outros R$ 6,8 bilhões em aportes estão previstos até 2028
Publicado em: 22/10/2026 às 13:30hs
As usinas de etanol investiram R$ 27 bilhões em Mato Grosso desde 2017, com previsão de mais R$ 6,8 bilhões até 2028, segundo levantamento do Observatório de Mato Grosso, ligado à Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT), em parceria com o Sindicato das Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (BIOIND-MT).
O estudo aponta a política estadual de incentivos, incluindo o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (PRODEIC), como um dos fatores que favoreceram a implantação e a ampliação das unidades industriais.
A expansão também foi acompanhada pelo aumento da arrecadação. Em 2025, o ICMS estimado associado ao setor chegou a R$ 3 bilhões, valor R$ 1,1 bilhão superior aos R$ 1,9 bilhão concedidos em incentivos no mesmo ano.
Participação do etanol no ICMS estadual chega a 12%
Segundo o levantamento, a participação da indústria de etanol na arrecadação estadual de ICMS passou de 4% em 2019 para 12% em 2025.
Para José Fernando Mazuca Filho, presidente do BIOIND-MT, os investimentos nas usinas ampliam a atividade econômica e geram efeitos que alcançam os municípios próximos às unidades.
Na avaliação do dirigente, o aprimoramento das políticas industriais contribuiu para viabilizar os aportes e fortalecer a cadeia de bioenergia no estado.
Arrecadação estimada soma R$ 10,7 bilhões entre 2020 e 2025
No período de 2020 a 2025, o estudo estima R$ 10,7 bilhões em ICMS associado ao setor, diante de R$ 6,5 bilhões em incentivos concedidos.
Comparada à de 2019, a arrecadação estimada para 2025 cresceu 627%, enquanto os incentivos aumentaram 231%.
O levantamento também relaciona cada R$ 1 concedido em incentivo à realização de R$ 4,10 em investimentos privados pelas usinas.
Simulação aponta arrecadação menor sem expansão da produção
Em um cenário simulado, no qual o PRODEIC não tivesse sido ampliado e a produção permanecesse no nível de 2019, o estudo calcula que a arrecadação de ICMS do setor seria 67% menor em 2025.
Isso representaria aproximadamente R$ 2 bilhões a menos, conforme a estimativa apresentada pelas entidades.
Para Silvio Rangel, presidente da FIEMT, a industrialização da matéria-prima produzida em Mato Grosso é uma estratégia para ampliar empregos, renda e arrecadação. Ele defende que os incentivos criem condições para a expansão industrial e o retorno econômico à sociedade.
Frete interestadual custou R$ 2,8 bilhões em 2025
A distância dos principais mercados consumidores, especialmente do Sudeste, permanece entre os desafios de competitividade das usinas mato-grossenses.
Segundo o levantamento, os gastos com fretes nas operações interestaduais alcançaram R$ 2,8 bilhões em 2025, superando o valor dos incentivos recebidos pelo setor naquele ano. O transporte ocorre principalmente por rodovias.
José Lombardi, consultor tributário do BIOIND-MT, afirma que o PRODEIC ajuda a compensar parte dessa desvantagem logística. Ele observa que Goiás e Mato Grosso do Sul também mantêm programas de incentivo industrial, embora estejam mais próximos dos grandes centros consumidores.
Na avaliação do consultor, essas condições influenciam a escolha do local de implantação das usinas e a capacidade de Mato Grosso de atrair novos projetos para o processamento de sua produção agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
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