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Aquicultura e Pesca

Oito países criam plano regional para impulsionar aquicultura sustentável na Amazônia

Roteiro coordenado por FAO, INFOPESCA e Embrapa estabelece prioridades para ampliar a piscicultura de espécies nativas, fortalecer a bioeconomia e gerar renda às comunidades amazônicas


Publicado em: 25/08/2026 às 13:00hs

Oito países criam plano regional para impulsionar aquicultura sustentável na Amazônia

Especialistas de oito países latino-americanos estabeleceram um roteiro regional para promover o desenvolvimento sustentável da aquicultura de espécies nativas da Amazônia. A iniciativa busca ampliar a cooperação técnica, estimular a inovação e transformar a biodiversidade de peixes da região em oportunidades de produção de alimentos, emprego e renda.

O plano reúne representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela. Entre as prioridades estão a conservação da biodiversidade, o fortalecimento das cadeias produtivas, a valorização dos conhecimentos tradicionais, a inclusão social e a abertura de mercados para o pescado amazônico.

A articulação foi promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Centro de Informação e Serviços de Consultoria sobre a Comercialização de Produtos Pesqueiros na América Latina e no Caribe (INFOPESCA) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Amazônia concentra potencial para piscicultura de espécies nativas

A Bacia Amazônica abriga a maior diversidade de peixes de água doce do planeta e apresenta condições estratégicas para desenvolver uma aquicultura baseada em espécies nativas.

A atividade pode contribuir para a segurança alimentar, reduzir a pressão sobre estoques pesqueiros naturais e ampliar a geração de renda nas comunidades. O aproveitamento desse potencial, entretanto, exige planejamento, tecnologias adaptadas, controle sanitário, estrutura de comercialização e gestão responsável dos recursos naturais.

Para avançar nesses pontos, especialistas reuniram informações sobre a realidade produtiva de cada país e identificaram desafios comuns que podem ser enfrentados por meio da cooperação regional.

Encontro internacional foi realizado no Pará

O roteiro foi definido durante o workshop de especialistas “Status e perspectivas futuras das principais espécies de piscicultura comercial na Bacia Amazônica”, realizado entre 10 e 13 de agosto de 2026, em Alter do Chão, no Pará.

Participaram diretamente representantes da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, países que compartilham o território da Bacia Amazônica.

O encontro também contou com especialistas da Argentina e do Paraguai. Embora não integrem a bacia, os dois países possuem experiência no cultivo de espécies nativas de interesse regional e contribuíram para ampliar o intercâmbio técnico.

Durante quatro dias, os participantes apresentaram o estágio de desenvolvimento da aquicultura em seus países, compartilharam experiências produtivas e analisaram os obstáculos à expansão sustentável da atividade.

Cooperação pode gerar alimentos e oportunidades na Amazônia

Na abertura do encontro, o ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil, Édipo Araújo Cruz, destacou o potencial da Bacia Amazônica para o desenvolvimento de sistemas produtivos baseados em espécies nativas.

Segundo ele, a cooperação regional e a formação de capacidades técnicas são fundamentais para ampliar a produção de alimentos e criar oportunidades econômicas para as comunidades amazônicas, preservando simultaneamente a riqueza natural da região.

A estratégia busca evitar modelos produtivos incompatíveis com as condições ambientais e sociais da Amazônia. O objetivo é construir soluções adaptadas às diferentes realidades territoriais, respeitando os ecossistemas, a cultura local e as características das espécies cultivadas.

Roteiro segue diretrizes da FAO para aquicultura sustentável

O principal resultado do workshop foi a aprovação de um roteiro regional baseado nas Diretrizes da FAO para a Aquicultura Sustentável.

O documento estabelece áreas prioritárias para orientar políticas públicas, projetos de pesquisa, iniciativas de cooperação técnica e investimentos voltados à piscicultura amazônica.

Entre os eixos definidos estão:

  • Ampliação da contribuição da aquicultura para a segurança alimentar e o bem-estar;
  • Fortalecimento da governança e da cooperação entre os países;
  • Capacitação profissional e inclusão social;
  • Valorização dos conhecimentos locais, tradicionais e ancestrais;
  • Conservação da biodiversidade amazônica;
  • Uso responsável dos recursos naturais;
  • Desenvolvimento da bioeconomia regional;
  • Promoção da ciência, inovação e transferência de tecnologia;
  • Consolidação das cadeias de valor;
  • Aumento da competitividade e do acesso aos mercados.

A proposta é integrar produção, sustentabilidade, processamento e comercialização em uma estratégia regional de longo prazo.

Países dividem responsabilidades para acelerar resultados

Os participantes também definiram responsabilidades para transformar as prioridades do roteiro em ações concretas.

A FAO deverá fortalecer a cooperação técnica, facilitar o intercâmbio de experiências e apoiar o desenvolvimento das capacidades institucionais e produtivas.

Aos governos caberá ampliar políticas públicas, pesquisa científica, planejamento setorial e instrumentos de apoio à aquicultura sustentável.

O setor produtivo deverá contribuir com inovação, agregação de valor, rastreabilidade e desenvolvimento de mercados comprometidos com critérios ambientais e sociais.

Essa articulação entre organismos internacionais, governos, instituições de pesquisa e empresas é considerada essencial para superar gargalos que dificultam o crescimento da atividade.

Cadeia do pescado precisa avançar além da produção

Para Alessandro Lovatelli, oficial de Aquicultura da FAO, o desenvolvimento da piscicultura de espécies nativas exige uma visão integrada de toda a cadeia produtiva.

Além de elevar a produção, será necessário fortalecer o processamento, a conservação, a logística, a comercialização e a conexão com os consumidores. Cadeias eficientes podem transformar o pescado nativo em fonte estável de alimentos, empregos e renda para as comunidades amazônicas.

A agregação de valor também aparece como uma estratégia para melhorar a remuneração dos produtores. Produtos processados, cortes diferenciados, certificações, rastreabilidade e valorização da origem podem ampliar a competitividade nos mercados doméstico e internacional.

Piscicultura pode unir produção e conservação

José Aguilar-Manjarrez, oficial de Aquicultura da FAO para a América Latina e o Caribe, ressaltou que o cultivo de espécies nativas oferece a possibilidade de conciliar produção de alimentos, geração de empregos e conservação da biodiversidade.

O principal desafio, segundo o especialista, é transformar o conhecimento técnico acumulado em investimentos responsáveis e soluções compatíveis com as diferentes condições encontradas na Amazônia.

Os sistemas produtivos precisam considerar aspectos ambientais, econômicos e sociais para proporcionar benefícios duradouros às comunidades. Isso inclui o uso eficiente da água, manejo sanitário adequado, genética compatível, alimentação responsável e controle dos impactos sobre os ecossistemas.

Pesquisa e tecnologia serão fundamentais para expansão

O fortalecimento científico está entre os pilares do plano regional. A diversidade de espécies amazônicas oferece oportunidades produtivas, mas também exige pesquisas específicas sobre reprodução, nutrição, sanidade, manejo e adaptação aos sistemas de cultivo.

A transferência dessas tecnologias aos produtores será decisiva para elevar a produtividade e reduzir riscos. O roteiro também destaca a necessidade de capacitar técnicos, trabalhadores e comunidades, promovendo maior acesso ao conhecimento.

A atuação conjunta das instituições de pesquisa dos países participantes poderá evitar a duplicação de esforços, acelerar descobertas e ampliar a utilização prática dos resultados científicos.

Nota técnica orientará políticas e investimentos

Os acordos alcançados no encontro servirão de base para a elaboração das atas do workshop e de uma nota técnica regional.

Os documentos deverão apoiar a formulação de políticas públicas, programas de cooperação e estratégias de investimento destinadas à aquicultura de espécies nativas.

A expectativa é que o roteiro funcione como ponto de partida para novos projetos envolvendo pesquisa, inovação, capacitação, infraestrutura, rastreabilidade e abertura de mercados.

Com ações coordenadas, os oito países pretendem desenvolver uma aquicultura amazônica mais sustentável, resiliente, competitiva e inclusiva, capaz de proteger a biodiversidade e melhorar as condições de vida das populações da região.

Fonte: Portal do Agronegócio

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