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Aquicultura e Pesca

Custos elevados pressionam margens e desafiam competitividade da tilápia brasileira

IFC Brasil 2026 reunirá especialistas do Cepea e da CNA para debater preços, rentabilidade, eficiência produtiva e estratégias para o crescimento sustentável da tilapicultura


Publicado em: 31/08/2026 às 08:30hs

Custos elevados pressionam margens e desafiam competitividade da tilápia brasileira

A tilapicultura brasileira avança em produção e capacidade técnica, mas enfrenta um desafio decisivo: transformar ganhos de produtividade em rentabilidade. Em um mercado marcado pela oscilação dos preços, pelo aumento dos custos e pela concorrência internacional, produtores e frigoríficos precisam elevar a eficiência para sustentar a expansão da atividade.

Esse cenário estará no centro das discussões do IFC Brasil 2026, que será realizado entre 2 e 4 de setembro, em Foz do Iguaçu (PR). O encontro reunirá representantes da produção, pesquisadores e especialistas para analisar as perspectivas da aquicultura e as condições necessárias para ampliar a competitividade do pescado brasileiro.

Painel debate preços, custos e rentabilidade da tilápia

No dia 3 de setembro, às 8h30, o painel “Competitividade da tilápia brasileira e suas perspectivas: preços, custos e rentabilidade” analisará os principais fatores econômicos que determinam a viabilidade do setor.

Participarão da discussão o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) Thiago Bernardino de Carvalho, especialista em gestão, avaliação de projetos e pesquisas de mercado, e o mestre em Aquicultura Eduardo Ono, representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O painel integra a programação do Congresso Internacional de Aquicultura, uma das principais agendas do IFC Brasil 2026.

Produção maior não garante lucro ao tilapicultor

O crescimento do volume produzido, isoladamente, não assegura melhores resultados financeiros. A rentabilidade depende da relação entre os preços recebidos pela tilápia e os gastos necessários para produzir, processar e transportar o pescado.

Entre os fatores que deverão ser analisados estão os custos de produção, a eficiência das propriedades, o comportamento das cotações e a remuneração dos diferentes participantes da cadeia.

A proposta é identificar em quais condições a tilápia brasileira poderá ampliar sua presença nos mercados interno e internacional sem comprometer as margens dos produtores, frigoríficos e demais empresas do setor.

Eficiência será determinante para ampliar competitividade

Segundo o presidente do IFC Brasil 2026 e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Altemir Gregolin, o Brasil reúne potencial produtivo, conhecimento técnico e espaço para expandir o consumo de pescado. O desafio está em converter essas vantagens em competitividade efetiva.

Para alcançar esse objetivo, será necessário conhecer detalhadamente os custos, aprimorar a gestão das propriedades, reduzir riscos e criar condições para que os produtores mantenham capacidade de investimento.

A eficiência econômica tornou-se ainda mais importante diante da concorrência de produtos importados e das exigências crescentes dos mercados consumidores em relação à qualidade, sanidade, regularidade da oferta e preço.

Competitividade depende de toda a cadeia da tilápia

O desempenho da tilapicultura não está condicionado apenas à produtividade obtida nos viveiros. A consolidação da atividade também depende de crédito, sanidade, tecnologia, processamento, logística e organização da produção.

Gargalos em qualquer uma dessas etapas podem elevar os custos, reduzir margens e comprometer a competitividade do produto brasileiro. Por isso, o avanço sustentável exige integração entre produtores, frigoríficos, fornecedores de insumos, instituições financeiras, centros de pesquisa e representantes do poder público.

A CEO do IFC Brasil, Eliana Panty, destaca que a participação de especialistas ligados à pesquisa econômica e à representação dos produtores permitirá aproximar os indicadores de mercado da realidade enfrentada diariamente pelas propriedades.

Mercado interno e exportações oferecem oportunidades

A tilápia brasileira encontra possibilidades de crescimento tanto no mercado doméstico quanto no comércio internacional. Entretanto, para aproveitar esse potencial, a cadeia precisará oferecer produtos competitivos em preço, qualidade e regularidade.

No mercado interno, ampliar o consumo exige estratégias comerciais, diversificação de produtos e maior eficiência na distribuição. Nas exportações, questões como custos logísticos, certificações sanitárias, processamento e atendimento às exigências dos compradores tornam-se determinantes.

O equilíbrio entre produtividade e rentabilidade será essencial para que a expansão da oferta não provoque pressão excessiva sobre os preços recebidos pelos produtores.

IFC Brasil 2026 busca orientar decisões e investimentos

Ao colocar custos, preços e margens no centro do debate, o IFC Brasil 2026 pretende fornecer informações para decisões mais seguras de investimento e para a construção de estratégias de longo prazo.

A expectativa é que as análises do Cepea e da CNA ajudem a identificar riscos, gargalos e oportunidades da tilapicultura nacional. O objetivo é fortalecer uma cadeia capaz de crescer com eficiência, remunerar adequadamente seus participantes e ampliar a presença da tilápia brasileira nos mercados nacional e internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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