Criação de tilápias no verão exige atenção ao oxigênio da água e ao manejo alimentar
Temperaturas elevadas aumentam o risco de estresse e perdas nos cultivos; monitoramento ambiental, nutrição e planejamento ajudam a preservar a produtividade
Publicado em: 21/10/2026 às 07:00hs
A elevação da temperatura da água durante o verão exige cuidados adicionais na criação de tilápias. Com menor disponibilidade de oxigênio e possíveis alterações na qualidade do ambiente de cultivo, os peixes podem apresentar redução do apetite, dificuldades respiratórias e maior vulnerabilidade a problemas sanitários.
O cenário reforça a importância do monitoramento da água, do ajuste da alimentação e do controle da densidade de cultivo. Essas medidas precisam integrar o planejamento das propriedades para reduzir o estresse dos animais e proteger o desempenho produtivo.
Segundo Ricardo Garcia, gerente de Produtos de Aquicultura da ADM, identificar os desafios de cada região é essencial para definir estratégias preventivas, especialmente diante da possibilidade de condições climáticas extremas.
Água mais quente reduz disponibilidade de oxigênio
O aumento da temperatura diminui a capacidade da água de reter oxigênio. Nos sistemas de produção, essa condição pode comprometer o consumo de ração, o crescimento e a sobrevivência dos peixes.
O estresse ambiental também pode prejudicar as defesas naturais dos animais, favorecendo problemas associados a vírus, bactérias e parasitas.
Para o produtor, o desafio é acompanhar essas variáveis em conjunto. Além de observar a temperatura e a oxigenação, é necessário avaliar os demais parâmetros de qualidade da água e adequar o fornecimento de alimento às condições do cultivo.
Manejos desnecessários, que acrescentem estresse aos peixes em períodos desfavoráveis, também devem ser considerados no planejamento operacional.
Nutrição deve acompanhar as condições do cultivo
A alimentação é uma das ferramentas disponíveis para apoiar a saúde e o desempenho das tilápias. Sua aplicação, porém, precisa considerar a espécie, a fase de desenvolvimento e as condições ambientais.
Além do atendimento às exigências nutricionais, a formulação das dietas pode contemplar aspectos relacionados à utilização dos nutrientes, à saúde intestinal e ao suporte à resposta imune.
De acordo com Garcia, a estratégia nutricional deve fazer parte de uma abordagem integrada, que inclua sanidade, densidade de peixes e acompanhamento do ambiente.
“Monitoramento da água, densidade de cultivo, sanidade e redução de manejos desnecessários são fatores que precisam ser avaliados em conjunto, principalmente nos períodos em que as condições ambientais aumentam a pressão sobre os animais”, afirma.
ADM relata ganho de biomassa em testes com solução nutricional
Entre as tecnologias desenvolvidas pela empresa está a Nutripiscis Oxygen, voltada ao desempenho de tilápias em situações de estresse ambiental.
Segundo a ADM, testes com a solução indicaram ganho de até 16% em biomassa na comparação com dietas convencionais, nas condições avaliadas. A proposta é apoiar a produção em ambientes com baixa oxigenação, maior densidade de animais e variações de temperatura.
O resultado informado pela companhia está associado aos testes realizados e não representa uma garantia de desempenho em todos os sistemas de cultivo.
A empresa também trabalha com estratégias nutricionais destinadas ao suporte das defesas naturais de peixes e camarões, dentro de uma abordagem de prevenção.
Planejamento ajuda a reduzir perdas na tilapicultura
Preparar o cultivo antes dos períodos mais quentes permite organizar o acompanhamento da água, revisar a alimentação e avaliar os fatores que podem aumentar a pressão sobre os animais.
Na avaliação do especialista, a expansão e a intensificação da piscicultura tornam esse planejamento ainda mais importante. As decisões devem considerar as características de cada sistema, evitando tratar a nutrição de forma isolada dos demais cuidados produtivos.
A combinação entre informações do cultivo e orientação técnica permite ajustar o manejo às condições observadas na propriedade.
Pesquisa em aquicultura apoia desenvolvimento de tecnologias
A ADM mantém, em Aparecida do Taboado (MS), um Centro de Excelência e Inovação em Aquicultura dedicado ao desenvolvimento e à avaliação de tecnologias para o setor.
A estrutura é utilizada para testar estratégias nutricionais em diferentes condições de produção e gerar informações que apoiem o trabalho dos piscicultores.
Segundo Garcia, o objetivo é compreender como essas ferramentas respondem aos desafios do cultivo e ampliar o uso de dados e evidências na definição das práticas de manejo, com foco na prevenção e na manutenção da produtividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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