Comércio global de pescado movimenta US$ 184 bilhões e amplia oportunidades para o Brasil
Produção brasileira de peixes cultivados supera 1 milhão de toneladas, enquanto avanço do consumo e expansão dos canais de venda abrem espaço para negócios no setor
Publicado em: 20/10/2026 às 16:00hs
O comércio internacional de produtos de animais aquáticos movimentou US$ 184 bilhões, segundo o relatório The State of World Fisheries and Aquaculture 2026 (SOFIA), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A dimensão desse mercado, combinada ao crescimento da produção brasileira, amplia as oportunidades para o país na cadeia do pescado.
O consumo mundial alcançou 21,3 quilos por pessoa ao ano, conforme a FAO. No Brasil, o indicador está em 12,6 quilos, de acordo com o Anuário Seafood Brasil, com trajetória de crescimento.
Os dados foram apresentados por Ricardo Torres, head de portfólio da Seafood Show Latin America, durante coletiva de imprensa na quarta-feira (14). A quinta edição da feira será realizada de 20 a 22 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo fornecedores, indústrias e compradores do Brasil e do exterior.
Aquicultura ganha espaço na oferta mundial de pescado
Segundo o relatório da FAO, a produção global de animais aquáticos e algas atingiu 235 milhões de toneladas, das quais 195 milhões corresponderam a animais aquáticos.
Pela primeira vez, a aquicultura ultrapassou a marca de 100 milhões de toneladas de animais aquáticos produzidos. A pesca extrativa, por sua vez, permaneceu relativamente estável, condicionada à disponibilidade dos estoques e aos fatores ambientais.
Na avaliação de Torres, a expansão da aquicultura contribui para dar maior regularidade à oferta. Ao mesmo tempo, o aumento da demanda cria oportunidades para desenvolver produtos, atrair investimentos e estabelecer novas relações comerciais.
O executivo destaca que a competitividade do setor depende da conexão entre produtores, fornecedores e compradores de diferentes países.
Piscicultura brasileira supera 1 milhão de toneladas
No Brasil, a produção de peixes cultivados chegou a 1,011 milhão de toneladas em 2025, crescimento de 4,41% sobre o ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).
A tilápia respondeu por 707.495 toneladas, aproximadamente 70% do total nacional. O levantamento também contempla espécies nativas, como tambaqui e pirarucu, além de outros peixes de cultivo.
Apesar da expansão, a produção nacional não dispensa as importações. O abastecimento brasileiro combina pescado proveniente da pesca extrativa, da aquicultura e de fornecedores internacionais.
Para Torres, o desenvolvimento do mercado exige atenção tanto à produção doméstica quanto às relações comerciais capazes de assegurar variedade, regularidade e preços competitivos.
Exportações buscam recuperação após impacto de tarifas
O comércio exterior mantém papel estratégico para a cadeia brasileira do pescado. Entre os fornecedores ao Brasil, destacam-se Chile, Vietnã, Argentina e Equador, com presença relevante do salmão chileno.
Nas vendas externas brasileiras, os Estados Unidos são um destino importante para filés frescos de tilápia, lagosta e espécies capturadas na costa do país, como o pargo.
A China também participa desse mercado, com compras de pescada-amarela, lagosta e bexiga natatória, incluindo produtos fornecidos por empresas do Pará.
Durante a apresentação, Torres apontou os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos em 2025 sobre os embarques brasileiros. Segundo os dados apresentados, o primeiro trimestre de 2026 registrou recuo de 39% na receita e de 41% no volume exportado.
A posterior isenção de determinados produtos, entre eles filés frescos e tilápia inteira, contribuiu para recompor a competitividade de parte das vendas. Nesse cenário, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) projeta recuperação das exportações do setor, com expectativa de alcançar cerca de US$ 600 milhões.
Peixarias de supermercados ampliam faturamento
O varejo alimentar aparece como uma das principais frentes de expansão do pescado no mercado brasileiro.
Dados do Ranking ABRAS 2025, da Associação Brasileira de Supermercados, mostram que o faturamento das seções de peixaria das empresas respondentes passou de R$ 4,44 bilhões, em 2020, para R$ 12,33 bilhões, em 2024.
O avanço foi de aproximadamente 178%, acima do crescimento de 48,3% registrado pelo faturamento total do setor supermercadista no mesmo intervalo.
Os números se referem às empresas participantes do levantamento e evidenciam o desempenho da categoria nesse grupo. Para os fornecedores, o cenário abre espaço para ampliar o portfólio e oferecer apresentações adequadas a diferentes perfis de consumidores.
Perdas desafiam rentabilidade no food service
Nos restaurantes e demais operações de alimentação fora do lar, as oportunidades de crescimento convivem com desafios de aproveitamento e controle operacional.
O estudo Raio-X do Pescado no Food Service do Brasil 2026–2027, realizado pela Seafood Brasil em parceria com a American Seafoods, identificou que 43% das operações consultadas registram perdas superiores a 12% do pescado adquirido.
Na avaliação de Torres, rendimento, padronização e redução de desperdícios são fatores decisivos para a rentabilidade. A aproximação entre compradores e fornecedores pode ajudar a encontrar produtos e formatos mais adequados às necessidades de cada estabelecimento.
Seafood Show 2026 terá 120 marcas e área 43% maior
Organizada pela Francal em parceria com a Seafood Brasil, a Seafood Show Latin America 2026 terá uma área de exposição 43% maior e reunirá 120 marcas nacionais e internacionais, distribuídas em quatro setores.
A feira receberá indústrias de pescado, frigoríficos, distribuidores, importadores, exportadores, atacadistas, varejistas e operadores de food service. Também estarão presentes fornecedores de máquinas, tecnologias, insumos e serviços.
O Seafood Buyers Program levará ao evento 140 compradores do varejo e da alimentação fora do lar, incluindo representantes de redes regionais. Outros sete compradores internacionais participarão por meio do Exporta Mais Brasil, iniciativa da ApexBrasil.
Segundo Torres, a proposta é facilitar o acesso a fornecedores e estimular relações comerciais com potencial de gerar negócios no mercado interno e nas exportações.
Programação reúne inovação, gastronomia e qualificação
Entre os destaques da programação está o seminário “O futuro do bacalhau no Brasil”, organizado pelo Conselho Norueguês da Pesca e pela iniciativa Seafood from Norway.
O evento também contará com o Seafood Innovation Show, dedicado ao reconhecimento de produtos e soluções inovadoras, e o Seafood Service Show, com demonstrações culinárias e técnicas de preparo.
Completam a agenda o concurso Melhores Peixeir@s do Brasil, o Campeonato Brasileiro de Sushi, o Seafood Talk Show e o Seafood Celebration Show.
Serviço — Seafood Show Latin America 2026
- Data: 20 a 22 de outubro de 2026.
- Local: Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).
- Organização: Francal e Seafood Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias