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Apicultura

Brasil tem 93 espécies de abelhas sem ferrão mapeadas em novo painel de polinizadores

Ferramenta do CropData reúne dados sobre a distribuição das espécies por estado e região, enquanto exportações brasileiras de sementes alcançam US$ 126,7 milhões em 2026


Publicado em: 03/09/2026 às 14:00hs

Brasil tem 93 espécies de abelhas sem ferrão mapeadas em novo painel de polinizadores

O Brasil possui 93 espécies de abelhas sem ferrão mapeadas, segundo novos indicadores incorporados ao Painel de Polinizadores do CropData, plataforma de informações da CropLife Brasil. A funcionalidade integra o Atlas da Meliponicultura Brasileira e permite consultar nomes científicos e populares, imagens e distribuição geográfica das espécies.

O levantamento mostra que a Região Norte concentra a maior diversidade, com 65 espécies registradas, seguida pelo Nordeste, com 58. As duas regiões também mantêm forte tradição na criação racional de abelhas sem ferrão, atividade conhecida como meliponicultura.

Os dados foram divulgados na atualização de agosto do CropData e fazem parte das iniciativas de sustentabilidade da CropLife Brasil. A ferramenta busca apoiar produtores, pesquisadores, técnicos e formuladores de políticas públicas na compreensão da presença dos agentes polinizadores no território nacional.

Abelhas sem ferrão fortalecem agricultura e biodiversidade

As abelhas sem ferrão desempenham papel estratégico na polinização de plantas nativas e culturas agrícolas. A atividade desses insetos contribui para a formação de frutos e sementes, além de favorecer a produtividade e a qualidade de diferentes alimentos.

A meliponicultura também pode gerar renda aos produtores por meio da comercialização de mel, geoprópolis, pólen, cera e outros produtos das colônias.

Para o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides, os dados mostram que a biodiversidade brasileira também deve ser considerada um ativo produtivo.

“Os registros mostram que a biodiversidade no país não é só pauta ambiental, é um ativo produtivo. O Norte, com 65 espécies, e o Nordeste, com 58, concentram essa diversidade e, não por acaso, são as regiões com maior tradição de meliponicultura”, afirma.

Atlas da Meliponicultura reúne informações antes dispersas

A nova funcionalidade reúne dados provenientes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Catálogo de Abelhas Moure.

No painel, o usuário pode consultar imagens, nomes populares e informações científicas de cada espécie. Também é possível filtrar a distribuição das abelhas por estado e região, facilitando análises relacionadas ao manejo, à pesquisa, à conservação e à produção agrícola.

Segundo Gomides, a organização dessas informações amplia o acesso ao conhecimento e pode contribuir para decisões mais estratégicas.

“Só que esse conhecimento estava disperso. Ao reunir os dados do ICMBio e do Catálogo de Abelhas Moure no painel, permitimos que qualquer pessoa visualize. Isso traz informações que formam a base para o manejo responsável, para a pesquisa e para a política pública. Conservar polinizadores e produzir alimentos são agendas convergentes”, destaca.

Exportações de sementes atingem US$ 126,7 milhões

Além dos indicadores sobre abelhas sem ferrão, a atualização do CropData apresentou novos dados do comércio exterior de sementes.

Entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras do segmento movimentaram US$ 126,7 milhões, crescimento de 2,1% em comparação com o mesmo período de 2025.

As sementes de milho lideraram os embarques, com receita de US$ 53 milhões. Na sequência apareceram as sementes forrageiras, com US$ 40 milhões, e as hortícolas, com US$ 14 milhões. Juntas, essas categorias responderam por aproximadamente 85% do valor exportado pelo Brasil.

Sementes de milho lideram crescimento das vendas externas

Em volume, o país exportou 22,6 mil toneladas de sementes nos primeiros sete meses de 2026, avanço de 10,2% na comparação anual.

As sementes de milho também lideraram esse indicador, com 13 mil toneladas embarcadas. O volume ficou 3,4 mil toneladas acima do registrado entre janeiro e julho de 2025.

Segundo a CropLife Brasil, o valor das exportações brasileiras de sementes de milho cresceu 26,1%, impulsionado especialmente pelas compras da Venezuela. O país vizinho projeta ampliar em cerca de um terço sua área plantada e praticamente quadruplicou as aquisições do produto brasileiro.

“Quando o país vizinho decide expandir a área, ele recorre à semente brasileira. Isso é atestado de qualidade genética, seriedade e capacidade de entrega”, avalia Gomides.

O executivo ressalta que a continuidade dos investimentos no melhoramento de cultivares depende de previsibilidade regulatória e proteção à propriedade intelectual.

Nabo e rícino também ampliam embarques

Embora milho e forrageiras concentrem a maior parcela das exportações, outros segmentos apresentaram avanço relevante no período.

As sementes de nabo registraram crescimento de aproximadamente 250 toneladas, enquanto as de rícino avançaram cerca de 230 toneladas em relação aos sete primeiros meses de 2025.

O desempenho reforça a diversificação do comércio exterior brasileiro de sementes e a capacidade do setor de atender mercados com diferentes condições produtivas.

Agenda de polinizadores passa a integrar estrutura da CropLife Brasil

A incorporação dos indicadores ocorre em um momento de maior integração entre eficiência produtiva, conservação ambiental e boas práticas agrícolas.

Após mais de dez anos de atuação, a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) encerrou seu ciclo como entidade independente. A agenda de polinizadores passou a integrar a estrutura da CropLife Brasil, mantendo o apoio de especialistas envolvidos na construção das iniciativas científicas desenvolvidas ao longo desse período.

A mudança busca ampliar a escala das ações, aproximar o tema das boas práticas agrícolas e fortalecer a convivência entre produção de alimentos e conservação dos polinizadores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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