Preços ao produtor rural sobem 4,05% no trimestre, mas acumulam queda de 6,83% em 2026
IPPA/Cepea reage entre julho e setembro, impulsionado pela recuperação dos grãos; café, cana, frutas e proteínas animais mantêm pressão sobre o resultado anual.
Publicado em: 22/10/2026 às 10:40hs
Os preços recebidos pelos produtores agropecuários brasileiros avançaram 4,05% no terceiro trimestre de 2026, em comparação com o trimestre anterior, segundo o IPPA/Cepea — Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP.
A recuperação reduziu a queda nominal acumulada no ano. Entre janeiro e setembro, o indicador ficou 6,83% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Até junho, a retração nessa comparação era de quase 10%.
Apesar da reação trimestral, todos os subgrupos do índice permaneceram em baixa no acumulado dos nove primeiros meses, com destaque para o recuo do grupo que reúne cana-de-açúcar e café.
Queda no Brasil fica abaixo da registrada nos alimentos internacionais
A redução do IPPA/Cepea entre janeiro e setembro foi menos intensa que a observada no FMI Food & Beverage Index, convertido em reais, que apresentou queda de 8,39% na mesma comparação anual.
O resultado mostra uma recuperação parcial dos preços agropecuários brasileiros ao longo do terceiro trimestre, embora os valores ainda permaneçam abaixo dos níveis de 2025.
As variações são nominais, sem desconto da inflação, e se referem aos preços ao produtor.
Grãos sobem 11,45% no trimestre e reduzem perdas no ano
O IPPA-Grãos/Cepea avançou 11,45% no terceiro trimestre, movimento que diminuiu a retração acumulada em relação a 2025. A queda do subgrupo, que era de 9,5% até junho, passou para 3,5% entre janeiro e setembro.
Segundo pesquisadores do Cepea, a recuperação foi impulsionada especialmente pelo arroz, cujos preços subiram quase 20% frente ao trimestre anterior.
A oferta de arroz em casca ficou mais restrita no Rio Grande do Sul, com produtores resistentes a ampliar as vendas, enquanto a demanda permaneceu aquecida. Essa combinação favoreceu a recuperação das cotações.
Mesmo assim, na comparação entre os nove primeiros meses de 2026 e o mesmo período de 2025, os principais produtos do grupo apresentaram perdas:
- Arroz: queda de 18,04%;
- Trigo: recuo de 9,93%;
- Milho: baixa de 8,45%;
- Algodão: desvalorização de 4,12%.
A soja foi a exceção, mantendo estabilidade nas cotações no período analisado.
Café e cana pressionam indicador, com queda de 30% no subgrupo
O IPPA-Cana-Café/Cepea recuou 30% entre janeiro e setembro, frente ao mesmo intervalo de 2025, registrando a retração mais acentuada entre os subgrupos apresentados.
O desempenho esteve associado às desvalorizações de 23,7% nos preços do café e de 18,6% nos da cana-de-açúcar na parcial do ano.
Segundo o Cepea, esse grupo segue como um dos principais fatores de pressão sobre o resultado geral do índice.
Laranja e uva puxam baixa dos hortifrutícolas
O IPPA-Hortifrutícolas/Cepea acumulou queda de 8,58% nos primeiros nove meses de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior.
As principais pressões vieram da laranja, com recuo de 46,7%, e da uva, com baixa de 15,5%.
Outros produtos, entretanto, registraram valorização expressiva. A batata subiu 39,5%, o tomate avançou 27,8% e a banana teve alta de 7,6%.
Os resultados evidenciam comportamentos distintos dentro do grupo, com aumentos em parte dos alimentos insuficientes para compensar as perdas dos demais produtos.
Arroba bovina sobe, mas pecuária acumula retração
Na pecuária, o indicador apresentou queda nominal de 2,85% entre janeiro e setembro, influenciado pela redução dos preços de suínos, ovos, frango e leite.
Na comparação com os nove primeiros meses de 2025, as variações foram:
- Suínos: queda de 28,94%;
- Ovos: recuo de 16,68%;
- Frango: baixa de 12,62%;
- Leite: redução de 6,81%.
Em sentido contrário, a arroba bovina registrou valorização de 10,26%, oferecendo sustentação parcial ao subgrupo.
A recuperação do IPPA/Cepea no terceiro trimestre, portanto, reduziu as perdas acumuladas em 2026, mas ainda não reverteu a queda dos preços ao produtor na comparação anual.
Fonte: Portal do Agronegócio
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