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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo: falta de qualidade preocupa moinhos no Sul, enquanto Chicago cai mais de 2%

Colheita amplia oferta, mas grãos brotados e diferenças de classificação dificultam negócios no Brasil; nos EUA, clima favorável ao plantio pressiona contratos futuros


Publicado em: 22/10/2026 às 11:28hs

Trigo: falta de qualidade preocupa moinhos no Sul, enquanto Chicago cai mais de 2%

O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta um descompasso entre o avanço da colheita e a disponibilidade de grãos com qualidade para moagem. Enquanto a entrada da safra nova pressiona parte das cotações, a escassez de lotes adequados às exigências industriais mantém os moinhos atentos às alternativas de abastecimento, incluindo as importações.

Segundo a TF Agroeconômica, problemas de qualidade dificultam as negociações no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. As diferenças entre os lotes ampliam a distância entre os preços e exigem maior flexibilidade de compradores e vendedores.

No mercado internacional, o cenário também é de pressão. O trigo encerrou a quarta-feira (21) com perdas superiores a 2% na Bolsa de Chicago, acompanhando a queda da soja e do milho e as perspectivas de condições favoráveis ao plantio de inverno nos Estados Unidos.

Rio Grande do Sul tem negócios a R$ 1.400 por tonelada

A colheita gaúcha avança com dificuldades relacionadas à qualidade dos grãos. Os negócios com trigo novo aumentaram em comparação com as duas semanas anteriores, mas ainda ocorrem em volumes pouco expressivos.

Foram registradas transações a R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto alguns moinhos já indicam ofertas de R$ 1.350 por tonelada.

A concorrência externa também influencia as decisões de compra. O trigo argentino chegou a ser cotado a US$ 320 por tonelada em Porto Alegre, abaixo das referências do produto nacional de melhor qualidade, conforme a consultoria.

Em Panambi, o preço pago ao produtor caiu R$ 2 por saca, passando para R$ 73.

Santa Catarina enfrenta dificuldade de abastecimento

Em Santa Catarina, a falta de trigo com qualidade para moagem preocupa as indústrias. Além da oferta doméstica limitada, os moinhos relatam dificuldades para obter produto importado.

Uma indústria informou reajuste de 11,5% na tabela de farinhas, percentual ainda considerado insuficiente diante das condições enfrentadas pela empresa.

A perspectiva de menor produção estadual acrescenta preocupação ao abastecimento. Para a safra 2026/27, a Epagri projeta:

  • Redução de aproximadamente 35% na área cultivada;
  • Produção de 243 mil toneladas;
  • Queda de cerca de 37% no volume colhido em relação ao ciclo anterior.
Paraná registra diferença de R$ 350 entre trigo tipo 1 e tipo 3

No Paraná, a ocorrência de trigo brotado no campo restringe a disponibilidade de lotes classificados como tipo 1. O cenário leva compradores a avaliar produtos com características diferentes das inicialmente buscadas.

No oeste paranaense, um negócio foi realizado a R$ 1.520 por tonelada FOB, para trigo com peso hectolítrico (PH) 76 e número de queda (FN) 230.

As indicações para entrega em outubro chegam a R$ 1.650 por tonelada para o tipo 1, enquanto o tipo 3 aparece a R$ 1.300 por tonelada. A diferença de R$ 350 evidencia o peso da classificação na formação dos preços.

O trigo paraguaio foi indicado a US$ 295 por tonelada no oeste do estado, reforçando a concorrência com a produção brasileira.

Trigo em Chicago atinge menor nível desde agosto

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros recuaram de forma expressiva na quarta-feira. Durante a sessão, o cereal atingiu o menor patamar desde 12 de agosto.

Além das perdas da soja e do milho, a previsão de tempo mais seco nos Estados Unidos contribuiu para o movimento. A expectativa é de que as condições permitam o avanço do plantio de trigo de inverno.

No fechamento, os principais vencimentos registraram:

  • Dezembro: US$ 6,2825 por bushel, queda de 15 centavos, ou 2,33%;
  • Março: US$ 6,4275 por bushel, recuo de 15,75 centavos, ou 2,39%.
Mar Negro e demanda internacional seguem no radar

As perspectivas para o comércio pelo Mar Negro também influenciaram os negócios. Embora as interrupções nos embarques provocadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia continuem preocupando os operadores, novas conversas diplomáticas alimentaram expectativas de redução das tensões.

Na Ucrânia, a consultoria APK-Inform apontou preços predominantemente mais baixos na última semana. O comportamento do mercado externo, as limitações operacionais dos portos do Mar Negro e o avanço da colheita de culturas tardias contribuíram para a pressão.

Em contrapartida, a disputa pelo trigo entre processadoras e tradings, somada à oferta restrita dos produtores, ofereceu algum suporte às cotações locais.

Pelo lado da demanda, a agência estatal egípcia Future of Egypt adquiriu aproximadamente cinco cargas de trigo na semana, segundo informações de fontes do mercado divulgadas pela Reuters.

Qualidade determina oportunidades de venda no Brasil

No mercado brasileiro, a queda internacional se soma à entrada da safra nova, mas a disponibilidade de trigo adequado à moagem continua determinante para os negócios.

Os preços variam conforme a classificação, as características dos grãos, a localização e as condições de entrega. Assim, o aumento da oferta colhida não se traduz, necessariamente, em maior disponibilidade do produto exigido pelos moinhos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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