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Milho e Sorgo

Milho recua no Brasil com oferta elevada, enquanto Chicago tenta recuperação

Compradores limitam aquisições e pressionam preços em quatro estados; futuros americanos sobem nesta quinta-feira (22), mas colheita e ampla disponibilidade restringem os ganhos


Publicado em: 22/10/2026 às 11:40hs

Milho recua no Brasil com oferta elevada, enquanto Chicago tenta recuperação

Os preços do milho seguem pressionados no mercado brasileiro, com negociações lentas e compradores concentrados na reposição de estoques. A oferta superior à demanda e a expectativa de maior produção na safra 2026/27 reduzem a disposição dos consumidores para ampliar as aquisições, segundo a TF Agroeconômica.

No exterior, os contratos futuros iniciaram a quinta-feira (22) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), dando continuidade à recuperação da sessão anterior. O movimento, porém, permanece limitado pela perspectiva de oferta abundante nos Estados Unidos e pelo avanço da colheita.

O cenário combina, portanto, uma reação moderada das cotações internacionais com dificuldades para acelerar a comercialização doméstica. No Brasil, diferenças entre os valores pedidos e oferecidos também restringem o fechamento de negócios.

Rio Grande do Sul tem negócios pontuais e atenção à armazenagem

No Rio Grande do Sul, as indicações de preços variam entre R$ 60 e R$ 70 por saca, com movimentação comercial restrita.

Conforme a Emater, a média estadual recuou 0,37%, para R$ 62,44 por saca. Já a Bolsa de Cereais de Cruz Alta indicou R$ 75 para o milho disponível, referência de uma praça específica, distinta da média estadual.

A necessidade de liberar espaço nos armazéns antes da chegada da safra de verão leva parte dos vendedores a flexibilizar as condições de negociação. Ainda assim, as transações permanecem pontuais.

Diferença entre compra e venda trava mercado em Santa Catarina

Em Santa Catarina, os vendedores buscam valores próximos de R$ 60 por saca, enquanto as ofertas de compra giram em torno de R$ 55.

A diferença de aproximadamente R$ 5 entre as posições dificulta os acordos. Os compradores mantêm cautela diante da expectativa de expansão da produção brasileira e do ritmo mais lento das exportações.

Com isso, a disponibilidade de milho não se traduz em maior volume de negócios.

Paraná registra quedas na maioria das praças

No Paraná, a demanda permanece direcionada ao atendimento das necessidades imediatas dos consumidores. A maior parte das regiões acompanhadas apresentou recuo nas cotações:

  • Oeste: R$ 53,12 por saca, queda de 1,90%;
  • Cascavel: R$ 56,03 por saca, baixa de 1,74%;
  • Maringá: R$ 64,26 por saca, recuo de 0,79%;
  • Londrina: R$ 63,61 por saca, alta de 0,33%.

Londrina destoou do movimento predominante, mas a valorização pontual não alterou o quadro de compras restritas no estado.

Bioenergia absorve parte da oferta em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 52 e R$ 54 por saca, após novas quedas.

A indústria de bioenergia continua absorvendo parte do milho disponível, enquanto os demais consumidores realizam aquisições pontuais.

Do lado vendedor, produtores selecionam as oportunidades antes de liberar lotes. Entre os compradores, predomina a estratégia de evitar estoques elevados, mantendo a comercialização em ritmo reduzido.

Milho sobe em Chicago após interromper sequência de perdas

Na Bolsa de Chicago, os futuros operavam em alta por volta das 7h20 desta quinta-feira, no horário de Brasília:

  • Dezembro/2026: US$ 4,6525 por bushel, avanço de 2 centavos;
  • Março/2027: US$ 4,7925 por bushel, alta de 2 centavos;
  • Maio/2027: US$ 4,8700 por bushel, valorização de 1,75 centavo;
  • Julho/2027: US$ 4,9375 por bushel, ganho de 1,75 centavo.

A reação ocorre após o fechamento positivo da quarta-feira (21), quando o mercado interrompeu duas sessões consecutivas de queda.

Naquela sessão, o contrato dezembro/2026 encerrou a US$ 4,6325 por bushel, com alta de 0,27%, depois de ter sido negociado abaixo de US$ 4,60 durante a manhã.

Produção americana elevada limita recuperação dos preços

Apesar dos ganhos recentes, a perspectiva de ampla disponibilidade de milho nos Estados Unidos continua pesando sobre o mercado.

No relatório de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de produção da temporada 2026/27 para 407,28 milhões de toneladas. Os estoques finais foram projetados em 46,97 milhões de toneladas.

A entrada da safra também permanece no radar. Até domingo, dia 18, a colheita alcançava 44% da área, ante 33% na semana anterior e média histórica de 52%.

Embora os trabalhos estejam atrás do ritmo médio, a previsão de condições predominantemente secas em parte do Meio-Oeste americano favorece a continuidade das operações.

Exportações dos EUA serão referência para a demanda

O mercado acompanha a divulgação semanal das vendas de exportação do USDA para avaliar a capacidade da demanda internacional de absorver a produção americana.

Os indicadores recentes apresentam sinais diferentes. As inspeções de embarques caíram quase 49% na comparação semanal, para 672,5 mil toneladas, enquanto o último relatório de vendas externas mostrou crescimento no período.

As duas estatísticas medem etapas distintas do comércio: as vendas indicam compromissos comerciais, enquanto as inspeções acompanham volumes preparados para embarque. A evolução desses dados ajudará a avaliar o escoamento da safra.

Plantio e chuvas orientam expectativas no Brasil

Além dos preços e das exportações, os agentes brasileiros acompanham a semeadura do milho de verão e a distribuição das chuvas.

No Centro-Oeste, o andamento do plantio da soja será determinante para a janela de implantação do milho de segunda safra em 2027. No Sul, a previsão de precipitações mais intensas mantém a atenção sobre as condições para os trabalhos de campo.

No curto prazo, a comercialização doméstica continua condicionada à disponibilidade regional, à necessidade de armazenagem e à disposição dos compradores para recompor estoques.

Fonte: Portal do Agronegócio

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