Preço do leite: derivados seguem em queda em outubro e custos pressionam produtores
Boletim do Cepea aponta recuo no atacado paulista, aumento das importações e alta dos gastos com nutrição; último dado apresentado para o leite ao produtor é de agosto
Publicado em: 20/10/2026 às 10:30hs
O mercado brasileiro de leite chega a outubro com pressão de baixa sobre os preços dos derivados, enquanto os custos de produção continuam avançando. Segundo o Boletim do Leite do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a desvalorização observada no atacado paulista em setembro permanece neste mês.
Na produção primária, o último dado apresentado na edição corresponde ao leite captado em agosto. A “Média Brasil” líquida ficou em R$ 2,8869 por litro, com pequena variação mensal, mas em um cenário de aumento da pressão baixista.
Leite ao produtor teve pouca variação em agosto
O preço médio do leite cru captado por laticínios e cooperativas avançou 0,7% em agosto frente a julho.
Na comparação com agosto de 2025, a cotação foi 9,18% superior em termos reais, considerando os valores deflacionados pelo IPCA de agosto.
Apesar da relativa estabilidade naquele período, o boletim destaca o enfraquecimento do mercado de derivados nos meses seguintes.
Leite UHT, muçarela e leite em pó recuam no atacado
A pesquisa do Cepea, realizada com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), identificou queda nos preços dos principais derivados no atacado paulista em setembro.
O leite UHT teve média de R$ 4,69 por litro, recuo de 4,76% em relação a agosto. A muçarela foi negociada, em média, a R$ 34,91 por quilo, desvalorização de 2,77%.
Já o leite em pó fracionado apresentou a maior queda percentual entre os produtos citados: 5,47%, com média de R$ 29,63 por quilo.
Segundo o Cepea, o movimento de baixa continua sendo observado em outubro.
Importações de lácteos crescem 25,99% na comparação anual
O comércio exterior de lácteos registrou aumento tanto nas compras quanto nas vendas brasileiras entre agosto e setembro.
Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Cepea, as importações chegaram a 249,6 milhões de litros em equivalente-leite (EqL), alta mensal de 8,38%. Frente a setembro de 2025, o crescimento foi de 25,99%.
As exportações somaram 5,57 milhões de litros em EqL, avanço de 6,05% sobre agosto. Na comparação anual, porém, os embarques recuaram 5,96%.
Nutrição mantém custos da pecuária leiteira em alta
Os gastos com alimentação do rebanho voltaram a pressionar a atividade em setembro. O Custo Operacional Efetivo (COE) aumentou 0,46% na “média Brasil”, segundo o Cepea.
Entre as praças acompanhadas, os maiores avanços ocorreram no Rio Grande do Sul, com alta de 2,08%, e em Santa Catarina, com 1,33%.
A combinação de custos crescentes e enfraquecimento dos preços dos derivados amplia a atenção sobre as margens da cadeia leiteira neste início de último trimestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
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