Preço do trigo: chuvas restringem oferta de qualidade, mas safra nova pressiona cotações no Sul
Escassez de trigo tipo 1 sustenta lotes superiores, enquanto colheita avança no Rio Grande do Sul; importações brasileiras são projetadas em 7,06 milhões de toneladas em 2026
Publicado em: 20/10/2026 às 11:20hs
O mercado brasileiro de trigo apresenta comportamentos distintos conforme a qualidade dos grãos. As chuvas dificultam a colheita e reduzem a disponibilidade de cereal com padrão adequado à indústria, sustentando os preços dos melhores lotes. Ao mesmo tempo, a entrada da safra nova exerce pressão sobre as cotações, especialmente no Rio Grande do Sul.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta restrita de trigo tipo 1 e a recente reação do dólar dão suporte ao mercado de lotes, mesmo diante das quedas nos preços internacionais.
A irregularidade da produção também mantém elevada a necessidade de compras externas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta importações de 7,06 milhões de toneladas em 2026, volume 15,1% superior ao de 2025.
Qualidade do trigo limita abastecimento dos moinhos
As condições climáticas adversas em regiões produtoras comprometem tanto o andamento da colheita quanto o padrão dos grãos disponíveis para comercialização.
Em outubro, a Conab manteve praticamente estável a estimativa de produção nacional em relação a setembro, mas reduziu as projeções para São Paulo e Goiás.
O maior corte em volume ocorreu em São Paulo, onde parte do cereal colhido não alcançou os requisitos de qualidade para comercialização. Para os pesquisadores do Cepea, a escassez de trigo de qualidade reforça a dependência do abastecimento externo.
Trigo novo no Rio Grande do Sul tem negócios a R$ 1.400 por tonelada
De acordo com a TF Agroeconômica, a colheita alcançou aproximadamente 15% da área de trigo no Rio Grande do Sul, com rendimento médio de 2.400 quilos por hectare.
Os negócios com o cereal da nova safra ganharam movimento, embora ainda sem volumes expressivos. As operações foram registradas a R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto alguns moinhos já indicam valores de R$ 1.350 por tonelada.
Para o trigo destinado à ração e à exportação, a referência é de R$ 1.100 por tonelada no porto, com entrega em novembro e pagamento em dezembro. Em Panambi, o preço de balcão recuou R$ 2, passando para R$ 73 por saca.
A entrada de novos lotes, portanto, pressiona parte das referências, enquanto a disponibilidade limitada de cereal superior mantém a diferenciação entre os preços.
Colheita gaúcha apresenta diferenças entre regiões
Nas regiões das Missões e de Santa Rosa, a colheita chegou a 30%, com qualidade aparente preservada, segundo o levantamento da consultoria.
Na região Celeiro, os trabalhos atingiram 15%, mas os lotes apresentam variações de qualidade e ocorrência de grãos brotados.
No Alto Jacuí, o avanço é de 5%. Nessa região, a qualidade é considerada ruim nos lotes dessecados que receberam chuvas, ampliando a preocupação com o aproveitamento industrial da produção.
Santa Catarina projeta queda de 37% na produção
Em Santa Catarina, os moinhos relatam dificuldade para encontrar trigo de qualidade, inclusive em compras de lotes do Paraguai.
A estimativa da Epagri para a safra 2026/27 é de 243 mil toneladas, aproximadamente 37% abaixo da temporada anterior. A projeção considera redução de 35% na área cultivada e de 2,5% na produtividade.
A menor produção esperada se soma às dificuldades de aquisição de cereal com as características exigidas pela indústria.
Trigo tipo 1 chega a R$ 1.650 por tonelada no Paraná
No Paraná, a presença de grãos brotados também restringe a oferta de qualidade e amplia a diferença entre as referências de comercialização.
No Oeste do estado, um negócio envolveu trigo com peso hectolítrico de 76 e Falling Number de 230, negociado a R$ 1.520 por tonelada FOB.
As referências para o trigo tipo 1 chegam a R$ 1.650 por tonelada. Para os tipos 2 e 3, as indicações são de R$ 1.450 e R$ 1.300 por tonelada CIF, respectivamente.
O cenário mantém os compradores atentos ao padrão de cada lote. Enquanto a colheita amplia a oferta de trigo novo, a disponibilidade de grãos adequados à moagem segue determinante para o abastecimento e a formação dos preços no mercado brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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