Soja sobe em Chicago, mas dólar em queda limita preços e negócios no Brasil
Demanda chinesa e petróleo favorecem recuperação internacional nesta terça-feira (20), enquanto câmbio próximo de R$ 5,01 pressiona ofertas no mercado brasileiro e chuvas dificultam o plantio em parte do país.
Publicado em: 20/10/2026 às 11:50hs
Os preços da soja iniciaram a terça-feira (20) em recuperação na Bolsa de Chicago, após seis sessões consecutivas de perdas. O movimento acompanha a valorização do petróleo e novos dados sobre as importações chinesas. No Brasil, porém, a queda do dólar e os prêmios de exportação insuficientes para compensar as pressões externas mantêm as negociações limitadas.
No campo, o avanço da safra apresenta diferenças regionais. Enquanto Mato Grosso acelerou a semeadura, o excesso de umidade restringe operações no Sul e em áreas de Mato Grosso do Sul, exigindo acompanhamento das condições do solo.
Chicago recupera parte das perdas com China e petróleo no radar
Por volta das 7h14, no horário de Brasília, o contrato de soja novembro/26 era negociado a US$ 12,5625 por bushel, alta de 2,75 centavos de dólar. O janeiro/27 avançava na mesma proporção, para US$ 12,7150, enquanto o março/27 chegava a US$ 12,8050.
Em outra leitura da manhã, o novembro/26 apresentava ganho de 0,29%, cotado a US$ 12,5725 por bushel. As referências são intradiárias e não representam o fechamento da sessão.
A recuperação ocorre depois de o vencimento novembro encerrar a segunda-feira (19) em baixa de 0,61%, apesar dos números positivos das inspeções de exportação dos Estados Unidos.
Segundo a análise da Grão Direto, a alta do petróleo também oferece suporte ao complexo soja, ao favorecer a competitividade dos óleos vegetais utilizados como matérias-primas energéticas. A perspectiva de oferta abundante, entretanto, continua limitando a reação das cotações.
Dólar próximo de R$ 5,01 reduz sustentação dos preços brasileiros
O avanço de Chicago não garante melhora equivalente nas ofertas em reais. Na referência cambial apresentada durante a manhã, o dólar comercial recuava 0,60%, para R$ 5,0161, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior.
A valorização do real reduz a receita em moeda brasileira das exportações e limita os valores que os compradores conseguem oferecer pela soja.
De acordo com Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, os prêmios não compensaram as quedas de Chicago e do dólar na segunda-feira, provocando recuos nas ofertas do mercado físico.
A comercialização começou a semana praticamente travada, com operações pontuais de entrega imediata e pagamento em janeiro. Nos níveis de preços apresentados, muitos produtores permaneceram afastados das negociações.
Preços da soja recuam em diferentes praças e nos portos
No levantamento da Safras & Mercado referente à segunda-feira, predominaram quedas, embora algumas praças gaúchas tenham registrado valorização.
As referências para a saca de 60 quilos foram:
- Passo Fundo (RS): de R$ 146,50 para R$ 147,00;
- Santa Rosa (RS): de R$ 147,00 para R$ 148,00;
- Cascavel (PR): de R$ 144,00 para R$ 142,00;
- Rondonópolis (MT): de R$ 141,00 para R$ 140,00;
- Dourados (MS): de R$ 140,50 para R$ 138,00;
- Rio Verde (GO): de R$ 139,00 para R$ 138,00.
Nos portos, a soja passou de R$ 155,00 para R$ 153,00 em Paranaguá (PR). Em Rio Grande (RS), recuou de R$ 155,50 para R$ 154,00 por saca.
Em acompanhamento próprio da Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, Dom Pedrito (RS) apresentou resistência às quedas. A referência FOB para novembro de 2026 encerrou a segunda-feira em R$ 147,00 por saca, com diferencial positivo de R$ 6,62 por saca em relação à referência utilizada pela plataforma.
Os levantamentos das consultorias possuem condições comerciais e momentos de coleta próprios, o que pode gerar diferenças entre as indicações de uma mesma região.
China retoma importações dos EUA, mas Brasil mantém liderança no fornecimento
Dados da Administração Geral das Alfândegas da China, reportados pela Reuters, mostraram importações de 360.878 toneladas de soja dos Estados Unidos em setembro, ante ausência de volume no mesmo mês de 2025.
Os desembarques correspondem à chegada de carregamentos adquiridos após o entendimento comercial entre Washington e Pequim.
Apesar dessa retomada, as compras chinesas de soja americana somaram 11,06 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, queda de 34% na comparação anual.
Do Brasil, a China importou 10,7 milhões de toneladas em setembro, redução de 2,4% frente ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, porém, o volume brasileiro cresceu 3,4%, alcançando 65,84 milhões de toneladas.
Os resultados mantêm a disputa entre as duas origens no centro das avaliações sobre a demanda chinesa.
Colheita de soja nos Estados Unidos alcança 64%
O avanço da safra americana continua como fator de pressão sobre o mercado internacional.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita atingiu 64% da área na semana encerrada em 18 de outubro, contra 46% na semana anterior. O avanço de 18 pontos percentuais deixou os trabalhos próximos da média dos últimos cinco anos, de 65%.
A maior disponibilidade sazonal de soja contrapõe os sinais positivos das exportações. Na segunda-feira, o USDA informou inspeções semanais de aproximadamente 2 milhões de toneladas, aumento de 80,4% em relação à semana anterior, com a China como principal destino.
Chuvas restringem plantio no Sul e exigem atenção em Mato Grosso do Sul
No Brasil, a implantação da safra ocorre em ritmos distintos, conforme acompanhamento da TF Agroeconômica e de entidades estaduais.
No Rio Grande do Sul, a semeadura alcançou 6% da área projetada na região de Santa Rosa, segundo a Emater/RS-Ascar. A umidade elevada dificulta a entrada de máquinas, e a retomada depende das condições de acesso a cada lavoura.
No Paraná, as chuvas praticamente paralisaram os trabalhos no período analisado. O levantamento do Deral indicava 39% da área prevista semeada, ainda dentro do calendário.
Em Santa Catarina, a Epagri relatou preocupação com o excesso de água em Itapiranga e preferência de parte dos produtores locais pelo milho. O comportamento municipal, entretanto, não permite concluir que exista uma mudança semelhante em todo o estado.
Em Mato Grosso do Sul, a Aprosoja/MS registrou 459,2 milímetros de chuva em Dourados entre o início de setembro e meados de outubro, elevando a atenção para a saturação do solo.
Mato Grosso acelera semeadura, enquanto comercialização segue lenta
Em Mato Grosso, o plantio alcançou 51,86% da área, após avanço semanal de 18,58 pontos percentuais, conforme o Imea.
O progresso das operações ocorre em meio à pressão sobre as cotações. No acompanhamento da TF Agroeconômica, Lucas do Rio Verde registrou queda de R$ 0,60, para R$ 135,30 por saca. Preços menores aumentam a quantidade de soja necessária para cobrir despesas fixas, reforçando a atenção aos vencimentos e às condições de comercialização.
A Grainsights também identificou baixa liquidez no início da semana. Minas Gerais apresentou a maior movimentação relativa entre os estados monitorados, mas ainda com poucos negócios. As operações observadas se concentraram na próxima safra, com participação reduzida dos estoques atuais.
Outro ponto acompanhado é o avanço das exportações brasileiras de farelo em outubro, acima do ritmo do mesmo período de 2025, segundo a Grão Direto. A demanda pelo derivado pode favorecer o processamento interno e ampliar a competição pela matéria-prima.
Para os próximos dias, câmbio, compras chinesas, colheita americana e condições de plantio no Brasil devem continuar orientando a formação dos preços e as decisões de venda dos produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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