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Café recua em Nova York e Londres após alta de 3,31%; estoques baixos mantêm mercado em alerta

Arábica dezembro/26 era cotado a 313 cents por libra-peso na manhã desta terça-feira (20); disponibilidade reduzida nos armazéns da ICE e riscos climáticos seguem no radar.


Publicado em: 20/10/2026 às 11:10hs

Café recua em Nova York e Londres após alta de 3,31%; estoques baixos mantêm mercado em alerta

Os preços do café iniciaram a terça-feira (20) em queda nas bolsas de Nova York e Londres, após os ganhos expressivos da sessão anterior. O recuo ocorre em um mercado atento aos baixos estoques certificados de arábica e às perspectivas de abastecimento, especialmente antes do vencimento do contrato dezembro.

Por volta das 7h20, no horário de Brasília, o arábica dezembro/26 era negociado a 313,00 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 0,86% na ICE Futures US. Na segunda-feira (19), o mesmo contrato havia avançado 3,31%, encerrando a sessão a 315,70 cents.

O robusta também operava em baixa em Londres. Apesar do movimento inicial negativo, a disponibilidade limitada de café certificado continua entre os principais fatores de atenção dos participantes do mercado.

Cotações do café caem na abertura desta terça-feira

Em Nova York, os contratos de arábica apresentavam perdas nos principais vencimentos acompanhados às 7h20:

  • - Dezembro/26: 313,00 cents por libra-peso, queda de 0,86%;
  • - Março/27: 299,50 cents por libra-peso, recuo de 0,91%;
  • - Maio/27: 294,70 cents por libra-peso, baixa de 0,93%.

Na ICE Futures Europe, em Londres, o contrato de robusta novembro/26 estava a US$ 3.471 por tonelada, redução de US$ 13. O janeiro/27 também perdia US$ 13, negociado a US$ 3.467, enquanto o março/27 recuava US$ 11, para US$ 3.447 por tonelada.

As cotações representam o início das negociações e estão sujeitas a mudanças ao longo do pregão.

Dólar fraco e estoques reduzidos sustentaram alta na segunda-feira

Na sessão anterior, o café arábica teve valorização expressiva, acompanhando o avanço do robusta em Londres. O enfraquecimento do dólar frente ao real também contribuiu para o movimento.

A valorização da moeda brasileira reduz o retorno em reais das vendas externas e pode desestimular a oferta dos exportadores, dando suporte às cotações internacionais.

O arábica dezembro/26 fechou a segunda-feira a 315,70 cents por libra-peso, ganho de 10,10 cents, equivalente a 3,31%. O março/27 encerrou a 302,25 cents, alta de 7,75 cents, ou 2,63%.

Em Londres, o robusta janeiro/27 terminou a sessão a US$ 3.480 por tonelada, valorização de 2,20%.

Estoques certificados da ICE permanecem próximos de mínima histórica

Os estoques certificados de arábica na Bolsa de Nova York somavam 240.767 sacas, segundo informações da Reuters divulgadas na segunda-feira. O volume estava próximo das 217.646 sacas registradas em setembro, nível apontado como o menor em aproximadamente 27 anos.

A disponibilidade reduzida aumenta a preocupação com a chegada de novos carregamentos brasileiros aos armazéns da ICE antes do vencimento de dezembro.

Esse cenário mantém o abastecimento de curto prazo no centro das atenções, mesmo durante sessões de recuo dos preços.

Cobertura de posições vendidas ajuda a explicar valorização

Em entrevista ao Notícias Agrícolas na segunda-feira, Vicente Zotti, da NRT, avaliou que a recente alta do arábica está mais associada à cobertura de posições vendidas no mercado futuro do que a uma mudança nas perspectivas climáticas.

Nesse movimento, participantes que haviam vendido contratos recompram posições, contribuindo para elevar as cotações.

Segundo o analista, os estoques certificados baixos e os diferenciais elevados de determinadas origens também ajudam a explicar por que os contratos futuros apresentam valorização mais intensa do que os preços do mercado físico.

El Niño mantém atenção sobre robusta e conilon

As condições climáticas continuam sob acompanhamento, principalmente pelos possíveis efeitos sobre a oferta futura de robusta e conilon.

Zotti destacou riscos relacionados ao El Niño em regiões produtoras do Espírito Santo, de Rondônia e da Indonésia.

No Vietnã, representantes do setor esperam estabilidade da produção em 2026/27, mas demonstram preocupação com a disponibilidade de água para irrigação na temporada 2027/28.

Esses riscos ainda não representam perdas de produção confirmadas. Nos próximos pregões, o mercado acompanhará a evolução dos estoques, a chegada de café aos armazéns certificados e as condições climáticas para avaliar a sustentação dos preços após as altas recentes.

Fonte: Portal do Agronegócio

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