Preço do leite ao produtor sobe pelo sexto mês seguido e acumula alta de 33,1% em 2026
Boletim do Leite do Cepea mostra valorização da matéria-prima em junho, recuperação do leite UHT, avanço do comércio exterior de lácteos e estabilidade nos custos da pecuária leiteira
Publicado em: 24/08/2026 às 10:10hs
O mercado brasileiro de leite encerrou o primeiro semestre de 2026 com valorização consistente no campo. Segundo o Boletim do Leite de agosto, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço pago ao produtor avançou pelo sexto mês consecutivo em junho e acumulou alta real de 33,1% desde janeiro.
A edição também destaca a recuperação do leite UHT no atacado paulista, o crescimento das importações e exportações de lácteos em julho e a estabilidade dos custos de produção pelo segundo mês seguido.
Preço do leite registra sexta alta consecutiva
O preço do leite captado em junho aumentou 3,02% em relação a maio, considerando valores corrigidos pela inflação. Com o avanço, a chamada “Média Brasil” calculada pelo Cepea alcançou R$ 2,7464 por litro.
Apesar da sequência de valorização ao longo de 2026, o preço ficou 0,86% abaixo do registrado em junho do ano anterior. No acumulado desde janeiro, entretanto, a alta real chegou a 33,1%, refletindo a recuperação das cotações no campo durante o primeiro semestre.
A média real entre janeiro e junho foi de R$ 2,4659 por litro. Esse valor permaneceu 14% inferior ao observado no mesmo intervalo de 2025. Os preços foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho.
Leite UHT valoriza 7,35% no atacado paulista
O mercado de derivados lácteos apresentou comportamentos distintos em julho, conforme levantamento realizado pelo Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Em meio à valorização do leite cru, o leite UHT ganhou força no atacado paulista. O produto registrou alta mensal de 7,35%, com preço médio de R$ 4,88 por litro.
De acordo com a pesquisa, tanto as variações semanais quanto o resultado consolidado do mês confirmaram a recuperação do UHT, indicando maior firmeza nas negociações entre vendedores e compradores.
O leite em pó, por outro lado, continuou pressionado, evidenciando um cenário de preços desiguais entre os principais derivados acompanhados pelo levantamento.
Importações e exportações de lácteos crescem em julho
O comércio exterior brasileiro de lácteos também ganhou ritmo em julho, impulsionado principalmente pelas operações envolvendo queijos e leite em pó.
As importações cresceram 9,01% no mês e totalizaram 236,3 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL). Na comparação com julho de 2025, as compras externas aumentaram 33,49%.
As exportações apresentaram crescimento mensal ainda mais expressivo, de 17,43%, alcançando 5,27 milhões de litros em Equivalente-Leite. Apesar da alta frente ao mês anterior, os embarques ficaram 5,55% abaixo do volume registrado em julho do ano passado.
Os números mostram que o Brasil continua comprando do exterior um volume de lácteos significativamente superior ao exportado, mesmo diante do avanço mensal dos embarques.
Custos da pecuária leiteira permanecem estáveis
Os custos de produção da pecuária leiteira ficaram praticamente estáveis pelo segundo mês consecutivo. Entre junho e julho, o Custo Operacional Efetivo (COE) apresentou leve redução de 0,31% na “Média Brasil”.
Entre as regiões acompanhadas pelo Cepea, Minas Gerais registrou a queda mais acentuada no período. No estado, o custo operacional efetivo recuou 1,1%.
A combinação entre valorização do leite recebido pelo produtor e estabilidade dos custos pode favorecer as margens da atividade no curto prazo. No entanto, o setor ainda acompanha fatores como oferta de matéria-prima, demanda por derivados e avanço das importações, que podem influenciar o comportamento dos preços nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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