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Exportações de carne bovina desaceleram em agosto, mas Brasil pode superar 5 milhões de toneladas em 2027

Restrições da China reduzem o ritmo dos embarques no curto prazo e aumentam a busca por novos compradores, enquanto projeções indicam crescimento das vendas externas mesmo diante da menor produção brasileira


Publicado em: 24/08/2026 às 10:50hs

Exportações de carne bovina desaceleram em agosto, mas Brasil pode superar 5 milhões de toneladas em 2027

As exportações brasileiras de carne bovina perderam força em agosto, pressionadas pelas novas condições de acesso ao mercado chinês. Apesar da desaceleração no curto prazo, o Brasil deve manter sua posição de liderança no comércio mundial da proteína e poderá exportar 5,043 milhões de toneladas em equivalente carcaça em 2027.

A projeção da Safras & Mercado representa crescimento de 1% sobre as 4,993 milhões de toneladas previstas para 2026. O avanço, entretanto, deverá ocorrer em um cenário de menor produção nacional e de maior necessidade de diversificação dos mercados compradores.

Média diária das exportações de carne bovina cai 26%

Nas duas primeiras semanas de agosto, a média diária dos embarques brasileiros de carne bovina recuou 26% em relação ao mesmo período de 2025, segundo avaliação do economista André Galhardo Fernandes.

A perda de ritmo ocorreu após o preenchimento da cota de 1,106 milhão de toneladas estabelecida pela China. Os volumes que ultrapassam esse limite ficam sujeitos a uma sobretaxa de 55%, além da tarifa regular de 12%, reduzindo a competitividade do produto brasileiro naquele mercado.

A mudança tem impacto relevante sobre o setor frigorífico, já que a China continua sendo o principal destino da carne bovina produzida no Brasil. Entre janeiro e julho, o país asiático respondeu por 45% do volume e 47% da receita obtida com as exportações brasileiras da proteína.

China permanece como principal destino da carne brasileira

Mesmo com as restrições, as vendas brasileiras de carne bovina para a China cresceram 31% no acumulado analisado, alcançando US$ 5,34 bilhões. As exportações destinadas ao conjunto dos países asiáticos avançaram 27%, passando de US$ 5,9 bilhões para US$ 7,5 bilhões.

O desempenho reforça a importância da Ásia para a pecuária brasileira, mas também evidencia a elevada dependência do mercado chinês. Nenhum outro destino possui, individualmente, capacidade para absorver o mesmo volume adquirido pela China.

Diante desse cenário, frigoríficos e exportadores intensificam a procura por mercados alternativos para reduzir os impactos das tarifas e preservar o fluxo de embarques.

Vietnã ganha espaço entre os compradores

O Vietnã apresentou o crescimento mais expressivo entre os destinos asiáticos. A receita brasileira com as vendas de carne bovina ao país saltou de US$ 150 mil para US$ 28,05 milhões, uma expansão de 18.553%.

Outros mercados também ampliaram as compras do produto brasileiro. As exportações para Hong Kong cresceram 55%, enquanto os embarques para a Coreia do Sul avançaram 90%. A Indonésia registrou aumento de 21%.

Em 2026, o Brasil elevou para oito o número de frigoríficos autorizados a exportar carne bovina ao mercado vietnamita. A ampliação das habilitações fortalece a estratégia de diversificação comercial e pode abrir espaço para novos negócios no Sudeste Asiático.

Na avaliação de André Galhardo Fernandes, o crescimento das vendas ao Vietnã e a outros países da região pode sinalizar uma reorganização dos fluxos comerciais originalmente direcionados à China. Esse movimento, contudo, ainda precisa ser acompanhado para verificar se representa uma mudança permanente ou apenas um ajuste temporário.

Brasil pode exportar 5,043 milhões de toneladas em 2027

Embora o setor enfrente obstáculos no curto prazo, as perspectivas para as exportações brasileiras de carne bovina permanecem positivas. A Safras & Mercado estima embarques de 5,043 milhões de toneladas em equivalente carcaça em 2027, ante 4,993 milhões de toneladas projetadas para 2026.

O crescimento esperado é de 1% e deverá ocorrer mesmo com a previsão de redução da produção nacional. Segundo a consultoria, o Brasil poderá produzir 10,807 milhões de toneladas de carne bovina em 2027, queda de 2,04% frente às 11,032 milhões de toneladas estimadas para 2026.

Os números indicam que o mercado externo continuará absorvendo uma parcela elevada da produção brasileira, aumentando a importância da abertura e consolidação de novos destinos.

Oferta de carne bovina no mercado interno deve diminuir

A disponibilidade de carne bovina para o mercado doméstico deverá alcançar 5,904 milhões de toneladas em 2027. O volume representa retração de 4,48% em comparação com as 6,076 milhões de toneladas previstas para 2026.

Já as importações brasileiras podem avançar 7,13%, passando de 37,72 mil toneladas em 2026 para 40,41 mil toneladas no próximo ano, conforme projeção apresentada pelo analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado.

A combinação entre menor produção, crescimento das exportações e redução da oferta interna poderá influenciar os preços da carne bovina no Brasil. O comportamento do consumo doméstico e das cotações do boi gordo será decisivo para definir a intensidade desse movimento.

Diversificação será decisiva para o setor frigorífico

A capacidade de ampliar as vendas para Vietnã, Coreia do Sul, Indonésia, Hong Kong e outros mercados será fundamental para reduzir a dependência da China e sustentar o crescimento das exportações.

Caso os frigoríficos não consigam redirecionar os volumes afetados pelas restrições chinesas, parte da produção poderá permanecer no mercado brasileiro ou ser comercializada com destinos menores. Esse cenário tende a aumentar a pressão sobre os preços do boi gordo e sobre as margens da indústria.

Por outro lado, a projeção de exportações acima de 5 milhões de toneladas em equivalente carcaça para 2027 demonstra que a demanda internacional pela carne bovina brasileira permanece robusta. O desafio será transformar a atual diversificação de compradores em uma estratégia permanente, capaz de equilibrar riscos comerciais e ampliar a presença do Brasil no mercado global de proteínas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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