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Aveia, Trigo e Cevada

Oferta restrita sustenta preço do trigo no Sul e abre espaço para vendas escalonadas

Baixa disponibilidade no Rio Grande do Sul, cautela com a nova safra e risco climático mantêm vendedores firmes, enquanto moinhos ampliam cobertura e monitoram custos da farinha


Publicado em: 24/08/2026 às 11:50hs

Oferta restrita sustenta preço do trigo no Sul e abre espaço para vendas escalonadas

O mercado de trigo no Sul do Brasil segue marcado por oferta limitada, baixa liquidez e resistência dos produtores em antecipar a comercialização da nova safra. Apesar das diferenças entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, os preços encontram sustentação na menor disponibilidade doméstica, nos riscos climáticos e na recuperação das cotações internacionais.

Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado entra na próxima semana com viés de alta, mas ainda sujeito à volatilidade e a possíveis correções. As restrições logísticas no Mar Negro, a perspectiva de menor produção mundial, a redução dos estoques globais e o avanço do trigo na Bolsa de Chicago reforçam o cenário positivo.

Para os produtores, a avaliação é de que o momento favorece vendas graduais. A estratégia procura evitar tanto a comercialização integral do trigo quanto a retenção de todo o produto à espera de preços mais elevados.

Rio Grande do Sul enfrenta déficit de trigo até a nova safra

No Rio Grande do Sul, a disponibilidade de trigo é estimada em aproximadamente 100 mil toneladas. A necessidade dos compradores até a entrada da próxima safra, contudo, alcança cerca de 300 mil toneladas.

A diferença indica um déficit potencial de 200 mil toneladas, que deverá ser coberto por estoques de outras regiões ou por importações.

Algumas operações de maior volume foram realizadas entre R$ 1.500 e R$ 1.550 por tonelada na modalidade CIF, com o produto entregue nos moinhos.

No mercado FOB, vendedores pedem aproximadamente R$ 1.350 por tonelada, enquanto as indicações dos compradores chegam a R$ 1.320. A distância entre as referências limita o número de negócios.

Moinhos gaúchos ampliam cobertura até setembro

Os moinhos do Rio Grande do Sul avançaram na contratação de trigo e já apresentam cobertura para as necessidades até o fim de setembro.

O movimento ocorre em um ambiente de baixa moagem e margens pressionadas. A diferença entre o custo do trigo e os preços obtidos com a comercialização das farinhas permanece elevada, levando as indústrias a adotarem cautela nas aquisições.

A demanda enfraquecida por farinha dificulta o repasse integral do custo da matéria-prima. Por isso, parte dos moinhos compra apenas os volumes necessários para manter as operações e evitar exposição excessiva a uma eventual correção dos preços.

Trigo importado chega a R$ 1.540 no Rio Grande do Sul

O trigo importado é ofertado a US$ 289 por tonelada posto Rio Grande e a US$ 300 por tonelada posto Canoas.

Considerando câmbio, frete e demais custos, a referência equivale a aproximadamente R$ 1.540 por tonelada entregue em moinhos próximos de Porto Alegre.

A paridade de importação funciona como um importante limite para os preços domésticos. Quando o trigo nacional se aproxima ou supera o custo do produto estrangeiro, os moinhos passam a avaliar com maior interesse as compras no Mercosul.

A competitividade do cereal importado depende, entretanto, do dólar, da qualidade, dos custos portuários e da disponibilidade logística.

Risco climático limita vendas da nova safra gaúcha

A comercialização antecipada da nova safra permanece restrita no Rio Grande do Sul. Aproximadamente 60 mil toneladas foram negociadas até o momento.

Muitos produtores evitam assumir compromissos antes de uma definição mais clara sobre o desenvolvimento das lavouras. A preocupação está relacionada principalmente ao risco climático e à possibilidade de o El Niño afetar a produtividade e a qualidade dos grãos.

A antecipação de vendas pode se tornar um problema caso o agricultor não consiga colher o volume ou o padrão de trigo previsto em contrato. Por isso, a recomendação é limitar as fixações a parcelas compatíveis com a segurança produtiva da propriedade.

Mercado de trigo segue lento em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a comercialização apresenta ritmo reduzido. O trigo destinado à fabricação de pão é indicado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada.

Também foi registrado negócio com trigo branqueador a R$ 1.500 por tonelada FOB.

Os preços recebidos pelos produtores permaneceram estáveis nas principais praças acompanhadas. A baixa liquidez reflete o interesse limitado dos compradores e a resistência dos vendedores em aceitar valores inferiores às referências pretendidas.

Os moinhos catarinenses continuam ajustando as compras ao ritmo de comercialização das farinhas, evitando a formação de estoques elevados.

Demanda ganha ritmo no Paraná

No Paraná, a demanda apresentou alguma recuperação com a proximidade do fim do mês. Os moinhos buscam repor estoques antes do reajuste programado nos preços das farinhas em setembro.

O trigo da safra velha é negociado ao redor de R$ 1.500 por tonelada CIF moinho.

Para a nova safra, as ofertas começam próximas de R$ 1.450 por tonelada FOB. Apesar das indicações, muitos produtores preferem aguardar a evolução das lavouras e os possíveis efeitos do El Niño antes de avançar nas vendas.

A firmeza do mercado paranaense oferece sustentação às cotações regionais, mas a realização de novos negócios dependerá da qualidade do cereal e da capacidade das indústrias de repassar os custos para a farinha.

Clima e Mar Negro oferecem suporte ao mercado

No cenário internacional, as restrições logísticas na região do Mar Negro permanecem entre os principais fatores de atenção.

Rússia e Ucrânia possuem grande participação no comércio mundial de trigo. Qualquer dificuldade nos portos, nas rotas marítimas ou na infraestrutura de armazenagem pode reduzir a disponibilidade global e elevar os preços.

O mercado também acompanha estimativas de menor produção e estoques internacionais mais apertados. Esses fatores contribuíram para a recuperação dos contratos negociados na Bolsa de Chicago.

No Brasil, o comportamento das cotações externas precisa ser analisado em conjunto com o dólar, os fretes, a qualidade e os preços praticados pelos fornecedores do Mercosul.

Venda escalonada reduz risco para o produtor

Diante do viés de alta, a TF Agroeconômica recomenda que os agricultores evitem decisões concentradas.

Para o trigo disponível, a indicação é comercializar inicialmente entre 20% e 30% dos estoques. O restante pode ser vendido em etapas, conforme os preços internos e internacionais avancem.

Na Bolsa de Chicago, a faixa entre US$ 7,05 e US$ 7,10 por bushel é considerada um primeiro nível relevante para ampliar as vendas. Caso os contratos alcancem US$ 7,25, uma nova parcela poderia ser negociada.

Por outro lado, uma queda abaixo de US$ 6,65 por bushel enfraqueceria a tendência positiva e exigiria uma reavaliação da estratégia.

Preços entre R$ 1.430 e R$ 1.500 orientam vendas da nova safra

Para a nova safra brasileira, a análise considera diferentes faixas de preço para escalonar a comercialização.

Entre R$ 1.430 e R$ 1.450 por tonelada, o produtor poderia realizar uma primeira fixação, desde que o valor cubra os custos e garanta margem adequada.

Uma nova parcela poderia ser negociada entre R$ 1.470 e R$ 1.500. Acima de R$ 1.500 por tonelada, a recomendação é aumentar o percentual comercializado.

A decisão deve levar em conta o potencial produtivo da lavoura, o risco de perda de qualidade, a capacidade de armazenagem e os compromissos financeiros da propriedade.

Cooperativas devem priorizar trigo de qualidade

Para as cooperativas, a orientação é realizar compras seletivas, manter estoques controlados e combinar posições físicas com mecanismos de proteção no mercado futuro.

Lotes com melhor força de glúten, peso hectolítrico, estabilidade e características adequadas à panificação tendem a apresentar maior valorização.

A estratégia também deve considerar a separação dos diferentes padrões de trigo. A classificação correta permite direcionar cada lote ao comprador mais adequado e melhorar a remuneração do produtor.

Cerealistas precisam trabalhar com giro rápido

A recomendação para cerealistas é manter estoques menores e maior velocidade de giro, reduzindo a exposição às oscilações de Chicago e do câmbio.

Posições especulativas elevadas podem gerar perdas caso o mercado internacional passe por uma realização de lucros após a recuperação recente.

Operações com margens previamente definidas e compradores identificados oferecem maior segurança em um mercado caracterizado pela baixa liquidez.

Exportadores monitoram Mercosul e custos logísticos

Os exportadores podem aumentar a originação de trigo, mas com agressividade moderada e proteção das margens.

A competitividade do cereal brasileiro depende dos custos portuários, do frete interno e da concorrência de Argentina, Paraguai e Uruguai.

O acompanhamento da paridade de exportação também é necessário para evitar que a compra doméstica seja realizada acima dos valores possíveis no mercado internacional.

Moinhos podem ampliar cobertura para até 90 dias

Para os moinhos, a análise sugere a ampliação gradual da cobertura para um período entre 60 e 90 dias.

A estratégia busca proteger as indústrias contra uma eventual alta adicional do trigo, especialmente diante da baixa disponibilidade no Rio Grande do Sul e das incertezas sobre a nova safra.

As compras mais longas devem priorizar lotes de elevada qualidade e ser realizadas em etapas. Dessa forma, as empresas reduzem o risco de concentrar aquisições em momentos de preços elevados.

Oferta limitada mantém preços firmes no curto prazo

O mercado de trigo no Sul deverá continuar sustentado pela baixa disponibilidade, pela cautela dos produtores e pelos riscos climáticos.

No Rio Grande do Sul, a necessidade de complementar a oferta mantém a importação como alternativa para os moinhos. Em Santa Catarina, os negócios seguem lentos. No Paraná, a proximidade da nova safra e a reposição industrial aumentam gradualmente a movimentação.

Apesar do viés positivo, a evolução dos preços continuará dependente do comportamento de Chicago, do câmbio, dos fretes, da qualidade do produto e da demanda por farinha.

Nesse cenário, as vendas escalonadas aparecem como estratégia para aproveitar possíveis altas sem deixar todo o estoque exposto a uma reversão do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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