Preços Agropecuários

Preço do leite ao produtor sobe 10,4% em abril e registra quarta alta consecutiva em 2026, aponta Cepea

Redução da oferta e maior disputa entre laticínios impulsionam valorização do leite cru, mesmo com pressão de custos e demanda mais fraca no atacado


Publicado em: 02/06/2026 às 12:00hs

Preço do leite ao produtor sobe 10,4% em abril e registra quarta alta consecutiva em 2026, aponta Cepea

O preço do leite pago ao produtor registrou nova alta em abril de 2026, consolidando o quarto mês consecutivo de valorização no mercado brasileiro. Segundo levantamento do Cepea, da Esalq/USP, o avanço foi de 10,4% em relação a março, elevando a “Média Brasil” para R$ 2,6584 por litro.

Apesar da sequência de altas, o valor ainda permanece 7,1% abaixo do registrado em abril de 2025, quando ajustado pela inflação (deflação pelo IPCA de abril/26), indicando um cenário de recuperação parcial dos preços no campo.

Menor produção e competição entre laticínios sustentam alta no campo

A valorização do leite cru foi impulsionada principalmente pela redução da oferta, influenciada pela sazonalidade típica do período e pela queda nos investimentos dentro da porteira.

O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) registrou recuo de 3,4% entre março e abril na média nacional, acumulando queda de 14,6% no ano. O movimento reforça o cenário de restrição de oferta no campo.

Além disso, a disputa mais intensa entre laticínios pela matéria-prima também contribuiu para a pressão altista sobre os preços pagos ao produtor.

No mesmo período, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira avançou 1,1% na “Média Brasil”, acumulando alta de 3,24% em 2026. O aumento dos custos está relacionado principalmente às despesas com alimentação do rebanho, sanidade animal e operações mecanizadas.

Derivados lácteos sobem no atacado, mas ritmo perde força em maio

Com menor disponibilidade de leite e estoques mais ajustados, o mercado de derivados lácteos seguiu em alta no atacado paulista em abril.

Levantamento do Cepea em parceria com a OCB aponta forte valorização dos principais produtos:

  • Leite UHT: +20,17%
  • Muçarela: +12,65%
  • Leite em pó fracionado: +1,52%

No entanto, na primeira quinzena de maio, o mercado começou a dar sinais de desaceleração, refletindo uma demanda mais enfraquecida e maior cautela nas negociações.

Importações recuam em abril, mas seguem acima de 2025

No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos somaram 218,38 milhões de litros equivalentes de leite (EqL) em abril, com queda de 10% em relação ao mês anterior.

Apesar da retração pontual, o volume importado ainda permanece 34,1% acima do registrado no mesmo período de 2025, indicando manutenção da dependência externa em parte do abastecimento nacional.

Perspectivas: mercado deve seguir firme, mas com perda de ritmo altista

Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade da valorização do leite ao produtor no curto prazo, sustentada pela sazonalidade de menor oferta.

No entanto, analistas apontam possível perda de intensidade do movimento de alta a partir de maio, à medida que a demanda na ponta final da cadeia começa a enfraquecer.

Mesmo no período tradicionalmente marcado por preços mais firmes, o comportamento do mercado pode ser influenciado pela pressão do consumo e por ajustes nas cotações dos derivados lácteos ao longo da cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

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