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Logística e Transporte

Tráfego no Estreito de Ormuz reage, mas segue abaixo da média e mantém alerta no comércio global

Apenas seis navios de carga atravessaram a rota estratégica na segunda-feira, sem registro de superpetroleiros ou embarcações de GNL; movimentação também recuou em Bab el-Mandeb


Publicado em: 18/08/2026 às 11:07hs

Tráfego no Estreito de Ormuz reage, mas segue abaixo da média e mantém alerta no comércio global

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz apresentou uma leve recuperação na segunda-feira (17), mas permaneceu significativamente abaixo dos níveis recentes. Dados preliminares da empresa de inteligência marítima Kpler mostram que apenas seis navios de carga cruzaram a passagem estratégica, em um cenário marcado pelo impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.

O volume ainda ficou na casa de um dígito e distante da média de 11 embarcações registrada nos últimos dez dias. No sábado (15), três navios passaram pelo estreito, enquanto no domingo (16) foram contabilizadas somente duas travessias.

A circulação reduzida mantém o mercado internacional em estado de atenção, principalmente pela importância de Ormuz para o transporte de petróleo, gás natural liquefeito (GNL), derivados e outras commodities essenciais ao comércio mundial.

Três navios entraram e três deixaram o Golfo Pérsico

Das seis embarcações identificadas na segunda-feira, três estavam entrando no Golfo Pérsico e outras três seguiam na direção oposta.

Não houve registro de passagem de superpetroleiros do tipo VLCC, utilizados no transporte de grandes volumes de petróleo, nem de navios-tanque carregados com gás natural liquefeito.

Os números, contudo, podem não representar todo o fluxo marítimo da região. Algumas embarcações podem atravessar a rota com os transponders desligados, ficando fora dos sistemas convencionais de rastreamento.

Navio de transporte de gás entra sem carga

Entre as embarcações que ingressaram no estreito estava o Xavia, um navio de transporte de gás de grande porte, classificado como VLGC. Segundo a Kpler, o cargueiro navegava em lastro — condição em que a embarcação opera sem carga — e utilizou a rota próxima ao território iraniano.

Os VLGCs são empregados principalmente no transporte de gases liquefeitos de petróleo, como propano e butano.

Também entraram no Golfo Pérsico um petroleiro de médio alcance e outro de alcance intermediário. No sentido de saída, foram identificados um transportador de gás liquefeito de petróleo de médio porte, um graneleiro Panamax e um petroleiro da mesma categoria.

Estreito de Ormuz é estratégico para petróleo e fertilizantes

Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. A passagem é considerada uma das principais rotas energéticas do planeta, concentrando parcela relevante dos embarques internacionais de petróleo, derivados e gás.

Uma interrupção prolongada ou uma redução mais intensa do tráfego pode ampliar os riscos logísticos, elevar custos de frete e seguros e aumentar a volatilidade das cotações internacionais de energia.

Para o agronegócio brasileiro, o cenário também exige acompanhamento. Alterações nos preços do petróleo podem afetar os custos de diesel, transporte e produção agrícola, enquanto eventuais dificuldades logísticas no Oriente Médio podem atingir o comércio de fertilizantes e seus insumos.

Tráfego também perde força em Bab el-Mandeb

A movimentação marítima diminuiu ainda no Estreito de Bab el-Mandeb, situado do outro lado da Península Arábica e responsável por conectar o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.

Na segunda-feira, 19 navios transportadores de commodities passaram pela rota, abaixo da média móvel de 26 embarcações dos dez dias anteriores. O resultado também representou uma queda expressiva frente às 33 travessias registradas no domingo.

Das 19 embarcações contabilizadas, cinco entraram no Mar Vermelho e 14 deixaram a região.

Superpetroleiro deixou o Mar Vermelho com 2 milhões de barris

Entre os navios que saíram pelo Estreito de Bab el-Mandeb estava o superpetroleiro Norns, transportando aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo.

No fluxo de entrada, foram identificados os petroleiros Admiral e Portofino. O Portofino carregava diesel destinado aos mercados localizados a oeste do Canal de Suez, conforme os dados de rastreamento.

Rotas marítimas seguem no radar dos mercados

Ormuz e Bab el-Mandeb formam dois dos pontos mais sensíveis para o transporte marítimo de energia e commodities. Restrições nessas passagens podem provocar desvios de rota, ampliar o tempo das viagens e pressionar os custos logísticos internacionais.

Com o tráfego ainda abaixo da média e sem circulação identificada de grandes petroleiros e navios de GNL em Ormuz, os mercados seguem atentos às negociações diplomáticas, às condições de segurança e à normalização das operações marítimas na região.

Fonte: Portal do Agronegócio

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