Ibovespa reage, mas petróleo acima de US$ 91 pressiona bolsas globais e amplia aversão ao risco
Tensões entre Estados Unidos e Irã, alta dos juros internacionais e temores de inflação derrubam mercados na Ásia, Europa e Wall Street; dólar opera perto de R$ 5,21 e cenário exige atenção do agronegócio brasileiro
Publicado em: 18/08/2026 às 10:58hs
Os mercados financeiros operam sob forte cautela nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026. A valorização do petróleo, as incertezas sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã e a elevação dos rendimentos dos títulos públicos internacionais aumentaram a aversão ao risco e pressionaram as principais bolsas de valores do mundo.
No Brasil, o Ibovespa esboçou uma reação após acumular dez pregões consecutivos de queda. Durante a manhã, o principal índice da B3 avançava 0,26%, aos 167.214 pontos, enquanto o dólar comercial permanecia próximo da estabilidade, negociado ao redor de R$ 5,21.
O movimento ocorre depois de o Ibovespa encerrar a segunda-feira (17) com recuo de 0,09%, aos 166.783,57 pontos. O dólar havia fechado o pregão anterior em baixa de 0,41%, cotado a R$ 5,1998 na venda. Dados divulgados pela Reuters.
Ibovespa tenta interromper sequência de perdas
A leve recuperação da bolsa brasileira representa uma tentativa de estabilização depois de uma sequência de dez quedas consecutivas, período marcado pelo aumento da volatilidade externa, pelas preocupações fiscais e eleitorais e pela saída de investidores estrangeiros.
O saldo negativo de capital externo na B3 já ultrapassa R$ 15 bilhões em agosto, intensificando a pressão sobre ações brasileiras. Apesar da retirada recente de recursos, o Ibovespa ainda acumula valorização aproximada de 3,5% em 2026.
No mercado doméstico, os investidores também acompanham os efeitos da Selic em 14% ao ano. O elevado retorno oferecido pela renda fixa reduz a atratividade relativa das ações, especialmente de empresas mais dependentes do consumo, do crédito e do financiamento de longo prazo.
As discussões sobre o equilíbrio das contas públicas e o início oficial da campanha eleitoral de 2026 completam o quadro de incertezas. Esse ambiente tende a ampliar o prêmio de risco exigido pelos investidores para manter posições em ativos brasileiros.
Petrobras ganha atenção com petróleo e Margem Equatorial
As ações da Petrobras permanecem entre os principais destaques da B3. A estatal é favorecida pela valorização internacional do petróleo e também repercute a confirmação da presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado na Margem Equatorial.
O petróleo Brent operava ao redor de US$ 91,27 por barril, com alta de aproximadamente 0,4%, depois de alcançar US$ 91,84 durante a sessão. O WTI, referência norte-americana, era negociado próximo de US$ 85 por barril. As cotações internacionais são acompanhadas pela Reuters e pela LSEG.
Os preços avançam diante da redução das expectativas de um acordo duradouro entre Estados Unidos e Irã. O impasse mantém as preocupações com o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o abastecimento mundial de energia.
A alta do petróleo beneficia companhias produtoras, mas também eleva os riscos de inflação, aumenta custos logísticos e pode dificultar a redução dos juros nas principais economias.
Bolsas da China fecham estáveis com queda das ações de inteligência artificial
Os mercados acionários da China e de Hong Kong encerraram o pregão sem direção única. As perdas das empresas de tecnologia e inteligência artificial foram compensadas pela valorização das companhias de petróleo, carvão, consumo e robótica.
O índice de Xangai avançou 0,19%, aos 3.990,30 pontos, enquanto o CSI 300, formado pelas maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,32%, aos 4.725 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,07%, aos 25.471,15 pontos.
O índice chinês ligado à inteligência artificial perdeu 1,5%, enquanto o segmento de comunicação 5G recuou 1,4%. As grandes empresas de tecnologia negociadas em Hong Kong também registraram queda.
A fabricante de chips de memória Changxin Technology recuou 4,2%, devolvendo parte da valorização de 12% registrada na sessão anterior.
Em sentido contrário, as ações de empresas petrolíferas e de mineração de carvão avançaram com o aumento das cotações da energia. A PetroChina subiu mais de 2%. O índice da indústria de robótica teve alta de 2,5%, impulsionado pelas expectativas em torno do desenvolvimento de robôs humanoides e novas aplicações industriais.
Nikkei lidera perdas na Ásia
O Japão apresentou o pior desempenho entre os principais mercados asiáticos. O Nikkei caiu 2,54%, aos 67.460,73 pontos, pressionado pelo aumento dos custos de energia e pela alta dos rendimentos dos títulos públicos japoneses.
A dependência do Japão em relação às importações de petróleo torna a economia particularmente sensível às oscilações do mercado energético.
Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 1,55%, aos 6.869 pontos. Em Taiwan, o Taiex perdeu 1,20%, aos 45.308 pontos, enquanto o Straits Times, de Cingapura, caiu 1,16%, aos 5.701 pontos.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 registrou baixa de 0,04%, aos 9.070 pontos. Na Índia, o Sensex caiu 0,63%, aos 77.235,46 pontos. Os números asiáticos foram consolidados pela Reuters com informações da LSEG.
Europa recua com petróleo e juros em alta
As bolsas europeias também operavam sob pressão. O índice pan-europeu STOXX 600 recuava aproximadamente 0,5%, aos 652,94 pontos, caminhando para a quinta sessão consecutiva de perdas.
As empresas de tecnologia lideravam as baixas, com desvalorização de 1,8%, enquanto o setor de recursos básicos perdia cerca de 1%. Em contrapartida, as companhias de energia avançavam, favorecidas pela alta do petróleo.
Além das tensões geopolíticas, o mercado acompanha a elevação dos juros dos títulos públicos. O rendimento do Bund alemão de dez anos atingiu o maior nível desde 2011, enquanto os títulos franceses de prazo semelhante alcançaram o maior patamar em 16 anos.
O aumento do custo da energia preocupa especialmente a Europa por causa da dependência regional das importações de petróleo e gás. Combustíveis mais caros podem pressionar a inflação, reduzir o consumo e elevar as despesas das empresas. O desempenho do mercado europeu foi atualizado pela Reuters.
Wall Street abre em queda
Nos Estados Unidos, os principais índices abriram no campo negativo. O Dow Jones recuou 0,20%, aos 53.354,43 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,58%, aos 7.700,04 pontos. O Nasdaq apresentou a maior perda, com baixa de 1,12%, aos 26.346,88 pontos.
A pressão sobre o mercado norte-americano combina petróleo mais caro, juros longos elevados e redução das expectativas de um entendimento entre Washington e Teerã.
O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 30 anos alcançou 5,3232%, o maior nível em quase duas décadas. Juros elevados reduzem o valor presente das empresas de crescimento e afetam principalmente ações de tecnologia, que possuem forte peso no Nasdaq. A abertura de Wall Street foi informada pela Reuters.
Alta do petróleo e dólar exigem atenção do agronegócio
Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre petróleo valorizado, dólar próximo de R$ 5,21 e juros elevados apresenta efeitos mistos.
O câmbio mais alto pode ampliar a receita em reais dos exportadores de soja, milho, café, açúcar, carnes e celulose. Por outro lado, também encarece fertilizantes, defensivos, combustíveis, máquinas, peças e outros insumos importados.
A valorização do petróleo tende a aumentar os custos de frete rodoviário e marítimo, com possíveis impactos sobre o escoamento da safra e as margens dos produtores. Ao mesmo tempo, preços elevados da energia podem fortalecer a competitividade dos biocombustíveis, especialmente etanol, biodiesel, biometano e combustíveis sustentáveis de aviação.
O cenário permanece condicionado à evolução das tensões no Oriente Médio. Qualquer avanço diplomático pode reduzir rapidamente o prêmio de risco incorporado ao petróleo. Uma nova escalada, entretanto, tende a sustentar a volatilidade das bolsas, pressionar a inflação mundial e manter os juros elevados por mais tempo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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