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Açúcar dispara no Brasil e no exterior com oferta restrita e previsão de déficit global

Preço do açúcar cristal acumula alta de 9,22% em agosto em São Paulo, enquanto contratos avançam nas bolsas de Nova York e Londres diante dos riscos climáticos para a safra 2026/27


Publicado em: 18/08/2026 às 11:40hs

Açúcar dispara no Brasil e no exterior com oferta restrita e previsão de déficit global

Os preços do açúcar ganharam força no mercado brasileiro e nas bolsas internacionais, impulsionados pela redução da oferta no Centro-Sul, pela postura mais firme das usinas e pelas expectativas de déficit global na temporada 2026/27.

No mercado físico paulista, o açúcar cristal branco mantém trajetória de valorização. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a menor disponibilidade imediata tem levado as unidades produtoras a elevar os valores pedidos, enquanto compradores demonstram cautela diante da rapidez do movimento de alta.

Ao mesmo tempo, preocupações com as condições climáticas em importantes países produtores sustentam os contratos futuros do açúcar bruto em Nova York e do açúcar branco em Londres.

Açúcar cristal se aproxima de R$ 100 por saca em São Paulo

O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco fechou a segunda-feira (17) a R$ 99,94 por saca de 50 quilos, avanço diário de 2,08%. No acumulado de agosto, a valorização chegou a 9,22%.

Convertido para a moeda norte-americana, o valor correspondeu a US$ 19,23 por saca.

De acordo com o Cepea, a alta é sustentada principalmente pela percepção de menor oferta de açúcar no Centro-Sul. Diante desse cenário, as usinas passaram a negociar com maior firmeza e reduziram a disposição para conceder descontos.

Do lado comprador, porém, o movimento é mais cauteloso. Parte dos agentes evita ampliar as aquisições após a rápida elevação das cotações, o que limita o volume de negócios no mercado à vista.

Açúcar bruto sobe mais de 1,5% em Nova York

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos do açúcar bruto encerraram o pregão de segunda-feira em alta generalizada.

O vencimento outubro de 2026 avançou 0,27 centavo de dólar, ou 1,6%, para 16,87 centavos de dólar por libra-peso. O contrato março de 2027 também ganhou 0,27 ponto, fechando a 17,89 centavos por libra-peso, valorização de aproximadamente 1,5%.

A posição maio de 2027 subiu 0,26 ponto, para 17,57 centavos por libra-peso. Os demais vencimentos registraram ganhos entre 0,18 e 0,23 ponto.

Com a recuperação, os futuros do açúcar bruto voltaram a se aproximar dos maiores patamares em mais de um ano. O avanço também refletiu o aumento das posições compradas por fundos e especuladores diante das preocupações com a disponibilidade global da commodity.

Açúcar branco avança com força na Bolsa de Londres

Na ICE Futures Europe, em Londres, a valorização foi ainda mais expressiva.

O contrato outubro de 2026 subiu US$ 11,80 e encerrou o pregão cotado a US$ 523,00 por tonelada. Dezembro de 2026 avançou US$ 9,60, para US$ 519,10 por tonelada.

Já o vencimento março de 2027 ganhou US$ 8,40 e fechou a US$ 519,60 por tonelada. Nas demais posições, os aumentos variaram entre US$ 5,10 e US$ 7,50.

O movimento simultâneo em Nova York e Londres reforça a percepção de que o mercado internacional começa a incorporar um balanço mais apertado entre produção e consumo.

El Niño aumenta riscos para a produção mundial

As preocupações climáticas estão no centro das movimentações recentes do mercado. A possível atuação do El Niño representa risco para lavouras de cana-de-açúcar e beterraba em diferentes regiões produtoras.

Condições adversas podem comprometer produtividade, qualidade da matéria-prima e ritmo de processamento, elevando a incerteza sobre a disponibilidade mundial de açúcar na safra 2026/27.

Esse cenário tem levado consultorias a revisar suas projeções. A Covrig Analytics passou de uma expectativa de superávit de 100 mil toneladas para um déficit de 300 mil toneladas.

A Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit de 1,76 milhão para 3,3 milhões de toneladas. A StoneX ampliou sua projeção de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas.

A Czarnikow também alterou significativamente seu balanço, abandonando a previsão de superávit de 1,4 milhão de toneladas para estimar déficit de 100 mil toneladas.

Apesar das diferenças entre os números, as revisões apontam na mesma direção: redução do excedente e possibilidade de falta de açúcar no mercado internacional.

Déficit global sustenta preços do açúcar

A perspectiva de déficit em 2026/27 tende a manter os preços do açúcar sustentados, sobretudo se os problemas climáticos forem confirmados nas principais regiões produtoras.

Para o Brasil, maior exportador mundial da commodity, a valorização externa pode ampliar a atratividade das vendas internacionais. Esse movimento também influencia as decisões das usinas sobre o destino da cana-de-açúcar entre a fabricação de açúcar e a produção de etanol.

No mercado doméstico, a combinação entre menor disponibilidade, firmeza das unidades produtoras e valorização nas bolsas internacionais abre espaço para novas altas. A resistência dos compradores, contudo, pode reduzir a liquidez e moderar a velocidade dos reajustes.

Etanol recua no dia, mas acumula alta superior a 10% no mês

Enquanto o açúcar avançou, o etanol hidratado apresentou leve ajuste negativo no mercado paulista.

O Indicador Diário de Paulínia fechou a segunda-feira a R$ 2.352,00 por metro cúbico, recuo de 0,13%. Mesmo com a baixa pontual, o biocombustível acumula valorização de 10,42% em agosto.

A alta mensal do etanol, combinada à valorização do açúcar, amplia a disputa pela matéria-prima e fortalece o poder de negociação das usinas. Nas próximas sessões, o mercado deverá acompanhar as condições climáticas, as revisões para a produção global e o comportamento dos fundos nas bolsas internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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