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Logística e Transporte

Tráfego marítimo no Golfo Pérsico despenca após ameaça dos houthis e amplia risco para comércio global e agronegócio

Redução no fluxo de navios pelos estreitos de Ormuz e Bab-el-Mandeb aumenta preocupação com o abastecimento mundial, fretes marítimos e custos das commodities.


Publicado em: 06/08/2026 às 11:38hs

Tráfego marítimo no Golfo Pérsico despenca após ameaça dos houthis e amplia risco para comércio global e agronegócio

O fluxo de embarcações pelos principais corredores marítimos do Oriente Médio registrou forte queda nesta quarta-feira, elevando as preocupações sobre os impactos da crise geopolítica no comércio internacional. Dados de monitoramento apontam redução significativa no tráfego pelos estreitos de Ormuz e Bab-el-Mandeb, considerados rotas estratégicas para o transporte global de petróleo, combustíveis e commodities agrícolas.

A retração ocorre após o grupo houthis, do Iêmen, anunciar ataques contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, aumentando o clima de insegurança na região e pressionando o mercado internacional de logística.

Estreito de Ormuz registra movimento mínimo

Segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Kpler, apenas duas embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz durante a quarta-feira. Entre elas estavam um navio cargueiro de bandeira panamenha transportando carvão e uma embarcação registrada nas Ilhas Marshall carregando commodities.

No dia anterior, oito navios haviam realizado a travessia. Antes da escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, cerca de 130 a 140 embarcações transitavam diariamente pelo estreito, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.

O cenário mudou drasticamente após o fechamento da passagem pelo Irã, provocando uma redução histórica no fluxo de cargas.

Bab-el-Mandeb também sofre forte retração

A movimentação no Estreito de Bab-el-Mandeb apresentou queda ainda mais acentuada. Apenas um graneleiro de carga seca, com bandeira das Bahamas, realizou a travessia nesta quarta-feira.

Na véspera, o número havia alcançado 20 embarcações, evidenciando a rápida deterioração das condições de navegação em outra rota fundamental para o comércio internacional entre Ásia, Europa e Oriente Médio.

Houthis reivindicam ataques contra petroleiros sauditas

Os houthis afirmaram ter lançado ataques com mísseis contra dois petroleiros sauditas: um próximo ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, e outro no Golfo de Áden.

Até o momento, as autoridades da Arábia Saudita não confirmaram oficialmente os incidentes.

O grupo rebelde, alinhado ao Irã, mantém desde o mês passado um bloqueio naval contra embarcações sauditas no Mar Vermelho. Os houthis alegam que a medida responde ao que classificam como um cerco imposto por Riad ao Iêmen, acusação rejeitada pelo governo saudita.

Agronegócio pode enfrentar alta nos custos logísticos

Embora os ataques estejam concentrados no Oriente Médio, seus efeitos ultrapassam a região e já despertam atenção dos mercados globais. A redução do tráfego marítimo em rotas estratégicas tende a pressionar os custos do transporte internacional, elevar os prêmios de seguro das embarcações e aumentar o tempo das operações logísticas.

Para o agronegócio, um cenário prolongado de instabilidade pode impactar diretamente os custos de importação de fertilizantes, combustíveis e insumos, além de afetar as exportações de grãos, carnes, açúcar, café e outras commodities que dependem do transporte marítimo.

Analistas também acompanham os reflexos sobre o mercado internacional de petróleo, uma vez que qualquer interrupção prolongada no Estreito de Ormuz pode elevar as cotações da commodity, aumentando os custos de produção e transporte em diversos setores da economia.

Com o agravamento das tensões no Oriente Médio, investidores e operadores logísticos permanecem atentos à evolução do conflito, que continua sendo um dos principais fatores de risco para o comércio global e para a formação dos preços das commodities agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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