Frete de grãos no Brasil pode cair até 40% com expansão de ferrovias e corredor bioceânico
Projetos de infraestrutura logística podem reduzir custos de transporte, acelerar exportações de soja e milho e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro, mas os ganhos dependem da execução das obras.
Publicado em: 20/10/2026 às 18:40hs
A expansão da malha ferroviária e a criação de novas rotas de integração entre o Brasil e os mercados internacionais podem transformar a logística do agronegócio brasileiro. Segundo análise de Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, os projetos em desenvolvimento têm potencial para reduzir o custo do frete de grãos em até 40%, melhorar o escoamento da produção e aumentar a competitividade das exportações nacionais.
Entre as principais iniciativas estão o Corredor Bioceânico de Capricórnio, a Ferrogrão, a ampliação da Ferronorte e a conexão entre as ferrovias FATO e FICO. A expectativa é ampliar as alternativas de transporte, diminuir a dependência das rodovias e aproximar as regiões produtoras dos principais corredores de exportação.
Corredor Bioceânico pode reduzir custos logísticos em até 40%
Uma das principais apostas para melhorar o transporte internacional de cargas é o Corredor Bioceânico de Capricórnio, uma rota multimodal com extensão estimada entre 2.300 e 2.400 quilômetros. O projeto prevê a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando áreas produtoras aos portos chilenos e criando uma alternativa de acesso aos mercados asiáticos.
De acordo com as projeções apresentadas na análise, a rota poderá reduzir os custos logísticos entre 30% e 40%. O tempo de trânsito também poderá diminuir, passando de aproximadamente 55 para 42 dias.
O Mato Grosso do Sul está entre os estados que podem se beneficiar da iniciativa. Mais de 65% das exportações sul-mato-grossenses têm como destino a Ásia, o que torna a abertura de novas rotas comerciais especialmente relevante para o estado.
A conexão com os portos do Pacífico poderá diversificar as opções de embarque e ampliar as possibilidades de acesso aos compradores internacionais, dependendo das condições operacionais e da efetiva implantação da infraestrutura prevista.
Ferrogrão pode fortalecer o escoamento de soja e milho
No transporte ferroviário, a Ferrogrão é um dos projetos estratégicos para reduzir os custos de movimentação da produção agrícola brasileira. A ferrovia foi planejada para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, a Miritituba, no Pará, em um traçado de 933 quilômetros.
A expectativa é que a estrutura possa reduzir o custo do frete em até 20% e alcançar capacidade de movimentação de 40 milhões de toneladas por ano até 2050, conforme as projeções citadas na análise.
A ferrovia poderá ampliar a integração entre as regiões produtoras do Centro-Oeste e os terminais de transbordo do Norte, fortalecendo os corredores logísticos utilizados no transporte de grãos destinados à exportação.
A redução da distância econômica entre as lavouras e os pontos de embarque é considerada fundamental para melhorar a competitividade da soja e do milho brasileiros no mercado internacional.
Expansão ferroviária pode ampliar acesso aos portos
Outros projetos também integram a estratégia de modernização da logística do agronegócio.
A expansão da Ferronorte pretende melhorar a conexão entre os polos produtores de Mato Grosso e o Porto de Santos, um dos principais pontos de saída das exportações brasileiras. A ampliação dessa integração poderá aumentar as alternativas para o transporte de grandes volumes de grãos.
Já a conexão FATO-FICO tem potencial para ampliar a integração ferroviária e facilitar o acesso à Ferrovia Norte-Sul. A articulação entre essas estruturas poderá fortalecer a ligação entre diferentes regiões produtoras e os corredores de exportação.
Com uma malha ferroviária mais integrada, o setor poderá contar com maior capacidade de transporte, melhor distribuição dos fluxos de carga e menor exposição às limitações do transporte exclusivamente rodoviário.
USDA aponta potencial de redução no custo do transporte de grãos
A análise também destaca estimativas atribuídas ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), segundo as quais o conjunto dos projetos ferroviários poderá proporcionar uma redução próxima de 40% nos custos de transporte de grãos.
Caso esse potencial se concretize, os benefícios poderão alcançar diferentes etapas da cadeia produtiva. O produtor rural poderá obter maior valor líquido pela comercialização da safra, enquanto exportadores e operadores logísticos poderão contar com alternativas mais eficientes para movimentar a produção.
O impacto tende a ser especialmente relevante para propriedades e regiões agrícolas distantes dos portos, onde o transporte representa uma parcela importante do custo total de comercialização.
A melhoria da infraestrutura também poderá contribuir para reduzir gargalos, ampliar a previsibilidade das entregas e aumentar a eficiência dos corredores utilizados nas exportações de commodities agrícolas.
Execução das obras é o principal desafio para reduzir o frete
Apesar das perspectivas positivas, os ganhos projetados ainda dependem da implementação dos empreendimentos. Questões relacionadas ao financiamento, ao licenciamento ambiental, aos prazos de execução e à coordenação entre governos continuam entre os desafios para a expansão da infraestrutura logística brasileira.
Além da construção das ferrovias e da implantação do corredor bioceânico, a eficiência dos projetos dependerá da integração entre os diferentes modais de transporte, da disponibilidade de terminais e da capacidade operacional das rotas.
Para a Cogo Inteligência em Agronegócio, o avanço dessas iniciativas será importante para melhorar a competitividade do setor. Em um mercado internacional no qual os custos de produção e de transporte influenciam diretamente as margens comerciais, a logística eficiente pode representar uma vantagem estratégica para o Brasil.
A concretização dos investimentos poderá ampliar o acesso aos mercados consumidores, reduzir despesas de escoamento e fortalecer a posição brasileira nas exportações de soja, milho e outros produtos agrícolas.
Até que as obras sejam concluídas e os corredores estejam plenamente operacionais, porém, as reduções de custos devem ser tratadas como projeções, e não como resultados já alcançados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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