StoneX projeta açúcar acima de 37,5 milhões de toneladas no Centro-Sul, mas alerta para queda do ATR
Consultoria vê potencial para produção de até 38 milhões de toneladas na safra 2026/27, mas chuvas e menor recuperação de sacarose podem limitar o resultado; moagem acima de 620 milhões de toneladas ainda é considerada provável.
Publicado em: 20/10/2026 às 19:20hs
A produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 poderá superar 37,5 milhões de toneladas e chegar a 38 milhões de toneladas, segundo avaliação da StoneX. Apesar do potencial de oferta, a consultoria alerta que a queda do Açúcar Total Recuperável (ATR) e o avanço das chuvas nos próximos meses representam os principais desafios para o fechamento da temporada.
Para Marcelo Di Bonifácio Filho, representante da StoneX, ainda há espaço para uma moagem superior a 620 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. O resultado final, porém, dependerá principalmente da capacidade de recuperação da sacarose na matéria-prima e das condições climáticas entre outubro e dezembro.
O analista considera prematuro trabalhar com cenários mais pessimistas, como uma produção de apenas 36 milhões de toneladas de açúcar ou uma moagem próxima de 610 milhões de toneladas de cana.
“Diante das previsões de chuva para outubro e da potencial revisão na recuperação de sacarose, eu, particularmente, não descartaria uma produção de 37,5 milhões de toneladas”, afirma Di Bonifácio Filho.
Moagem de cana fica abaixo das expectativas da StoneX
Os dados divulgados pelo Ministério da Agricultura na quinta-feira (15), referentes à segunda quinzena de setembro, mostraram que as usinas do Centro-Sul processaram 38,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no período.
O volume ficou 1,2 milhão de toneladas abaixo do registrado na mesma quinzena de 2025 e também foi inferior à projeção da StoneX, que esperava uma moagem próxima de 42 milhões de toneladas.
No acumulado da safra 2026/27 até o fim de setembro, o processamento alcançou 482 milhões de toneladas, recuo de 1,6% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior.
Outro indicador que preocupa o setor é o ATR acumulado, que chegou a 134 quilos por tonelada de cana. O resultado representa uma redução de três quilos por tonelada na comparação com a safra 2025/26.
O ATR mede a quantidade de açúcares recuperáveis presentes na cana e influencia diretamente o potencial de fabricação de açúcar e etanol. Por isso, mesmo uma moagem elevada pode resultar em menor produção de açúcar quando a qualidade da matéria-prima fica abaixo do esperado.
Mix açucareiro avança, mas segue abaixo do ciclo anterior
Na segunda quinzena de setembro, o mix açucareiro do Centro-Sul avançou para 53,1%, alta de 3,8 pontos percentuais em relação à quinzena anterior.
O movimento foi favorecido pelo tempo mais seco e pelas cotações do açúcar, que incentivam as usinas a direcionar uma parcela maior da cana para a produção do adoçante, em vez de destiná-la à fabricação de etanol.
Apesar da melhora recente, o mix acumulado da temporada está em 47%, resultado 5,2 pontos percentuais inferior ao observado no ciclo anterior.
A StoneX trabalha agora com a possibilidade de o indicador encerrar a safra entre 46,5% e 46,8%, acima da estimativa anterior de 46,1%. Esse avanço poderá compensar parcialmente os efeitos negativos da redução do ATR sobre a produção de açúcar.
Chuvas podem comprometer a moagem no último trimestre de 2026
Para alcançar a projeção de 635 milhões de toneladas de cana processadas na safra 2026/27, a StoneX estima que será necessário moer pelo menos 125 milhões de toneladas entre outubro e dezembro.
O desafio é que as previsões de maior volume de chuvas podem dificultar as operações de colheita e transporte da cana, reduzindo o ritmo de processamento das usinas.
Em um cenário hipotético de precipitações acima da média, a consultoria calcula que o setor poderia perder cerca de 45 dias de colheita no último trimestre do ano. O número supera a média de 31 dias de interrupções estimada para o período nos últimos dez anos.
Mesmo diante desse risco climático, Di Bonifácio Filho considera possível atingir volumes expressivos de moagem. Na avaliação do analista, o resultado mais provável permanece acima de 620 milhões de toneladas, com possibilidade de alcançar 630 milhões de toneladas.
O fechamento da temporada também dependerá da antecipação do início da safra 2027/28 e da decisão das usinas sobre a continuidade do processamento nos primeiros meses do próximo ano.
ATR será o principal fator para atingir 38 milhões de toneladas de açúcar
A recuperação da sacarose é apontada pela StoneX como o principal fator de risco para a produção de açúcar do Centro-Sul em 2026/27.
Em setembro, a consultoria projetava um ATR médio de 136 quilos por tonelada de cana para a temporada. Agora, a expectativa está mais próxima de 134 quilos por tonelada, com possibilidade de o indicador terminar o ciclo abaixo desse patamar.
Para alcançar a produção de 38 milhões de toneladas de açúcar, as usinas precisarão fabricar 9,1 milhões de toneladas entre outubro e março.
O volume representa um desafio relevante, pois supera a média de 7 milhões de toneladas registrada nesse intervalo nas últimas 15 safras. Por outro lado, permanece abaixo do recorde de 10,1 milhões de toneladas alcançado na temporada 2012/13.
Embora o avanço do mix açucareiro possa contribuir para elevar a produção, a recuperação da qualidade da matéria-prima será determinante para atingir a meta.
“Embora possível, esse resultado esbarra muito mais no ATR do que na moagem ou no mix, na minha opinião”, avalia o representante da StoneX.
Mercado internacional reage às incertezas sobre a oferta brasileira
As dúvidas sobre o volume de açúcar que será produzido no Brasil também influenciam o comportamento das cotações internacionais.
Na semana anterior, os contratos de açúcar com vencimento em março de 2027, negociados em Nova York, superaram 21 centavos de dólar por libra-peso. Na sexta-feira (16), porém, os preços recuaram e chegaram a 20,50 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo Di Bonifácio Filho, o mercado continua incorporando a possibilidade de uma oferta mais restrita no médio prazo. O posicionamento dos fundos especulativos também contribui para sustentar as cotações, embora aumente o risco de correções caso os fundamentos de oferta e demanda mudem.
Os próximos dados de moagem serão importantes para determinar se os preços já refletem uma redução excessiva da produção brasileira ou se as preocupações com a disponibilidade de açúcar continuarão dando suporte ao mercado.
Dados de outubro e novembro serão decisivos para o mercado
O desempenho das usinas nos próximos meses deverá esclarecer melhor o potencial de produção do Centro-Sul na safra 2026/27.
Uma recuperação da moagem, acompanhada de melhora no ATR, poderá reforçar as perspectivas de produção acima de 37,5 milhões de toneladas. Por outro lado, chuvas persistentes e menor concentração de açúcares na cana poderão limitar o resultado, mesmo que o mix açucareiro permaneça elevado.
Para a StoneX, o cenário ainda permite uma produção próxima de 38 milhões de toneladas, mas o cumprimento dessa projeção dependerá menos da capacidade de processamento das usinas e mais da recuperação da sacarose na matéria-prima.
A divulgação dos números de moagem de outubro e novembro deverá ajudar a definir se a preocupação com a oferta brasileira continuará sustentando os preços internacionais do açúcar ou se haverá espaço para uma correção das cotações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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