Logística e Transporte

Conflito no Oriente Médio derruba exportações brasileiras ao Golfo em março, mas trimestre mantém crescimento

Impacto no Estreito de Ormuz reduz embarques no mês, enquanto agro sustenta resultado positivo no acumulado de 2026


Publicado em: 13/04/2026 às 11:50hs

Conflito no Oriente Médio derruba exportações brasileiras ao Golfo em março, mas trimestre mantém crescimento
Foto: Estreito Ormuz

O agravamento do conflito no Oriente Médio, iniciado no fim de fevereiro, já começa a impactar o comércio exterior brasileiro, especialmente nas exportações destinadas aos países do Golfo, importantes parceiros do agronegócio e do setor mineral.

Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira mostram que, apesar da forte queda registrada em março, o desempenho no primeiro trimestre de 2026 ainda permanece positivo, sustentado pelos bons resultados de janeiro e fevereiro.

Exportações para o Golfo caem mais de 30% em março

As exportações brasileiras para os países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã — somaram US$ 537,11 milhões em março, o que representa uma queda de 31,47% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O recuo interrompe uma sequência de crescimento observada no início do ano e reflete os efeitos diretos da instabilidade geopolítica na região.

Trimestre segue positivo e supera US$ 2,4 bilhões

Apesar do desempenho negativo em março, o acumulado do primeiro trimestre apresenta crescimento. Entre janeiro e março, as exportações brasileiras para o CCG avançaram 8,14%, totalizando US$ 2,41 bilhões.

Considerando todos os 22 países acompanhados pela Câmara Árabe — incluindo nações do Levante e do continente africano —, o crescimento foi de 3,90%, com embarques que somaram US$ 5,13 bilhões no período.

Fechamento do Estreito de Ormuz impacta logística e embarques

Segundo a entidade, o fechamento do Estreito de Ormuz teve papel decisivo na queda das exportações em março. A restrição ao tráfego marítimo comprometeu o acesso a portos estratégicos da região, afetando diretamente o fluxo de mercadorias.

De acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, o impacto ainda não compromete o resultado consolidado, mas pode se intensificar dependendo da evolução do conflito.

Ele destaca que os países do Golfo concentram 47% das exportações brasileiras para o bloco árabe e vinham registrando desempenho positivo no início do ano.

Agronegócio recua no mês, mas sustenta crescimento no trimestre

O agronegócio, responsável por cerca de 75% das exportações brasileiras ao CCG, também sentiu os efeitos do conflito em março. As vendas do setor recuaram 25,38% no mês.

Ainda assim, no acumulado do trimestre, o segmento registra crescimento de 6,8%, totalizando US$ 1,44 bilhão, impulsionado por ganhos em produtos estratégicos.

Desempenho por produto mostra oscilações relevantes

Entre os principais produtos exportados, o frango — líder da pauta — teve queda de 13,80% em março, somando US$ 185,50 milhões. No entanto, no acumulado do trimestre, a retração é mais moderada, de 2,32%, com US$ 619,12 milhões exportados.

O açúcar, segundo item mais relevante, apresentou queda expressiva de 43,37% no mês, para US$ 54,07 milhões. Ainda assim, no acumulado do ano, registra alta de 26,41%, atingindo US$ 363,11 milhões.

A carne bovina apresentou desempenho positivo mesmo no período mais crítico, com crescimento de 23,87% em março, somando US$ 47,75 milhões. No trimestre, o avanço é ainda mais expressivo, de 65,29%, totalizando US$ 194,56 milhões.

O milho praticamente deixou de ser embarcado para o Golfo em março, com queda de 99,96%, totalizando apenas US$ 0,03 milhão. No entanto, no acumulado do trimestre, a retração ainda é limitada a 5,8%, com US$ 61,22 milhões.

Já o café apresentou desempenho positivo, com crescimento de 34,24% em março, alcançando US$ 9,97 milhões. No trimestre, a alta chega a 64,3%, com US$ 49,58 milhões exportados.

Queda nas importações de fertilizantes acende alerta no agro

Outro reflexo do cenário de instabilidade é a redução nas importações brasileiras de fertilizantes provenientes dos países do Golfo. No primeiro trimestre, houve queda de 51,35% nesse fluxo.

A região é responsável por cerca de 10% dos fertilizantes importados pelo agronegócio brasileiro, o que torna o tema um ponto de atenção tanto para o Brasil quanto para os países árabes.

Segundo Mourad, a situação preocupa devido à interdependência comercial entre as regiões, já que os países árabes dependem do fornecimento de alimentos brasileiros, enquanto o Brasil necessita de insumos para manter sua produção agrícola.

Perspectivas dependem da evolução do conflito

O cenário para os próximos meses permanece incerto e diretamente ligado à evolução do conflito no Oriente Médio. Embora o impacto ainda não tenha comprometido os resultados do trimestre, há risco de intensificação das perdas caso as restrições logísticas e comerciais persistam.

Diante desse contexto, especialistas apontam a necessidade de monitoramento constante e de estratégias para mitigar os efeitos sobre o comércio exterior e o agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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