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Logística e Transporte

Acordo UE-Mercosul impulsiona exportações brasileiras, que crescem 11% até julho

Vendas do Brasil à União Europeia alcançam US$ 31,59 bilhões, enquanto redução de tarifas amplia negócios; restrições a produtos de origem animal preocupam o agronegócio


Publicado em: 20/08/2026 às 09:30hs

Acordo UE-Mercosul impulsiona exportações brasileiras, que crescem 11% até julho

O comércio entre Brasil e União Europeia ganhou força nos primeiros meses de vigência provisória do acordo firmado com o Mercosul. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras ao bloco europeu cresceram 11%, alcançando US$ 31,59 bilhões.

No mesmo período, as importações provenientes da União Europeia avançaram apenas 0,7%, totalizando US$ 29,28 bilhões. Com isso, o Brasil acumulou superávit de aproximadamente US$ 2,31 bilhões nas relações comerciais com o bloco.

O desempenho indica uma mudança em relação a 2025, quando as vendas brasileiras à União Europeia somaram US$ 49,81 bilhões, enquanto as compras alcançaram US$ 50,29 bilhões, resultando em déficit para o país.

Tarifa zero acelera exportações brasileiras

A redução das barreiras tarifárias aparece como um dos principais fatores para a expansão das vendas brasileiras. Segundo o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, cerca de 5 mil produtos beneficiados com tarifa zero registraram crescimento de 47% nas exportações.

Os produtos que não tiveram alteração tarifária também apresentaram desempenho positivo, com alta de 10%. Na avaliação da ApexBrasil, os números sinalizam uma melhora mais ampla do ambiente de negócios entre o Brasil e os países europeus.

Além de favorecer os embarques, o acordo UE-Mercosul tende a aumentar a previsibilidade das operações, estimular novos contratos e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado europeu.

Exportações para a União Europeia avançam 17,2% após acordo

Entre maio e julho, período posterior à entrada em vigor provisória do acordo, as exportações brasileiras para a União Europeia totalizaram US$ 14,691 bilhões. O valor representa crescimento de 17,2% em relação aos mesmos três meses de 2025.

Alguns produtos apresentaram avanços expressivos:

  • Óleo de milho em bruto: alta de 859%;
  • Mel natural: crescimento de 270%;
  • Óleo essencial de laranja: avanço de 88%;
  • Partes de turborreatores: aumento de 91%;
  • Aviões com peso superior a 15 toneladas: crescimento de 31%;
  • Partes de motores a diesel: alta de 10%.

Entre os produtos submetidos ao sistema de cotas, o mel natural foi um dos principais destaques, demonstrando o potencial de expansão dos alimentos brasileiros no mercado europeu quando há maior abertura comercial.

Brasil registra superávit de US$ 958 milhões entre maio e julho

As importações brasileiras de produtos europeus somaram US$ 13,733 bilhões entre maio e julho, crescimento de 4,5% na comparação anual.

Como as exportações avançaram em ritmo superior, o Brasil obteve saldo comercial positivo de aproximadamente US$ 958 milhões no período. O resultado reforça a expectativa de que o acordo possa ampliar a participação dos produtos brasileiros na União Europeia.

A ApexBrasil também identifica oportunidades para a atração de investimentos estrangeiros, especialmente em setores como energia, hidrogênio e fontes renováveis. Esses segmentos podem receber novos projetos diante do aprofundamento das relações econômicas entre os dois blocos.

Restrições atingem produtos de origem animal do Brasil

Apesar dos resultados positivos no comércio bilateral, o agronegócio brasileiro enfrenta um novo obstáculo. A União Europeia confirmou a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal.

A medida está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro e alcança mercadorias como:

  • Carnes;
  • Ovos;
  • Pescados provenientes da aquicultura;
  • Mel;
  • Equídeos destinados ao consumo humano.

A restrição contrasta com o avanço proporcionado pela redução de tarifas e pode limitar o aproveitamento do acordo por importantes cadeias produtivas do agronegócio.

Agronegócio busca ampliar acesso ao mercado europeu

Os números dos primeiros meses mostram que o acordo UE-Mercosul já contribui para elevar as exportações brasileiras e melhorar o saldo comercial com a União Europeia. Entretanto, a consolidação desses ganhos dependerá da solução de barreiras sanitárias e regulatórias que continuam afetando produtos agropecuários.

Para o Brasil, o desafio será transformar a abertura tarifária em acesso efetivo ao mercado europeu. Isso exigirá negociações para a retomada dos embarques de produtos de origem animal, além da adequação das empresas às exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade estabelecidas pelo bloco.

Fonte: Portal do Agronegócio

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