Gestão

Queda na devolução de embalagens de defensivos em MG acende alerta para recolhimentos ilegais

Prática irregular compromete meio ambiente, descumpre a legislação e preocupa entidades do Sistema Campo Limpo


Publicado em: 19/03/2026 às 08:30hs

Queda na devolução de embalagens de defensivos em MG acende alerta para recolhimentos ilegais
Foto: inpEV
Minas Gerais registra queda na devolução correta de embalagens agrícolas

O estado de Minas Gerais apresentou redução no volume de devolução adequada de embalagens vazias de defensivos agrícolas. Em 2025, foram destinadas corretamente 4.246 toneladas, o equivalente a 6% do total nacional, que somou 75.996 toneladas.

No ano anterior, o volume havia sido maior, com 4.403 toneladas devolvidas. A queda acende um sinal de alerta para o avanço de práticas irregulares no campo.

Recolhimentos ilegais ganham espaço e preocupam setor

Um dos principais fatores associados à redução é o aumento dos chamados “recolhimentos ilegais”. A prática consiste na coleta de embalagens diretamente nas propriedades rurais, sem vínculo com o sistema oficial.

Em alguns casos, produtores são enganados por pessoas que se apresentam como representantes autorizados. Em outros, a entrega ocorre de forma consciente, mas fora das normas. Em ambos os cenários, há descumprimento da legislação e riscos ambientais.

Legislação exige devolução em unidades credenciadas

De acordo com a Lei Federal nº 14.785/2023, é responsabilidade do produtor rural realizar a tríplice lavagem das embalagens, inutilizá-las e devolvê-las no prazo de até 12 meses após a compra.

A devolução deve ocorrer exclusivamente em unidades credenciadas do Sistema Campo Limpo ou em ações itinerantes autorizadas.

O descarte em lixo comum, a queima, o abandono no campo ou a venda a terceiros são práticas ilegais, que podem gerar danos ambientais e responsabilização judicial.

Falta de rastreabilidade compromete segurança ambiental

Segundo Jair Furlan, do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, o problema vai além do descumprimento legal.

De acordo com o especialista, quando a embalagem não passa por uma unidade credenciada, todo o processo de rastreabilidade e destinação ambiental adequada é comprometido, colocando em risco o solo, a água e a saúde das comunidades rurais.

Estado conta com ampla estrutura para devolução correta

Minas Gerais possui uma rede estruturada para garantir a destinação adequada das embalagens. Atualmente, o estado conta com sete centrais de recebimento, mais de 60 postos fixos e cerca de 200 pontos itinerantes ao longo do ano.

Além disso, mais de 30 associações de revendas atuam em parceria para viabilizar a logística reversa em diversas regiões.

Nova unidade deve ampliar atendimento em Governador Valadares

Para fortalecer a rede de recebimento, o município de Governador Valadares deverá receber uma nova unidade, ampliando a capacidade de atendimento na região.

A iniciativa busca facilitar o acesso dos produtores ao sistema oficial e reduzir práticas irregulares.

Brasil se destaca em logística reversa no agronegócio

No cenário nacional, o Brasil conta com um sistema consolidado e baseado na responsabilidade compartilhada entre produtores, indústria, canais de distribuição e poder público.

Em 2025, o país superou a marca de 900 mil toneladas de embalagens destinadas corretamente, consolidando o Sistema Campo Limpo como uma das principais iniciativas ambientais do agronegócio mundial.

Agendamento online facilita devolução para produtores

Para tornar o processo mais ágil, produtores rurais podem realizar o agendamento da devolução de embalagens de forma digital, por meio do site oficial do Sistema Campo Limpo.

A ferramenta permite escolher o local e o horário mais adequados, contribuindo para o cumprimento da legislação e para a destinação ambiental correta.

Destinação correta é responsabilidade legal e ambiental

A devolução adequada das embalagens de defensivos agrícolas é uma obrigação legal e uma medida essencial para a preservação ambiental.

O cumprimento das normas garante segurança ao campo, protege os recursos naturais e contribui para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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