Planejamento nutricional na seca evita perdas no rebanho e aumenta a rentabilidade da pecuária
Especialista alerta que suplementação equilibrada durante a entressafra pode manter ganhos de até 800 gramas por dia, preservar a saúde dos bovinos e reduzir os impactos da queda na qualidade das pastagens.
Publicado em: 10/08/2026 às 08:30hs
A entressafra é um dos períodos mais desafiadores para a pecuária de corte e de leite no Brasil. Com a redução da disponibilidade e da qualidade das pastagens durante a seca, os bovinos passam a consumir menos nutrientes essenciais, comprometendo o ganho de peso, a eficiência alimentar e a rentabilidade das propriedades.
Nesse cenário, o planejamento nutricional deixa de ser apenas uma ferramenta de manejo para se tornar um dos principais fatores de sucesso da atividade pecuária. A adoção antecipada de estratégias de suplementação permite minimizar os efeitos da escassez de forragem, manter o desempenho dos animais e reduzir os prejuízos econômicos ao produtor.
Seca reduz qualidade das pastagens e compromete o desempenho do rebanho
Durante a estiagem, as pastagens apresentam queda significativa nos níveis de proteína, energia e minerais, diminuindo o valor nutritivo da forragem disponível.
Sem uma estratégia adequada de suplementação, o desempenho dos bovinos pode ser fortemente afetado. Estudos e avaliações técnicas indicam que o ganho de peso pode cair entre 50% e 70% ao longo da seca, além de ocorrer:
- redução da conversão alimentar;
- perda da condição corporal;
- queda da imunidade;
- piora dos índices reprodutivos;
- aumento dos custos de produção;
- maior tempo para atingir o peso de abate.
Por outro lado, quando o manejo nutricional é planejado corretamente, é possível manter ganhos médios entre 600 e 800 gramas por animal por dia, mesmo em períodos de baixa oferta de pastagem.
Suplementação estratégica mantém produtividade durante a entressafra
Segundo Mariana Lisboa, gerente nacional de Nutrição da Supremax, a suplementação adequada permite compensar a deficiência nutricional provocada pela seca.
De acordo com a especialista, a estratégia deve combinar diferentes fontes de nutrientes, utilizando suplementos proteicos, rações e volumosos para complementar a alimentação dos animais.
Entre as principais alternativas estão:
- suplementos proteinados;
- rações balanceadas;
- silagem de milho;
- silagem de sorgo;
- feno;
- outros alimentos volumosos.
Essa combinação reduz a dependência exclusiva do pasto, melhora o consumo de matéria seca e mantém o desempenho produtivo mesmo em condições adversas.
Equilíbrio entre proteína, energia e minerais é fundamental
A especialista ressalta que um dos erros mais comuns na suplementação é priorizar apenas um nutriente.
Para que os bovinos expressem todo o seu potencial produtivo, proteína, energia e minerais devem atuar de forma integrada.
Cada componente exerce uma função específica no metabolismo animal:
- Proteína: estimula a atividade dos microrganismos do rúmen e melhora o aproveitamento da fibra presente no pasto;
- Energia: fornece suporte para manutenção corporal e ganho de peso;
- Minerais: participam de processos ligados à imunidade, metabolismo, reprodução e formação óssea.
Quando esse equilíbrio é alcançado, os animais conseguem aproveitar melhor os nutrientes disponíveis na forragem, aumentando a eficiência alimentar e reduzindo perdas produtivas.
Planejamento antecipado reduz custos e melhora resultados
Outro fator considerado decisivo é iniciar o planejamento antes da chegada da seca.
A avaliação da disponibilidade de pastagem, o diferimento de áreas, a definição do programa de suplementação e a compra antecipada dos insumos permitem ao produtor reduzir custos e evitar problemas durante o período crítico.
Além disso, um planejamento eficiente proporciona maior previsibilidade da produção e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis na propriedade.
Cada categoria animal exige uma estratégia nutricional específica
A definição da suplementação deve considerar o sistema de produção, a categoria dos animais, os objetivos da propriedade e a disponibilidade de forragem.
Animais em diferentes fases apresentam exigências nutricionais distintas.
Enquanto matrizes necessitam de nutrientes que favoreçam a manutenção da condição corporal, a produção de leite e a eficiência reprodutiva, animais em recria e terminação demandam dietas voltadas para maximizar o ganho de peso e acelerar a produção.
Também é importante considerar que, quanto menor a quantidade e a qualidade do pasto disponível, maior tende a ser a necessidade de suplementação.
Nutrição adequada melhora desempenho e aumenta a rentabilidade
Além de preservar o ganho de peso durante a seca, um programa nutricional bem estruturado gera reflexos positivos em todo o sistema produtivo.
Entre os principais benefícios estão:
- maior eficiência alimentar;
- melhor aproveitamento da forragem;
- aumento da imunidade;
- melhores índices reprodutivos;
- redução de tratamentos sanitários;
- melhoria da qualidade das carcaças;
- maior rentabilidade da atividade pecuária.
Segundo Mariana Lisboa, cada propriedade possui características próprias e, por isso, a suplementação deve ser personalizada.
Com produtos balanceados, assistência técnica e planejamento antecipado, o pecuarista consegue reduzir os impactos da entressafra, manter a produtividade do rebanho e fortalecer a sustentabilidade econômica da atividade, mesmo diante das limitações impostas pela seca.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias