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Gestão

Inadimplência rural chega a 8,8% e reforça necessidade de planejamento antes de novo crédito

Levantamento da Serasa Experian aponta alta de 1,2 ponto percentual; análise de dívidas, vencimentos e geração de receita ajuda a identificar o espaço para novas operações


Publicado em: 06/10/2026 às 15:00hs

Inadimplência rural chega a 8,8% e reforça necessidade de planejamento antes de novo crédito

A inadimplência da população rural atingiu 8,8% no primeiro trimestre de 2026, aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Serasa Experian. O indicador considera dívidas de pessoas físicas da população rural vencidas há mais de 180 dias e contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio.

O avanço reforça a importância de avaliar a situação financeira da propriedade antes de contratar novos recursos. Para produtores que já acumulam compromissos, reunir informações sobre contratos, custos e vencimentos permite verificar quanto da receita futura está comprometida e se há capacidade para assumir outra obrigação.

Segundo Victor Cardoso, head comercial da Agree, fintech especializada em soluções para crédito rural, decisões voltadas apenas a uma necessidade imediata podem deixar de considerar o efeito conjunto das operações existentes sobre o caixa.

Diagnóstico financeiro deve reunir dívidas, custos e garantias

A análise começa pela consolidação dos compromissos da propriedade. Além do saldo devedor, devem ser considerados os prazos, os custos, as garantias vinculadas e o calendário de pagamentos de cada contrato.

Esse levantamento permite identificar situações em que financiamentos aparentemente adequados, quando avaliados isoladamente, passam a pressionar o negócio pela combinação de suas obrigações.

Entre os pontos destacados por Cardoso estão a concentração de vencimentos em determinados períodos, prazos incompatíveis com o retorno esperado da atividade e garantias já comprometidas que podem restringir novas negociações.

Na avaliação do executivo, o valor total da dívida precisa ser analisado em relação à capacidade de geração de receita da propriedade. É essa relação que permite dimensionar o peso dos compromissos e orientar os próximos passos.

Reorganização das dívidas pode anteceder contratação de crédito

Com o diagnóstico em mãos, o produtor pode avaliar a necessidade de reorganizar as operações existentes antes de buscar financiamento adicional.

Dependendo da situação, essa revisão pode envolver redistribuição de vencimentos, adequação de prazos, análise dos custos ou reorganização das garantias.

Cardoso alerta que uma nova operação pode atender à demanda imediata sem resolver o desequilíbrio financeiro. Quando os pagamentos não acompanham a entrada de receitas, o crédito adicional pode ampliar a pressão nos ciclos seguintes.

O financiamento, portanto, deve integrar uma estrutura compatível com as condições da propriedade e com o retorno esperado da aplicação dos recursos.

Vencimentos precisam acompanhar o ciclo produtivo

No agronegócio, a capacidade de pagamento está ligada ao calendário da produção e da comercialização. Clima, preços, câmbio e produtividade podem alterar a receita prevista ao longo do ano.

Por isso, segundo o executivo, o cronograma de vencimentos deve considerar os períodos de entrada de recursos e manter margem para eventuais oscilações.

Essa organização ajuda a evitar que parcelas se concentrem em momentos de menor disponibilidade de caixa, aumentando a previsibilidade financeira do negócio.

Instrumentos financeiros devem atender à estratégia da propriedade

Após avaliar e, quando necessário, reorganizar os compromissos, o produtor pode analisar os instrumentos disponíveis conforme a finalidade pretendida.

O crédito pode atender às necessidades de custeio e investimento. O consórcio pode fazer parte do planejamento de aquisições futuras, enquanto o seguro contribui para a proteção diante de determinados riscos.

Para Cardoso, a escolha deve partir das necessidades e da capacidade financeira de cada negócio. O objetivo é construir uma estrutura que permita atravessar períodos de dificuldade e aproveitar oportunidades sem comprometer o equilíbrio do caixa.

Fonte: Portal do Agronegócio

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