Publicado em: 01/06/2026 às 11:22hs
A inadimplência no agronegócio brasileiro encerrou 2025 em trajetória de alta, atingindo 8,2% da população rural no quarto trimestre do ano. Os dados inéditos foram divulgados pela Serasa Experian e revelam que, apesar de uma desaceleração no ritmo de crescimento ao longo dos últimos meses, produtores rurais seguem enfrentando desafios relacionados à rentabilidade, ao crédito e à volatilidade dos mercados.
Na comparação com o mesmo período de 2024, o índice avançou 1 ponto percentual. Já em relação ao trimestre anterior, o aumento foi mais moderado, de 0,2 ponto percentual, sinalizando uma possível estabilização do indicador.
O levantamento considera dívidas de pessoas físicas ligadas ao meio rural, vencidas há mais de 180 dias, contraídas junto a empresas e instituições relacionadas à cadeia do agronegócio.
De acordo com a análise da Serasa Experian, o aumento da inadimplência reflete um ambiente econômico ainda desafiador para o setor agropecuário.
Entre os fatores que mais impactam a capacidade financeira dos produtores estão os custos de produção elevados, oscilações nos preços das commodities, dificuldades climáticas em diversas regiões e um ambiente de crédito mais criterioso.
Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, embora alguns segmentos apresentem sinais de estabilização, a pressão sobre o fluxo de caixa dos produtores continua significativa.
Nesse contexto, ferramentas de análise preditiva e inteligência artificial passam a desempenhar papel estratégico na avaliação de riscos e na concessão de crédito ao setor.
A análise por perfil de produtor mostra que os maiores índices de inadimplência estão concentrados entre produtores sem informação de registro rural, grupo que pode incluir arrendatários e participantes de estruturas familiares ou econômicas, com taxa de 9,9%.
Na sequência aparecem os grandes proprietários rurais, com índice de 9,8%.
Os produtores médios registraram inadimplência de 8,3%, enquanto os pequenos produtores apresentaram o menor percentual, de 7,8%.
Os dados indicam que, independentemente do porte da propriedade, os desafios financeiros seguem presentes em toda a cadeia produtiva.
O levantamento aponta que a maior parcela da inadimplência rural está concentrada nas operações de crédito junto às instituições financeiras.
No quarto trimestre de 2025, as dívidas com bancos e instituições de crédito responderam por 7,2% da inadimplência total observada no campo.
Já os débitos diretamente relacionados a fornecedores e empresas do agronegócio representaram 0,3%, enquanto outros segmentos ligados à atividade rural, como transporte, armazenagem e seguros, responderam por 0,2%.
Apesar da menor incidência, os débitos ligados diretamente ao agronegócio apresentam valores médios mais elevados.
Enquanto a dívida média dos produtores inadimplentes junto às instituições financeiras foi de R$ 115,5 mil, os débitos vinculados ao setor agro atingiram média de R$ 138,2 mil. Nos demais segmentos relacionados à atividade rural, o valor médio foi de R$ 32,6 mil.
O cenário evidencia que poucas operações inadimplentes podem representar volumes financeiros expressivos, ampliando os riscos para credores e agentes da cadeia.
O levantamento regional mostra diferenças significativas entre as regiões brasileiras.
A Região Sul registrou o menor índice de inadimplência do país, com taxa de 5,7%, seguida pelo Sudeste, com 7,0%.
Na sequência aparecem Centro-Oeste, com 9,6%, Nordeste, com 9,4%, e Norte, que apresentou o maior percentual nacional, atingindo 12,5%.
Entre os estados, o Rio Grande do Sul liderou o ranking de melhor desempenho, com inadimplência de apenas 5,3%, seguido por Paraná e Santa Catarina.
Na outra ponta, o Amapá apresentou o maior índice do país, alcançando 19,9%.
Segundo a análise da Serasa Experian, o desempenho gaúcho pode estar relacionado à forte presença de cooperativas agropecuárias, ao uso mais disseminado de seguros rurais e às linhas de crédito destinadas à renegociação de dívidas, fatores que ajudam a reduzir a pressão financeira sobre os produtores.
Outro dado relevante do estudo está relacionado ao Agro Score, ferramenta desenvolvida pela Serasa Experian para avaliação de risco no setor agropecuário.
O indicador registrou queda na pontuação média dos produtores rurais, passando de 616 pontos no quarto trimestre de 2024 para 600 pontos no mesmo período de 2025.
A redução foi observada em todas as categorias de produtores e reforça a percepção de um ambiente financeiro mais cauteloso no campo.
Baseado em técnicas de machine learning e inteligência artificial, o Agro Score incorpora informações específicas da atividade agropecuária para oferecer avaliações mais precisas sobre o perfil financeiro dos produtores.
A tecnologia permite ampliar a capacidade de análise de risco, melhorar a concessão de crédito e contribuir para decisões mais seguras ao longo de toda a cadeia do agronegócio.

Além dos indicadores de inadimplência, a nova edição do Boletim Agro da Serasa Experian reúne análises detalhadas sobre crédito rural, recuperação judicial, comportamento financeiro dos produtores e tendências para o agronegócio brasileiro.
O material traz informações segmentadas por região, estado e perfil de produtor, oferecendo uma visão abrangente sobre a saúde financeira do setor e os principais desafios para os próximos anos.
Com a crescente importância da gestão de riscos e da análise de dados no campo, ferramentas de inteligência financeira ganham protagonismo em um cenário marcado por volatilidade de preços, desafios climáticos e maior seletividade na concessão de crédito.
Fonte: Portal do Agronegócio
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