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Gestão

Gestão de custos prepara pecuarista para aproveitar alta da arroba mesmo com mercado volátil

Produção de arrobas a pasto, planejamento financeiro, ganho de escala e uso estratégico do confinamento ajudam a proteger margens e identificar oportunidades na pecuária


Publicado em: 08/09/2026 às 13:30hs

Gestão de custos prepara pecuarista para aproveitar alta da arroba mesmo com mercado volátil

A volatilidade dos preços continuará impondo desafios à pecuária, mas seus impactos podem ser reduzidos quando o produtor conhece os custos da propriedade e planeja diferentes cenários. Em um mercado sujeito a mudanças na cotação da arroba, no valor dos animais de reposição e nas despesas com alimentação, antecipar decisões pode ser determinante para preservar as margens e aproveitar períodos de valorização do boi gordo.

Nesse ambiente, indicadores produtivos isolados não são suficientes para garantir rentabilidade. O desempenho econômico depende da combinação entre custo da arroba produzida, escala, planejamento financeiro, eficiência operacional e aplicação adequada de tecnologias.

Custo da arroba orienta decisões na fazenda

Segundo Rogério Coan, zootecnista e organizador do Feedlot Summit Brazil, o pecuarista não precisa acertar todas as movimentações do mercado, mas deve preparar o negócio para responder a diferentes situações.

“O que está pesando na atual conjuntura é a análise de viabilidade econômica e um projeto muito ajustado”, afirma.

O primeiro passo é calcular quanto custa produzir cada arroba e identificar oportunidades para diluir as despesas fixas da propriedade. Sem esse acompanhamento, a fazenda pode elevar a produtividade física e, ainda assim, não obter o retorno financeiro esperado.

Isso ocorre quando o custo necessário para alcançar o ganho adicional supera a receita gerada. Por essa razão, decisões relacionadas à nutrição, manejo, compra de animais, intensificação e terminação precisam considerar o impacto sobre o resultado final da atividade.

Produtividade precisa caminhar com rentabilidade

Para Coan, escala, orçamento, planejamento, conhecimento técnico e emprego correto das tecnologias devem avançar em conjunto com os indicadores produtivos.

O produtor precisa avaliar quanto cada estratégia acrescentará ao custo e qual será sua contribuição para a receita. Essa análise evita investimentos baseados apenas na expectativa de maior ganho de peso ou aumento da lotação.

O planejamento também amplia a capacidade de reação diante das oscilações do mercado. Ao conhecer seus números, o pecuarista pode ajustar o ritmo das compras, alterar a dieta, redefinir o período de terminação ou postergar investimentos sem comprometer a organização do sistema.

Produção de arrobas a pasto sustenta competitividade brasileira

Produzir mais por hectare não significa, necessariamente, conduzir todo o rebanho para sistemas intensivos. Na avaliação do especialista, a pecuária nacional deve aproveitar sua capacidade de obter ganho de peso em pastagens e combinar essa vantagem com ferramentas de intensificação quando houver retorno econômico.

“Produzir arrobas em regime de pastagem é a base da produção brasileira e esse é o principal diferencial competitivo perante o mundo”, destaca Coan.

A disponibilidade de solo, água e condições climáticas favoráveis permite ao Brasil operar sistemas pecuários com custos competitivos. Para transformar esse potencial em rentabilidade, porém, as pastagens precisam ser manejadas como ativos produtivos, com planejamento de lotação, fertilidade, disponibilidade de forragem e desempenho animal.

Cada etapa exige uma análise econômica específica

Os indicadores que orientam as decisões variam conforme o sistema adotado. Na cria, a atenção deve estar concentrada no custo de produção do bezerro e nos índices reprodutivos.

Na recria e na engorda, ganham relevância o preço da reposição, o custo do ganho de peso e o valor da arroba produzida. Já nas propriedades de ciclo completo, o desafio é compreender como cada etapa contribui para o desempenho econômico global.

Esse acompanhamento permite reconhecer onde estão os principais gargalos, quais despesas podem ser diluídas e em que fase um investimento tende a oferecer maior retorno.

Confinamento deve ser usado como ferramenta estratégica

Dentro dessa lógica, o confinamento não deve ser tratado como objetivo isolado de intensificação. Seu uso precisa estar conectado à estratégia produtiva, à disponibilidade de alimentos, ao valor da reposição e às perspectivas para a arroba.

“É preciso produzir arroba barata a pasto e usar o confinamento como uma ferramenta estratégica”, afirma Coan.

Quando economicamente viável, o confinamento pode acelerar a terminação, liberar áreas de pastagem, elevar o giro do capital, organizar a escala de abate e melhorar a padronização dos animais. Em outros cenários, entretanto, os custos com dieta e operação podem tornar mais vantajosa a permanência do gado no pasto ou o uso de sistemas intermediários.

A decisão deve considerar o custo da diária, a eficiência alimentar, o ganho médio diário, o peso de entrada, o período de permanência e o preço projetado de comercialização.

Gestão de risco reduz exposição às oscilações de preços

Além da eficiência produtiva, o pecuarista precisa administrar os riscos relacionados à compra e à venda. Variações simultâneas no preço do boi magro, dos ingredientes da dieta e da arroba do boi gordo podem alterar rapidamente a margem esperada.

Trabalhar com orçamento, cenários de preços e metas de desempenho permite identificar o ponto de equilíbrio de cada lote. Com essas informações, o produtor consegue decidir com mais segurança quando comprar, intensificar, confinar ou comercializar os animais.

Feedlot Summit Brazil 2026 debate custos e intensificação

A integração entre produção a pasto, escala, custos, intensificação e viabilidade econômica estará entre os temas do Feedlot Summit Brazil 2026. Promovido pela Coan Consultoria, o evento ocorrerá de 16 a 18 de setembro, no Espaço dos Ipês, em Goiânia (GO).

A programação abordará estratégias para cria, recria, engorda e ciclo completo, incluindo produção de arrobas a pasto e uso do confinamento na terminação. O encontro também discutirá mercado de reposição, perspectivas para a pecuária, proteção contra oscilações de preços e comércio internacional.

Especialistas do Brasil, Estados Unidos, Argentina, África do Sul, Uruguai, Paraguai, Panamá e Bolívia participarão dos debates. O objetivo é comparar sistemas submetidos a diferentes custos, condições produtivas, tecnologias e exigências comerciais.

Segundo Coan, a proposta não consiste em copiar modelos estrangeiros, mas compreender como outros países administram nutrição, sanidade, manejo e gestão diante de suas próprias limitações. Para o pecuarista brasileiro, o desafio será transformar esse conhecimento em decisões compatíveis com a realidade econômica de cada fazenda.

Fonte: Portal do Agronegócio

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