Mato Grosso supera Argentina em produtividade de milho e colhe safra recorde de 58 milhões de toneladas
Mesmo com área cultivada 13% menor, estado alcança rendimento de 130,11 sacas por hectare e produz volume equivalente a 90,7% de toda a safra argentina
Publicado em: 08/09/2026 às 12:00hs
Mato Grosso ampliou seu protagonismo no mercado mundial de milho ao superar a Argentina em produtividade na safra 2025/26. Embora tenha cultivado uma área menor, o estado registrou rendimento recorde e produziu quase o mesmo volume de cereal que o país vizinho.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a produtividade média estadual chegou a 130,11 sacas de milho por hectare. Na Argentina, a projeção utilizada na comparação indica 127,01 sacas por hectare.
O desempenho permitiu que Mato Grosso colhesse 58,04 milhões de toneladas, o equivalente a 90,7% da produção argentina, estimada em 64 milhões de toneladas.
Mato Grosso produz mais milho com área menor
A diferença entre as áreas cultivadas reforça o ganho de eficiência das lavouras mato-grossenses. Na temporada 2025/26, o estado plantou milho em 7,43 milhões de hectares, enquanto os produtores argentinos semearam aproximadamente 8,40 milhões de hectares.
Isso significa que Mato Grosso cultivou cerca de 970 mil hectares a menos — uma diferença de 13% — e, ainda assim, alcançou produtividade superior à projetada para a Argentina.
Para o analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, os números refletem a transformação ocorrida no sistema produtivo estadual. O cereal deixou de ser apenas uma alternativa plantada depois da soja e passou a ocupar posição estratégica no planejamento das propriedades rurais.
Tecnologia e manejo elevam produtividade do milho
O avanço da produção mato-grossense não está associado a um único fator. Segundo o Imea, o resultado é consequência da combinação entre investimentos, tecnologia, melhoria do manejo e adaptação das lavouras às características de solo e clima do estado.
Entre as práticas que contribuíram para o aumento da produtividade estão:
- utilização de sementes com maior potencial produtivo;
- adoção de biotecnologia;
- aprimoramento da fertilidade do solo;
- maior eficiência na adubação;
- controle mais preciso de pragas e doenças;
- posicionamento da lavoura dentro da janela ideal de semeadura.
Na avaliação de Brandão, o produtor de Mato Grosso vem aperfeiçoando continuamente o manejo para extrair mais rendimento da área disponível. Esse ganho de eficiência tornou-se um dos principais diferenciais competitivos da agricultura estadual.
Milho segunda safra ganha importância estratégica
A consolidação do milho segunda safra foi decisiva para o crescimento da produção em Mato Grosso. Cultivado predominantemente após a colheita da soja, o cereal passou a permitir um uso mais intensivo das terras durante o ano agrícola.
Esse sistema favorece o aproveitamento da estrutura das propriedades, das máquinas e dos investimentos realizados para a soja. Ao mesmo tempo, amplia a oferta de grãos e fortalece cadeias ligadas à produção de carnes, rações, etanol de milho e exportações.
O aumento da produtividade mostra que o crescimento do milho mato-grossense não depende apenas da expansão territorial. A evolução tecnológica e o planejamento das operações também passaram a sustentar o avanço da produção.
Clima favorece safra recorde em Mato Grosso
As condições climáticas da temporada 2025/26 também contribuíram para o resultado. O prolongamento das chuvas nas principais regiões produtoras favoreceu o desenvolvimento das plantas e o enchimento dos grãos.
A produtividade de 130,11 sacas por hectare representou crescimento de 2,23% em relação às 127,27 sacas registradas na safra 2024/25.
A área cultivada aumentou de 7,26 milhões para 7,43 milhões de hectares. Com a combinação entre expansão territorial e maior rendimento, a produção avançou 4,69%, passando de 55,43 milhões para o recorde de 58,04 milhões de toneladas.
Excesso de umidade atrasa colheita na Argentina
Na Argentina, as chuvas também favoreceram o potencial produtivo das lavouras. O excesso de umidade, entretanto, passou a dificultar o andamento da colheita em algumas regiões.
Até 3 de setembro, 92,5% da área argentina considerada apta havia sido colhida. No mesmo período, Mato Grosso já havia concluído os trabalhos de campo.
A comparação evidencia a dimensão alcançada pelo estado no mercado internacional. Sozinho, Mato Grosso já produz um volume de milho próximo ao registrado por alguns dos maiores países produtores e exportadores do mundo.
Safra 2026/27 pode ter queda de 7,5% na produção
Após o recorde de 2025/26, as primeiras projeções do Imea indicam um cenário mais cauteloso para o próximo ciclo. A área plantada com milho em Mato Grosso deverá crescer apenas 0,59%, alcançando 7,48 milhões de hectares.
A produtividade inicial foi estimada em 119,64 sacas por hectare, queda de 8,05% na comparação com o recorde da temporada atual.
Caso a previsão seja confirmada, a produção mato-grossense poderá recuar 7,50%, para 53,68 milhões de toneladas. Mesmo com a redução, o estado permaneceria entre os principais polos produtores de milho do mundo.
El Niño aumenta riscos para o milho segunda safra
A possível influência do El Niño está entre os principais fatores de atenção para a safra 2026/27. Alterações no regime de chuvas podem atrasar o plantio da soja e comprimir a janela disponível para a implantação do milho segunda safra.
Quanto mais tarde ocorrer a semeadura do cereal, maior será a exposição das lavouras ao encerramento das chuvas e às temperaturas elevadas durante as fases de maior demanda hídrica.
Esse cenário pode aumentar o risco de estresse hídrico, comprometer o enchimento dos grãos e limitar o potencial produtivo. Por isso, o planejamento da janela de plantio, o uso de híbridos adaptados e o manejo eficiente deverão ser ainda mais importantes na próxima temporada.
Fonte: Portal do Agronegócio
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