Publicado em: 12/03/2026 às 13:00hs
A Fazenda Paiaguás, da SLC Agrícola, no Mato Grosso, se tornou referência no avanço da agricultura regenerativa no Brasil. A iniciativa faz parte do projeto-piloto da Round Table on Responsible Soy, que busca avaliar a adoção de práticas regenerativas em sistemas de produção de soja e coletar experiências para aprimorar o protocolo piloto da organização.
Integrada à operação da SLC Agrícola desde 2000, a Fazenda Paiaguás possui 28.038 hectares de área própria e mais de 63 mil hectares plantados em rotação de soja, milho e algodão. A estrutura inclui infraestrutura completa e projetos sociais voltados às comunidades do entorno.
Em 2025, a unidade reportou 31.589 hectares e mais de 120 mil toneladas de soja certificada RTRS, consolidando-se como estratégica dentro do portfólio da companhia, tanto pelo desempenho produtivo quanto pela adoção de tecnologias e boas práticas de manejo.
Segundo Tiago Agne, gerente de Sustentabilidade da SLC Agrícola, a Fazenda Paiaguás é fundamental para testar os indicadores do protocolo em escala real. “A unidade gera dados consistentes que ajudam a calibrar indicadores e baselines mais realistas por região e por sistema produtivo”, explica.
A participação no piloto também organiza a gestão interna, permitindo que práticas regenerativas sejam avaliadas por indicadores de solo, clima, biodiversidade e água, transformando dados em planos de ação objetivos.
No campo, as práticas centrais já fazem parte da rotina operacional da Fazenda Paiaguás:
Rafael Bellé, gerente da Fazenda, destaca que a combinação dessas práticas proporciona estabilidade produtiva e previsibilidade de resultados, reduzindo riscos climáticos e permitindo decisões mais assertivas com base em dados de solo e desempenho agronômico.
A participação da Fazenda Paiaguás ajudou a aprimorar o protocolo de agricultura regenerativa da RTRS, integrando fatores técnicos e de mercado. Ana Laura Andreani, gerente Global de Padrões e Assurance da RTRS, afirma que a experiência da fazenda evidencia como a rotação com algodão influencia os resultados.
Helen Estima Lazzari, consultora externa da RTRS, complementa que a avaliação não pode ser dissociada das condições econômicas e comerciais que impactam decisões de manejo. “Considerar essas variáveis é essencial para construir indicadores aplicáveis à realidade do produtor”, ressalta.
A SLC Agrícola tornou-se membro da RTRS em 2007, com certificação das primeiras unidades em 2011, sendo pioneira na América Latina. A Fazenda Paiaguás integra o programa desde 2015, mantendo a certificação de soja responsável.
Para Agne, a certificação estrutura processos, fortalece rastreabilidade e consolida disciplina operacional, criando base sólida para avançar na agenda regenerativa. Bellé acrescenta que o projeto-piloto amplia o foco para resultados em solo, clima, água e biodiversidade, conectando práticas ao impacto ambiental mensurável.
O gerente conclui: “Transformar práticas consolidadas em indicadores mensuráveis marca um novo estágio da produção responsável de soja no Brasil: da conformidade socioambiental à geração comprovada de impacto positivo em escala”.
Fonte: Portal do Agronegócio
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