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Fruticultura e Horticultura

Custos elevados comprimem margens da citricultura

Se a queda dos preços já representa um desafio para os citricultores, o aumento dos custos de produção torna o cenário ainda mais complexo na safra 2026/27.


Publicado em: 10/08/2026 às 17:00hs

Custos elevados comprimem margens da citricultura

Segundo a análise da Consultoria Agro Itaú BBA, a intensificação do manejo para combater o greening, aliada ao encarecimento de fertilizantes, diesel, defensivos agrícolas e demais insumos, mantém elevada a estrutura de custos das propriedades rurais. Como boa parte dessas despesas é fixa ou pouco sensível às oscilações da produtividade, uma colheita menor reduz significativamente a margem operacional dos produtores.

Na prática, operações como pulverizações, tratos culturais, irrigação, mão de obra especializada e manutenção dos pomares continuam sendo indispensáveis para preservar a capacidade produtiva das plantas, mesmo em anos de menor rendimento.

Eficiência operacional passa a determinar a rentabilidade

Com a caixa da laranja negociada em patamares inferiores aos observados nos últimos anos, a rentabilidade deixa de depender apenas do preço recebido pelo produtor.

O novo cenário favorece propriedades mais tecnificadas, com maior escala de produção, irrigação, mecanização e capacidade de investimento em manejo fitossanitário. Essas características permitem maior diluição dos custos fixos e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

Por outro lado, produtores com menor nível tecnológico tendem a enfrentar maior dificuldade para manter a atividade economicamente viável, especialmente em um ambiente de preços menos remuneradores e custos elevados.

Relação de troca com fertilizantes piora e reduz poder de compra

Outro ponto de preocupação destacado pelo relatório é a deterioração da relação de troca entre a laranja e os fertilizantes.

Os indicadores mostram que os níveis atuais de troca para produtos como ureia e MAP estão entre os mais desfavoráveis dos últimos cinco anos, perdendo apenas para o cenário observado em 2022, quando o mercado mundial de fertilizantes foi fortemente impactado pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Mesmo com preços internacionais dos fertilizantes inferiores aos recordes daquele período, a expressiva queda nas cotações da laranja reduziu o poder de compra do produtor rural, tornando mais onerosa a aquisição dos principais insumos utilizados na cultura.

Como consequência, parte dos citricultores poderá reduzir investimentos em adubação e manejo nutricional dos pomares, decisão que pode comprometer o potencial produtivo das próximas safras.

Greening continua sendo a maior ameaça da citricultura

Além das questões econômicas, o avanço do greening permanece como o principal desafio estrutural da produção de laranja no Brasil.

Transmitida pelo psilídeo, a doença compromete o desenvolvimento das plantas, reduz a produtividade, piora a qualidade dos frutos e, nos casos mais severos, exige a erradicação completa dos pomares.

Segundo estimativas apresentadas no estudo, aproximadamente 49,6 milhões de caixas deixaram de ser colhidas na safra 2025/26 em decorrência do greening. Considerando um preço médio de referência de R$ 37 por caixa, o impacto econômico da doença alcançou cerca de R$ 1,8 bilhão em receita bruta perdida no campo.

Avanço da doença redesenha o mapa da produção

O crescimento da incidência do greening também vem modificando a geografia da citricultura brasileira.

De acordo com o levantamento citado no relatório, a incidência da doença no cinturão citrícola atingiu 47,6%, o maior índice da série recente. As regiões Sul e Sudoeste concentram os níveis mais elevados de contaminação, aumentando os custos de controle e reduzindo a vida útil dos pomares.

Diante desse cenário, produtores têm intensificado investimentos em novas áreas de cultivo localizadas fora das regiões tradicionalmente produtoras.

Dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo mostram que aproximadamente 50% das mudas produzidas no estado já foram destinadas para municípios fora do cinturão citrícola paulista.

Entre os principais destinos estão:

  • Minas Gerais: 49%;
  • Mato Grosso do Sul: 28%;
  • Paraná: 10%;
  • Goiás: 7%;
  • Outros estados: 6%.
Expansão territorial não elimina os riscos sanitários

Apesar da migração para novas regiões produtoras, o relatório alerta que essa estratégia não representa uma solução definitiva para o avanço do greening.

A doença também vem aumentando sua incidência em áreas que anteriormente apresentavam baixa contaminação, exigindo monitoramento constante, maior investimento em controle fitossanitário, irrigação e tecnologia.

Assim, a expansão geográfica da citricultura brasileira reduz parte da pressão inicial da doença, mas amplia a necessidade de gestão eficiente e investimentos permanentes para garantir produtividade e sustentabilidade econômica ao longo dos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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