Onda de calor de até 40°C em São Paulo eleva risco de incêndios e coloca o agronegócio em alerta
Umidade do ar pode ficar abaixo de 12% no estado, aumentando a pressão sobre lavouras, recursos hídricos e propriedades rurais; eficiência no uso da água e planejamento financeiro ganham importância
Publicado em: 03/09/2026 às 08:30hs
A previsão de uma onda de calor com temperaturas próximas dos 40°C colocou os produtores rurais de São Paulo em alerta. Além do calor extremo, a umidade relativa do ar pode cair abaixo de 12% nos períodos mais críticos, favorecendo o ressecamento da vegetação, a perda de água do solo e o avanço de queimadas e incêndios florestais.
O alerta foi emitido pela Defesa Civil do Estado de São Paulo. As condições mais severas são esperadas nas regiões norte e noroeste, mas o predomínio de tempo quente e seco amplia os riscos para outras áreas paulistas.
Para o agronegócio, o cenário exige atenção redobrada ao abastecimento de água, à irrigação, ao manejo do solo e à prevenção de incêndios. O calor intenso também pode elevar o consumo hídrico de culturas e rebanhos, aumentar a evaporação e reduzir mais rapidamente a umidade disponível para as plantas.
Seca amplia pressão sobre a produção agrícola
A onda de calor ocorre em um momento de preocupação com as condições hídricas do país. Dados referentes a julho, divulgados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), apontaram 157 municípios brasileiros em situação de seca severa e outros 532 com seca moderada.
A previsão sazonal para o trimestre entre agosto e outubro indica temperaturas acima da média em todo o Brasil. As chuvas também devem ficar abaixo da média em grande parte do território nacional, com exceção da Região Sul.
A combinação de temperaturas elevadas, pouca chuva e baixa umidade pode afetar o desenvolvimento das lavouras, reduzir a disponibilidade de água para irrigação e elevar os custos de produção.
Eficiência hídrica ajuda a reduzir perdas nas lavouras
Para Francisco Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, empresa especializada em soluções para otimização do uso da água no campo, episódios de calor extremo reforçam a necessidade de melhorar a eficiência hídrica das propriedades antes que a escassez comprometa a produção.
“Quando temos temperaturas muito elevadas e baixa umidade, a preocupação do produtor não deve ser apenas com a quantidade de água disponível, mas com a eficiência com que essa água permanece acessível à planta. Quanto maior a perda por evaporação e mais rapidamente o solo perde umidade, maior é a necessidade de pensar o manejo hídrico de forma estratégica”, afirma.
Entre as alternativas disponíveis estão o planejamento da irrigação, o manejo conservacionista do solo e o uso de tecnologias capazes de aumentar a retenção de água na região das raízes.
A Hydroplan-EB desenvolve, por exemplo, polímeros superabsorventes que podem ser aplicados ao solo para reter água e liberá-la gradualmente às plantas.
“Não conseguimos controlar quando uma onda de calor vai acontecer, mas podemos trabalhar para deixar o sistema produtivo menos vulnerável. Tecnologias de retenção de água, manejo adequado do solo e planejamento da irrigação fazem parte dessa preparação”, explica Carvalho.
Onda de calor também pressiona o caixa do produtor
Os impactos dos eventos climáticos extremos não se limitam às lavouras e pastagens. A necessidade de instalar ou ampliar sistemas de irrigação, construir reservatórios, recuperar áreas atingidas e adotar tecnologias de prevenção pode gerar despesas que não estavam previstas no orçamento da propriedade.
Para Romário Alves, CEO e fundador da Sonhagro, rede especializada em crédito rural, o aumento da imprevisibilidade climática exige que o planejamento financeiro seja incorporado à gestão da produção.
“Uma seca prolongada, uma onda de calor ou um incêndio podem criar uma necessidade de investimento que não estava prevista. Por isso, planejamento financeiro e acesso ao crédito precisam ser discutidos antes de a emergência acontecer”, destaca.
Crédito rural pode financiar irrigação e infraestrutura
O crédito rural pode ser utilizado para financiar equipamentos, infraestrutura e tecnologias destinadas a aumentar a eficiência produtiva e reduzir a exposição das propriedades aos riscos climáticos.
De acordo com Alves, buscar recursos somente depois da ocorrência de perdas pode limitar as alternativas disponíveis e dificultar a recuperação financeira do produtor.
“O crédito precisa ser visto como ferramenta de planejamento. Dependendo da necessidade e da linha disponível, o produtor pode financiar equipamentos, infraestrutura e tecnologias que aumentem a eficiência da propriedade. O erro é esperar o problema acontecer para começar a procurar uma solução financeira”, explica.
Prevenção ganha espaço na gestão das propriedades rurais
A previsão de temperaturas próximas dos 40°C reforça uma transformação na gestão do agronegócio. Clima, disponibilidade de água, prevenção de incêndios e capacidade financeira estão cada vez mais conectados dentro do planejamento rural.
Diante de eventos extremos mais frequentes, preparar a propriedade não significa apenas reagir ao aumento dos termômetros. O produtor precisa reduzir vulnerabilidades, preservar a umidade do solo, utilizar a água com maior eficiência e manter condições financeiras para investir em adaptação e prevenção.
Fonte: Portal do Agronegócio
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