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Clima

El Niño eleva risco climático para soja e milho na safra 2026/27 e exige manejo preventivo

Possível intensificação do fenômeno pode alterar a distribuição das chuvas, elevar as temperaturas e aumentar o estresse hídrico nas lavouras de verão


Publicado em: 03/09/2026 às 08:00hs

El Niño eleva risco climático para soja e milho na safra 2026/27 e exige manejo preventivo

A possível intensificação do El Niño na segunda metade de 2026 aumenta a atenção dos produtores durante o planejamento da safra 2026/27 de soja e milho. O fenômeno climático pode modificar a distribuição das chuvas no Brasil e favorecer períodos de temperaturas elevadas, ampliando o risco de estresse hídrico e fisiológico nas lavouras.

Os impactos variam conforme a região e o estágio de desenvolvimento das culturas. A ocorrência de déficit hídrico em momentos críticos pode prejudicar a emergência, limitar o crescimento das raízes, reduzir a absorção de nutrientes e comprometer o enchimento dos grãos.

Diante desse cenário, o planejamento antecipado, a escolha de cultivares adaptadas e a adoção de práticas capazes de melhorar a eficiência no uso da água ganham importância para preservar o potencial produtivo.

Seca limita desenvolvimento das raízes da soja

Na cultura da soja, a falta de água durante os estágios iniciais pode restringir a formação do sistema radicular. Com raízes menos desenvolvidas, a planta perde capacidade de explorar as camadas do solo em busca de umidade e nutrientes.

O risco aumenta quando o déficit hídrico ocorre durante a fase reprodutiva. Nesse período, a escassez de água pode provocar abortamento de flores e vagens, além de reduzir o número e o peso dos grãos.

“Quando o déficit hídrico ocorre durante a fase reprodutiva, a falta de água provoca o abortamento de flores e vagens, causa diminuição do número e do peso dos grãos e reduz o potencial produtivo”, explica Julia Veiga, engenheira agrônoma e coordenadora de portfólio da Biotrop.

Falta de água prejudica polinização e enchimento do milho

No milho, o estresse hídrico também pode provocar perdas expressivas, principalmente quando coincide com as fases de florescimento e polinização. A falta de umidade interfere na formação das espigas, na fecundação e no desenvolvimento dos grãos.

O déficit hídrico próximo ao pendoamento pode comprometer a emissão dos estilos-estigmas, conhecidos como “cabelos” da espiga, e reduzir a eficiência da polinização. Já durante o enchimento, a limitação de água prejudica o acúmulo de matéria seca e pode resultar em grãos mais leves.

Por isso, o acompanhamento da umidade do solo e das previsões meteorológicas será essencial para orientar decisões ao longo da safra de verão 2026/27.

Estresse hídrico reduz fotossíntese e absorção de nutrientes

Os danos provocados pela seca não se limitam aos sintomas visíveis. Para reduzir a perda de água, as plantas fecham os estômatos, pequenas estruturas responsáveis pelas trocas gasosas com o ambiente.

Essa reação diminui a transpiração, mas também restringe a entrada de dióxido de carbono e reduz a atividade fotossintética. Como consequência, a planta produz menos energia, absorve menos nutrientes e desacelera seu crescimento.

“Com o fechamento dos estômatos, ocorre redução da fotossíntese, da produção de energia e da absorção de nutrientes. Também aumenta o estresse oxidativo, diminuindo a capacidade da cultura de suportar condições climáticas adversas”, destaca Julia.

Manejo antecipado pode aumentar resiliência das lavouras

A preparação para enfrentar possíveis irregularidades climáticas deve começar antes da semeadura. Entre as práticas recomendadas estão a escolha de cultivares adaptadas ao ambiente de produção, o respeito à janela regional de plantio, a correção do solo e a construção de um sistema radicular vigoroso.

A manutenção da cobertura do solo também ajuda a reduzir a evaporação, conservar a umidade e diminuir as oscilações de temperatura. Outras medidas incluem o manejo adequado da fertilidade, a descompactação quando tecnicamente indicada e o monitoramento constante das condições meteorológicas.

Os bioinsumos podem integrar esse conjunto de ferramentas, com o objetivo de estimular o desenvolvimento das plantas e aumentar sua capacidade de responder a períodos de seca ou distribuição irregular das chuvas.

Bioinsumos entram na estratégia contra o déficit hídrico

Entre as tecnologias disponíveis está o Bioasis Power, ativador microbiológico de plantas desenvolvido pela Biotrop. Segundo a empresa, o produto estimula o crescimento das raízes, melhora a eficiência no uso da água e auxilia a resposta fisiológica das plantas ao estresse.

A recomendação é utilizar o bioinsumo desde a implantação da lavoura, por meio do tratamento de sementes ou da aplicação no sulco de plantio. O posicionamento busca fortalecer o sistema radicular desde os primeiros estágios de desenvolvimento da soja e do milho.

De acordo com a Biotrop, estudos conduzidos por consultorias agronômicas, instituições de pesquisa e parceiros independentes apresentaram respostas positivas em mais de 86% dos ensaios avaliados. No milho, o incremento médio informado foi de seis sacas por hectare.

Os resultados podem variar conforme as condições do solo, o ambiente de produção, o manejo adotado e a intensidade do estresse hídrico.

Safra 2026/27 exigirá acompanhamento do clima

Com a possibilidade de maior irregularidade na distribuição das chuvas, o desempenho da safra 2026/27 dependerá da capacidade dos produtores de antecipar riscos e ajustar o manejo às condições de cada região.

Tecnologias biológicas podem contribuir para aumentar a resiliência das lavouras, mas devem fazer parte de uma estratégia integrada. Planejamento da semeadura, conservação do solo, nutrição equilibrada, cultivares adaptadas e monitoramento climático continuarão sendo fundamentais para reduzir perdas em soja e milho diante do El Niño.

Fonte: Portal do Agronegócio

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