Monitoramento climático amplia eficiência da irrigação e reduz riscos nas lavouras
Sensores conectados medem chuva, umidade do solo, temperatura, vento e radiação para orientar o uso de água, energia e insumos diante das mudanças no clima
Publicado em: 04/09/2026 às 07:30hs
A irregularidade das chuvas, os períodos prolongados de estiagem e a ocorrência mais frequente de eventos climáticos extremos aumentam a necessidade de decisões precisas no campo. Nesse cenário, sistemas de monitoramento climático e irrigação inteligente ganham espaço como ferramentas para proteger as lavouras, reduzir desperdícios e preservar a produtividade agrícola.
A Lindsay, empresa especializada em irrigação para o agronegócio, aposta na integração de pivôs, estações meteorológicas e sensores da Metos para acompanhar as condições da propriedade em tempo real. Os equipamentos coletam dados de temperatura, umidade do ar e do solo, pluviometria, radiação solar, velocidade e direção do vento.
As informações ajudam o agricultor a definir o momento e a quantidade mais adequados para irrigar ou pulverizar, evitando aplicações sob condições desfavoráveis.
Irrigação reduz impactos da irregularidade das chuvas
Segundo Cristiano Trevizam, diretor comercial da Lindsay Brasil, a irrigação pode funcionar como uma ferramenta de gestão de riscos diante das mudanças no regime climático.
“A irrigação se apresenta como uma oportunidade para evitar perdas de safra e até ampliar a produtividade. Em períodos de mudanças climáticas, ela funciona como um seguro para o produtor”, afirma.
Além de suprir a falta de chuva, a tecnologia permite distribuir água conforme a necessidade da cultura e as condições de cada área. O objetivo é evitar tanto o déficit hídrico quanto o excesso de umidade, situações capazes de comprometer o crescimento das plantas e favorecer doenças.
Estações meteorológicas orientam decisões no campo
Presente no Brasil há 14 anos, a Metos desenvolve soluções de inteligência climática baseadas em Internet das Coisas (IoT). A tecnologia foi incorporada ao portfólio da Lindsay e pode ser integrada aos sistemas de irrigação da companhia.
De acordo com Fabio Belezi, gerente nacional da Metos Brasil, as alterações no comportamento do clima tornaram o monitoramento uma necessidade crescente nas propriedades.
“Antigamente, nossos pais e avós conseguiam prever com maior facilidade quando começaria o período de chuvas ou de seca. Hoje, essa dinâmica está muito mais variável, o que torna o monitoramento cada vez mais necessário”, explica.
Os dados coletados permitem acompanhar as condições ambientais em diferentes pontos da fazenda. A quantidade e a localização das estações são definidas conforme a extensão da propriedade, o relevo, o cultivo e o projeto de irrigação.
Tecnologia ajuda a evitar perdas nas pulverizações
Um dos principais benefícios do monitoramento meteorológico está na identificação das janelas mais favoráveis para a aplicação de defensivos agrícolas e produtos foliares.
Chuva logo após a pulverização pode remover parte do produto aplicado, enquanto ventos fortes aumentam o risco de deriva. Temperaturas elevadas e baixa umidade também podem acelerar a evaporação das gotas e reduzir a eficiência do tratamento.
Segundo a empresa, o uso das informações meteorológicas pode gerar economia de 30% a 100% em determinadas aplicações, dependendo do produto, das condições ambientais e da ocorrência de operações que precisariam ser refeitas. A estimativa é da própria Metos e pode variar entre propriedades.
“Com uma estação meteorológica, o agricultor consegue visualizar as condições antes da pulverização, aumentar a eficiência da operação e economizar recursos”, afirma Belezi.
Sensores medem temperatura, umidade e disponibilidade de água
A estação meteorológica reúne diferentes equipamentos para apoiar o manejo das lavouras. Entre eles estão os sensores de direção e velocidade do vento, além de instrumentos que medem a radiação solar incidente sobre o solo e as plantas.
O higrômetro registra a temperatura mínima e máxima e a umidade relativa do ar. Esses dados permitem calcular o Delta T, indicador utilizado para avaliar as condições de evaporação e identificar os períodos mais adequados para pulverizações.
Já as sondas instaladas no solo medem a umidade e a temperatura em diferentes profundidades. Com isso, o produtor consegue verificar se a água aplicada alcançou a região das raízes e se o ambiente está adequado ao desenvolvimento da cultura.
Temperaturas excessivamente altas no solo podem limitar o crescimento radicular, enquanto temperaturas muito baixas reduzem a absorção de água e nutrientes. O efeito varia conforme a espécie cultivada e o estágio de desenvolvimento da planta.
Mapa de chuva identifica diferenças dentro da fazenda
Os pluviômetros conectados registram o volume de chuva acumulado em diferentes períodos. Os dados podem ser consultados por semana, mês, safra ou ano, permitindo comparar históricos e identificar alterações na distribuição das precipitações.
A instalação de vários equipamentos na propriedade também possibilita criar mapas de chuva. Essa funcionalidade é importante porque o volume precipitado pode variar significativamente entre talhões de uma mesma fazenda.
“É possível instalar pluviômetros em diferentes pontos, pois pode chover em uma área da propriedade e não em outra. A partir dessas informações, criamos um mapa com a distribuição das chuvas”, explica Belezi.
Os registros podem ser acessados pelo celular e utilizados para decidir quando acionar a irrigação, evitando aplicações desnecessárias nas áreas que já receberam água suficiente.
Evapotranspiração indica necessidade hídrica da lavoura
As medições de vento, radiação, temperatura, umidade e chuva são combinadas para calcular a evapotranspiração. O indicador estima a quantidade de água perdida pelo solo e pelas plantas para a atmosfera.
A partir desse cálculo, o sistema informa quanto de água precisa ser reposto, considerando a cultura e o estágio de desenvolvimento. Segundo a Metos, o manejo orientado por dados pode reduzir entre 30% e 40% o consumo de água e energia, conforme as características da propriedade e do sistema utilizado.
“Não basta apenas aplicar água. É necessário entender a quantidade correta. O excesso pode encharcar o solo e criar condições favoráveis às doenças, enquanto a aplicação insuficiente pode prejudicar a produtividade”, destaca o gerente.
Plataforma permite controlar pivôs pelo celular
As informações coletadas pelos sensores abastecem o FieldNET Advisor, plataforma da Lindsay destinada ao gerenciamento da irrigação.
Por meio do sistema, o produtor pode ligar e desligar pivôs remotamente, ajustar lâminas de água, programar operações e criar planos de irrigação. A plataforma utiliza dados da lavoura e das condições climáticas para indicar a necessidade hídrica das culturas.
A solução oferece diferentes opções de conectividade, incluindo redes 2G, 3G, 4G, CAT-M1, Wi-Fi, rádio, LoRa e satélite. Essa variedade permite utilizar o sistema inclusive em regiões rurais com infraestrutura limitada de telecomunicações.
Alertas antecipam tempestades, geadas e incêndios
Além dos dados coletados dentro da propriedade, a Metos disponibiliza boletins e previsões climáticas. A equipe conta com meteorologistas e produz relatórios semanais, análises de chuva e informações que podem ser consultadas por hora, dia, mês ou ano.
Conforme a empresa, a precisão das previsões pode alcançar aproximadamente 80% em determinadas propriedades e condições. O resultado depende da região, do horizonte da previsão e da disponibilidade de dados locais.
A Plataforma PRO, disponível para dispositivos móveis e acesso pela internet, emite notificações sobre tempestades, raios, chuvas intensas, geadas e risco de incêndios. Os avisos permitem antecipar operações, proteger equipamentos e adotar medidas preventivas.
Para aprimorar as análises, a companhia informa manter trabalhos com instituições como Embrapa, Aprosoja, Centro Universitário Funcesi e Unicamp.
Brasil reúne mais de 6 mil estações de monitoramento
Fundada há 41 anos na Áustria, a Metos atua em áreas como agricultura, mineração, defesa civil, cidades inteligentes e energia. A empresa possui operações em países como Brasil, Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Turquia, Ucrânia e África do Sul.
A companhia passou a integrar o grupo Lindsay há dois anos. Atualmente, existem mais de 60 mil estações de monitoramento e aproximadamente 220 mil sensores instalados em 85 países, segundo dados da empresa.
No Brasil, são mais de 6 mil estações com GPS integrado distribuídas por todos os estados, com predominância de aplicações agrícolas. A sede nacional está localizada em Itajaí (SC), enquanto o atendimento comercial e a assistência técnica são realizados por uma rede presente em diferentes regiões produtoras.
Com a crescente instabilidade do clima, a combinação entre irrigação, sensoriamento e previsão meteorológica tende a ganhar importância no planejamento agrícola. O avanço dessas tecnologias permite transformar dados ambientais em decisões mais rápidas, contribuindo para o uso eficiente de água, energia e insumos nas lavouras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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