Novo fungicida para soja eleva produtividade em até 15 sacas por hectare em ensaios
Mistura de protioconazol e clorotalonil apresentou controle de ferrugem e manchas foliares; possível atraso no plantio pode aumentar a pressão das doenças na safra 2026/27
Publicado em: 04/09/2026 às 07:00hs
Um novo fungicida para o controle da ferrugem-asiática e de manchas foliares da soja proporcionou ganhos de produtividade entre 12 e 15 sacas por hectare em experimentos realizados no campo. A tecnologia combina protioconazol e clorotalonil em uma formulação pronta e inédita no mercado brasileiro.
Os resultados foram observados nos Ensaios de Rede, iniciativa anual que reúne mais de 20 consultorias agrícolas para avaliar tecnologias voltadas à proteção das lavouras. A Multcrop Pesquisa e Desenvolvimento, sediada no Oeste da Bahia e com atuação em todo o Matopiba, participou dos estudos.
O fungicida será comercializado pela Sipcam Nichino Brasil a partir de setembro, com a marca Cortina Gold. Além da ferrugem da soja, o produto foi desenvolvido para auxiliar no manejo de manchas foliares e outras doenças que podem limitar o potencial produtivo da oleaginosa.
Ensaios indicam controle de até 58% das manchas foliares
De acordo com o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Valente, coordenador de fitopatologia da Multcrop, a mistura apresentou resultados consistentes quando utilizada dentro de um programa de manejo com diferentes posicionamentos de fungicidas.
Nos experimentos acompanhados pela consultoria, os índices de controle das manchas foliares ficaram entre 56% e 58% em relação às parcelas sem aplicação. O desempenho também foi aproximadamente 10% superior ao de outros fungicidas avaliados nas mesmas condições.
“Conseguimos atingir parâmetros de controle satisfatórios de manchas, da ordem de 56% a 58% em relação à testemunha, além de elevação em torno de 10% na comparação a outros fungicidas avaliados”, explica Valente.
A proteção das folhas é decisiva para prolongar a atividade fotossintética, favorecer o enchimento dos grãos e reduzir perdas na produtividade. O resultado, entretanto, depende do posicionamento correto do produto, das condições de aplicação e da integração com outras estratégias fitossanitárias.
Ganho de produtividade chega a 15 sacas por hectare
Além da redução da severidade das doenças, os ensaios registraram aumento de 12 a 15 sacas de soja por hectare. O desempenho reforça o impacto econômico que o manejo preventivo pode exercer sobre a rentabilidade das lavouras.
A resposta produtiva pode variar conforme a cultivar, o clima, a pressão dos patógenos, a época de aplicação e o histórico da área. Por isso, os fungicidas devem ser utilizados dentro de programas integrados e conforme as recomendações técnicas para cada região.
A Multcrop mantém uma equipe de 40 profissionais e uma área experimental de 93 hectares destinada à pesquisa e ao desenvolvimento de insumos agrícolas. A empresa também atua em parceria com a Foco Consultoria, que prevê monitorar mais de 400 mil hectares de cultivos durante a safra 2026/27.
Atraso no plantio pode elevar pressão da ferrugem da soja
A ferrugem-asiática continua entre as doenças mais preocupantes da sojicultura brasileira. Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, ela pode provocar desfolha precoce e perdas expressivas quando encontra condições favoráveis e não é controlada adequadamente.
Para a safra de soja 2026/27, a eventual irregularidade das chuvas poderá interferir no calendário de implantação das lavouras. Segundo Valente, o atraso da semeadura tende a deixar parte das áreas exposta a uma concentração maior de inóculo durante fases sensíveis do desenvolvimento.
“Há, sim, perspectiva de pressão da doença, principalmente se o plantio de soja atrasar”, alerta o pesquisador.
Nos testes realizados, a associação entre protioconazol e clorotalonil também apresentou eficácia contra a ferrugem. O protioconazol possui ação sistêmica, enquanto o clorotalonil atua como fungicida multissítio de contato, ampliando a proteção e contribuindo para o manejo da resistência dos patógenos.
Formulação não apresentou fitotoxicidade nos testes
Outro aspecto avaliado foi o comportamento da formulação durante as pulverizações. Produtos multissítios podem exigir atenção especial quanto à compatibilidade da calda e ao risco de obstrução dos bicos.
Segundo o coordenador de fitopatologia, não foram identificados problemas de entupimento nos ensaios acompanhados pela Multcrop. A formulação também permaneceu estável e não provocou sintomas de fitotoxicidade nas plantas.
“No caso do novo fungicida, não ocorreram problemas. É um produto bem estável e não apresentou casos de fitotoxicidade”, afirma Valente.
A chegada de novas combinações amplia as opções disponíveis para o manejo das doenças da soja. Entretanto, a preservação da eficiência dos fungicidas dependerá da alternância de mecanismos de ação, do uso de doses recomendadas, do respeito ao momento de aplicação e da integração com medidas como vazio sanitário, calendarização da semeadura e monitoramento constante das lavouras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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