Mercado de defensivos para milho cresce 13% e movimenta recorde de R$ 15,4 bilhões na safrinha
Maior intensidade de manejo, controle de lagartas e adoção de produtos de alto valor agregado impulsionaram o setor, mesmo com avanço de apenas 1% na área cultivada
Publicado em: 03/09/2026 às 19:20hs
O mercado brasileiro de defensivos agrícolas para o milho segunda safra movimentou R$ 15,4 bilhões em 2026, crescimento de 13% em relação aos R$ 13,7 bilhões registrados na temporada anterior. O resultado representa o maior faturamento da série histórica da Kynetec Brasil para a cultura.
Os números fazem parte do levantamento FarmTrak™ Milho Safrinha 2026, referente ao ciclo encerrado em julho. Em 2024, o mercado havia movimentado R$ 12,7 bilhões.
Na moeda norte-americana, as vendas alcançaram US$ 2,86 bilhões, avanço de 18%. A diferença entre os resultados em reais e dólares está relacionada à valorização média de 5% do real durante a segunda safra. A taxa média de câmbio passou de R$ 5,67 para R$ 5,41 por dólar.
O desempenho de 2026 também reverteu a retração de 7% observada no ano anterior.
Crescimento veio do manejo mais intensivo das lavouras
O avanço do mercado de defensivos não foi provocado por uma expansão expressiva da área plantada. Nas regiões analisadas pela consultoria, o cultivo aumentou apenas 1%, alcançando aproximadamente 17,4 milhões de hectares.
O principal impulso veio da intensificação dos tratamentos fitossanitários. A média de aplicações e manejos por área passou de 17,7 para 19,1, indicando que os produtores aumentaram o número de alvos controlados e recorreram a tecnologias de maior valor agregado.
Com isso, a área potencial tratada, conhecida pela sigla PAT, atingiu 425 milhões de hectares, crescimento de 8% sobre a temporada anterior. O indicador considera a soma das áreas que receberam diferentes aplicações ao longo do ciclo da cultura.
Segundo Millôr Mondini, especialista em pesquisas da Kynetec, o produtor não necessariamente ampliou o plantio, mas intensificou a proteção do milho cultivado.
Investimento em defensivos sobe para R$ 887 por hectare
A recuperação dos preços dos produtos também contribuiu para o crescimento do mercado. Após uma queda de 13% em 2025, o custo médio por tratamento avançou de R$ 43,10 para R$ 44,90 por hectare.
Já o investimento total na proteção das lavouras passou de R$ 794 para R$ 887 por hectare, alta de 12%.
O aumento foi impulsionado principalmente pelas lavouras de Mato Grosso e da região do Mapitopa, formada pelos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará.
Inseticidas lideram vendas de defensivos para milho
Os inseticidas permaneceram como a principal categoria do mercado de defensivos para o milho safrinha. O segmento respondeu por 39% das vendas e movimentou R$ 6,01 bilhões, crescimento de 16%.
Os fungicidas ficaram na segunda posição, com participação de 21% e faturamento de R$ 3,3 bilhões, alta de 13%.
Na sequência aparecem os herbicidas, responsáveis por 20% do mercado. A categoria movimentou R$ 3,12 bilhões, avanço de 15% na comparação anual.
Os nematicidas representaram 5% das vendas, com R$ 712 milhões. Apesar da menor participação, o segmento registrou o maior crescimento proporcional entre as categorias avaliadas, de 34%.
Controle de lagartas movimenta R$ 2,6 bilhões
O combate às lagartas foi o principal responsável pelo crescimento do mercado de inseticidas. Os produtos destinados a esse controle movimentaram R$ 2,6 bilhões em 2026, aumento de 58% em relação aos R$ 1,64 bilhão da safrinha anterior.
A participação do controle de lagartas no total investido em inseticidas passou de 32% para 43%. As aplicações alcançaram 92% da área cultivada com milho segunda safra.
Para a Kynetec, os dados indicam que a proteção proporcionada pelas biotecnologias incorporadas às sementes já não é suficiente, isoladamente, para controlar as lagartas em parte das lavouras. Dessa forma, a aplicação foliar de inseticidas passou a fazer parte do manejo rotineiro, independentemente do evento biotecnológico presente nos híbridos.
Fungicidas premium ganham espaço na safrinha
Entre os fungicidas, os produtos considerados premium responderam por 58% dos investimentos destinados ao controle de doenças.
O segmento movimentou R$ 1,92 bilhão, alta de 39% sobre os R$ 1,38 bilhão registrados em 2025. A participação dessas tecnologias havia sido de 48% no ciclo anterior.
A adoção dos fungicidas de maior valor agregado alcançou 63% das lavouras, frente a 50% na temporada passada. O movimento mostra uma procura crescente por soluções voltadas à ampliação da proteção e do potencial produtivo do milho.
Plantas daninhas resistentes elevam uso de herbicidas
No mercado de herbicidas, os produtos de amplo espectro ampliaram sua presença nas lavouras. A adoção passou de 31% para 44% da área pesquisada.
O aumento está relacionado principalmente às dificuldades no controle de gramíneas, como capim-pé-de-galinha e capim-amargoso. A maior ocorrência de plantas daninhas de difícil manejo tem levado os produtores a reforçar os programas de controle e combinar diferentes tecnologias.
Nematicidas chegam a 51% da área cultivada
A adoção de nematicidas atingiu 51% da área de milho safrinha em 2026, acima dos 44% registrados no ano anterior. O crescimento foi sustentado principalmente pela ampliação da oferta de produtos biológicos.
O mercado de biológicos para o milho segunda safra movimentou R$ 1,41 bilhão, alta de 8%. Apesar do crescimento nominal, sua participação no mercado total recuou de 9,5% para 9,1%.
Atualmente, os nematicidas representam 45% do mercado de produtos biológicos destinados à proteção do cereal na segunda safra.
Mercado total de defensivos para milho alcança R$ 18,3 bilhões
Considerando a safra de verão e a segunda safra, o mercado brasileiro de defensivos para milho movimentou R$ 18,3 bilhões em 2026, crescimento de 13%.
A safrinha respondeu por 84% desse faturamento, confirmando sua importância para a indústria de proteção de cultivos e para a produção nacional do cereal.
O FarmTrak™ Milho Safrinha 2026 foi elaborado a partir de quase 2,3 mil entrevistas presenciais com produtores rurais, gestores e responsáveis pelas decisões de compra nas principais regiões produtoras.
A amostra contemplou 17,4 milhões de hectares, equivalentes a 95% da área oficial destinada ao milho segunda safra. O levantamento apresenta margem de erro de 2,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias