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Análise de Mercado

Veto da União Europeia ameaça US$ 392 milhões em exportações de carnes do Paraná

Suspensão atinge produtos brasileiros de origem animal e coloca avicultura paranaense em alerta; Sistema FAEP cobra ação do governo para acelerar a retomada dos embarques


Publicado em: 03/09/2026 às 18:40hs

Veto da União Europeia ameaça US$ 392 milhões em exportações de carnes do Paraná

A suspensão das importações de determinados produtos brasileiros de origem animal pela União Europeia, em vigor a partir desta quinta-feira (3), pode comprometer mais de US$ 392,2 milhões por ano em exportações de carnes do Paraná. A avicultura deverá concentrar a maior parte dos impactos, enquanto o setor produtivo cobra uma solução rápida para restabelecer o comércio com o bloco.

A estimativa considera o desempenho de 2025, quando o Paraná exportou US$ 382 milhões em carne de frango para países europeus, correspondentes a 118,7 mil toneladas. No mesmo período, as vendas de carne bovina somaram US$ 10,2 milhões e 1,4 mil toneladas.

Os números reforçam a importância do mercado europeu para a pecuária estadual, especialmente por seu papel como referência sanitária internacional. Embora represente cerca de 5% das exportações paranaenses de carnes, o bloco funciona como uma vitrine estratégica para o acesso a outros destinos.

Exportações de 2026 já superam US$ 228 milhões

Somente no primeiro semestre de 2026, as exportações paranaenses de carne de frango para a União Europeia alcançaram aproximadamente US$ 224 milhões, com embarques de 78,7 mil toneladas.

No segmento bovino, o Estado comercializou US$ 4,6 milhões e 643 toneladas com o bloco no mesmo período. Os dados são do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Se mantido por um período prolongado, o veto poderá exigir o redirecionamento dos produtos para outros compradores. Esse movimento tende a aumentar a oferta em mercados alternativos, acirrar a concorrência e pressionar os preços recebidos por frigoríficos e produtores.

Avicultura do Paraná concentra os maiores riscos

Líder nacional na produção e na exportação de carne de frango, o Paraná aparece como o Estado mais exposto aos efeitos comerciais da medida europeia.

A proteína avícola paranaense chega atualmente a mais de 150 países e atende aos protocolos sanitários dos principais mercados internacionais. Mesmo com essa diversificação, a perda temporária da União Europeia pode afetar contratos, escalas de abate, logística e planejamento das empresas exportadoras.

Os reflexos também podem chegar ao campo, sobretudo aos produtores integrados, às fábricas de ração, aos fornecedores de genética, aos transportadores e às demais atividades vinculadas à cadeia avícola.

Medida europeia atinge diferentes produtos de origem animal

A decisão anunciada pela União Europeia em maio não está limitada às carnes bovina e de frango. A restrição alcança determinados produtos brasileiros de origem animal, incluindo mel, equinos, tripas e itens da aquicultura.

O ponto central das exigências está relacionado às garantias oficiais sobre o controle e o uso de antimicrobianos na produção animal. Para voltar à lista de países autorizados, o Brasil precisa demonstrar que seus sistemas de produção, processamento e fiscalização cumprem integralmente as normas estabelecidas pelo bloco.

O Sistema FAEP alerta que os efeitos podem ultrapassar as perdas diretas nas vendas. Diversos países utilizam o atendimento às regras sanitárias europeias como referência para autorizar importações sem a necessidade de novas inspeções.

“Precisamos manter nossos produtos no mercado europeu, pois é uma importante vitrine para o agro brasileiro e paranaense”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Sistema FAEP cobra medidas do Ministério da Agricultura

Diante do risco para as cadeias produtivas, o Sistema FAEP encaminhou, em 9 de junho, um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária solicitando medidas para evitar a interrupção dos embarques.

A entidade argumenta que o Brasil possui um sistema sanitário robusto e reúne condições técnicas para cumprir as exigências internacionais.

O Paraná é reconhecido oficialmente pela Organização Mundial de Saúde Animal como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021. O Brasil recebeu a mesma certificação em 2025 e, em 2026, todo o território nacional também foi reconhecido pela China nessa condição sanitária.

Essas conquistas ampliaram a credibilidade da pecuária brasileira e abriram oportunidades em mercados mais exigentes. Para o setor, o histórico sanitário deve ser considerado nas negociações com as autoridades europeias.

Auditorias podem acelerar retomada do frango brasileiro

Apesar do impacto imediato, existe expectativa de que a carne de frango volte à lista de produtos autorizados em um prazo menor.

Técnicos da União Europeia estão no Brasil desde 24 de agosto para realizar auditorias em propriedades e estabelecimentos ligados às cadeias de carne de frango e mel. As inspeções avaliam os sistemas de produção, processamento, fiscalização e controle de antimicrobianos.

A expectativa do Sistema FAEP é que as auditorias confirmem o cumprimento das exigências sanitárias e permitam a retirada da suspensão aplicada à proteína avícola.

“São muitos fatores em jogo, mas a nossa expectativa central permanece voltada para a rápida superação das exigências sanitárias e a retomada das exportações para o mercado europeu”, ressalta Meneguette.

Veto pode gerar efeitos além do mercado europeu

O acesso à União Europeia possui importância estratégica superior à participação direta do bloco nas exportações paranaenses. As normas europeias são consideradas referência por compradores de diferentes regiões, o que transforma uma restrição comercial em risco potencial para outros mercados.

Além da perda de receita, uma suspensão prolongada pode provocar excesso de oferta no mercado interno, redução das margens dos frigoríficos e pressão sobre os preços pagos aos pecuaristas e avicultores.

O setor produtivo espera que o Ministério da Agricultura intensifique as negociações diplomáticas e apresente rapidamente as garantias técnicas necessárias. A conclusão favorável das auditorias será decisiva para preservar contratos, recuperar a confiança dos compradores e evitar prejuízos mais amplos à pecuária do Paraná.

Fonte: Portal do Agronegócio

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