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Clima

El Niño e chuvas irregulares exigem atenção no plantio da soja e no milho safrinha, aponta Itaú BBA

Agro Mensal de outubro indica melhora da umidade no Centro-Oeste, excesso de chuva no Sul e início mais lento das precipitações no Matopiba; calendário da soja será decisivo para a segunda safra.


Publicado em: 15/10/2026 às 10:10hs

El Niño e chuvas irregulares exigem atenção no plantio da soja e no milho safrinha, aponta Itaú BBA

O retorno das chuvas favoreceu o início da safra de verão no Brasil, mas a distribuição desigual das precipitações mantém riscos para o estabelecimento das lavouras. Segundo o Agro Mensal de outubro de 2026, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o avanço do El Niño acentua os contrastes regionais, com maior frequência de chuva no Sul e condições mais secas ao norte do país.

A análise considera o cenário relativamente favorável à safra de verão, com perspectiva de melhora das condições de plantio no Centro-Oeste. O principal ponto de atenção é a regularidade das chuvas, especialmente quando intervalos de tempo seco coincidem com temperaturas elevadas.

Para o banco, um risco importante poderá surgir mais adiante, no milho segunda safra, caso atrasos na implantação da soja comprimam a janela de semeadura ou as chuvas terminem mais cedo no próximo outono.

Chuvas no Centro-Oeste favorecem plantio, mas recuperação é desigual

As precipitações começaram a retornar ao Centro-Oeste na passagem de setembro para outubro. Em áreas de Mato Grosso e Goiás, a melhora da umidade do solo permitiu o avanço da semeadura.

Essa recuperação, porém, ocorreu de maneira desigual. Enquanto algumas localidades receberam volumes favoráveis, outras permaneceram por mais tempo sob condições de tempo aberto.

Para as semanas seguintes ao levantamento, o relatório indica tendência de maior abrangência das chuvas, com possibilidade de avanço mais consistente do plantio. Ainda assim, os volumes podem variar significativamente entre as regiões.

O Itaú BBA destaca que temperaturas elevadas e intervalos prolongados sem chuva podem reduzir rapidamente a umidade superficial do solo, aumentando as dificuldades para as lavouras, sobretudo após a emergência.

Excesso de umidade limita operações no Sul

No Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a frequência das precipitações manteve condições mais úmidas entre a segunda quinzena de setembro e o início de outubro.

A disponibilidade de água favorece a implantação e o desenvolvimento inicial das culturas de verão. Em algumas áreas, entretanto, os volumes ficaram acima do ideal e reduziram as oportunidades para realizar operações de campo.

O acompanhamento regional exige, portanto, atenção tanto à disponibilidade de umidade para as plantas quanto aos efeitos dos excessos sobre o calendário agrícola.

Matopiba tem início de chuvas mais lento e irregular

No Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, o início do período chuvoso apresenta maior irregularidade.

O relatório aponta necessidade de cautela no avanço do plantio, especialmente em Tocantins, Maranhão, Piauí e oeste da Bahia.

A diferença em relação ao Centro-Oeste reforça que o comportamento climático precisa ser avaliado por região. A melhora das precipitações em uma área não significa que as mesmas condições estejam presentes em todas as zonas produtoras.

Calendário da soja pode ampliar risco para o milho safrinha

A implantação da soja influencia diretamente o momento em que o milho segunda safra poderá ser semeado.

Segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, o risco climático mais relevante poderá aparecer caso a irregularidade das chuvas pressione o calendário da oleaginosa. Atrasos nessa etapa podem reduzir a janela disponível para o cereal após a colheita.

Outro fator de atenção é a possibilidade de as precipitações perderem força mais cedo no próximo outono. A combinação entre semeadura tardia e menor disponibilidade de água poderá aumentar a exposição do milho ao risco climático.

A análise apresenta essas condições como riscos a acompanhar, sem apontar uma perda de produção já definida.

Café e laranja se beneficiam do retorno das precipitações

As culturas perenes também responderam à recuperação da umidade ao longo de setembro.

No café, as chuvas favoreceram a abertura e o desenvolvimento das floradas relacionadas à safra 2027/28 nas principais regiões produtoras.

Na laranja, a melhora da umidade contribuiu para as condições das lavouras durante o florescimento.

O desenvolvimento dessas culturas continuará dependendo da evolução das precipitações e das temperaturas nas etapas seguintes.

Cana tem recuperação dos canaviais e menos oportunidades de colheita

Para a cana-de-açúcar, o retorno das chuvas apresentou efeitos distintos. A umidade favoreceu a recuperação dos canaviais, mas reduziu as janelas disponíveis para colheita e moagem.

Esse contraste mostra por que o efeito das precipitações depende também do estágio da cultura: a água pode beneficiar o desenvolvimento das plantas e, simultaneamente, dificultar operações agrícolas.

Distribuição das chuvas será determinante para a safra

O Agro Mensal ressalta que a intensidade do El Niño, isoladamente, não define os resultados da produção agrícola.

Os impactos dependerão da distribuição das chuvas, das temperaturas e do estágio de desenvolvimento de cada cultura. No cenário apresentado pelo relatório, a melhora da umidade oferece suporte à safra de verão, enquanto a irregularidade regional e seus reflexos sobre o calendário mantêm o milho safrinha entre os principais pontos de atenção.

Fonte: Portal do Agronegócio

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