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Clima

El Niño amplia riscos para o agro brasileiro com seca, chuvas intensas e calor

Efeitos variam entre regiões e exigem planejamento local; estudo projeta Brasil como o país sul-americano com maior mortalidade adicional associada ao calor


Publicado em: 07/10/2026 às 10:35hs

El Niño amplia riscos para o agro brasileiro com seca, chuvas intensas e calor

O El Niño aumenta a atenção sobre a produção agrícola brasileira diante da possibilidade de seca, chuvas intensas e calor extremo em diferentes regiões. Com impactos previstos até fevereiro de 2027, o fenômeno exige que produtores e empresas avaliem suas vulnerabilidades conforme a localização e as características de cada atividade.

Um estudo do Laboratório de Impacto Climático, ligado à Universidade de Chicago, projeta que o Brasil seja o país da América do Sul mais afetado em número de mortes adicionais relacionadas ao calor durante o evento. Essa projeção se refere à mortalidade, sem estabelecer uma classificação geral das perdas econômicas ou agrícolas entre os países. climate.uchicago.edu

Para o agronegócio, o desafio está na diversidade dos efeitos climáticos. A ocorrência de déficit hídrico em algumas áreas e excesso de precipitação em outras pode comprometer a produtividade e dificultar a continuidade das operações.

Riscos climáticos variam conforme a região

Segundo Alexandre Farias, consultor em sustentabilidade da Sustentalli, a avaliação dos impactos precisa considerar a realidade de cada localidade. A exposição à seca ou às inundações depende tanto das condições climáticas quanto da capacidade de adaptação das cidades e das empresas.

Na análise do consultor, o aquecimento mais intenso do oceano contribui para alterações nos padrões climáticos, mas as consequências não se distribuem de maneira uniforme pelo território.

Esse cenário reforça a necessidade de planejamento regional. Empresas com operações em diferentes localidades podem enfrentar problemas distintos durante o mesmo período, exigindo respostas específicas para cada unidade ou atividade.

Produção de alimentos e energia hídrica estão entre as preocupações

No campo, a falta de água e o excesso de chuva podem provocar perdas de produtividade. Por isso, Farias defende que a identificação das vulnerabilidades climáticas faça parte do planejamento das empresas ligadas à produção de alimentos.

A exposição também alcança atividades dependentes da geração de energia por fonte hídrica. Em situações de redução das chuvas e avanço da seca, a disponibilidade desse recurso pode representar um desafio adicional às operações.

Segundo o consultor, os planos de adaptação devem estar alinhados à política de mudança climática de cada organização, com medidas direcionadas aos riscos efetivamente identificados.

Estudo projeta impacto do calor extremo sobre a população

Além dos efeitos produtivos, o relatório do Laboratório de Impacto Climático estima aproximadamente 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em comparação com um ano normal. Para o Brasil, a projeção é de cerca de 13,3 mil mortes adicionais. Os números são estimativas, e não um balanço de ocorrências já registradas. Climate Impact Lab

O levantamento acrescenta uma dimensão humana à discussão sobre preparação para eventos extremos. A projeção brasileira coloca o país em destaque na América do Sul quanto aos riscos do calor para a população.

Adaptação precisa integrar o planejamento das empresas

Farias avalia que as ações de adaptação ainda recebem menos atenção do que as iniciativas destinadas à redução de emissões.

Na visão do consultor, muitas organizações aguardam respostas do poder público, embora também possam desenvolver medidas próprias de prevenção e preparação. Isso envolve identificar operações mais expostas, analisar os riscos associados à localização e estabelecer planos de contingência.

Para as empresas do agro, incorporar essa avaliação ao planejamento permite orientar ações diante de cenários distintos de seca e excesso de chuva. Segundo Farias, antecipar essas decisões é um passo necessário para reduzir perdas e preservar a continuidade das atividades.

Fonte: Portal do Agronegócio

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