Manejo de doenças na soja muda com avanço de novos desafios fitossanitários e exige estratégias mais personalizadas
Evolução das doenças, mudanças climáticas e pressão econômica levam produtores a reformular programas de fungicidas para garantir produtividade na próxima safra
Publicado em: 16/07/2026 às 07:00hs
O manejo de doenças na soja brasileira está entrando em uma nova fase. A evolução do cenário fitossanitário, as mudanças nas condições climáticas e a necessidade de maior eficiência econômica estão levando produtores a revisar estratégias de controle e adotar programas cada vez mais ajustados às características de cada região produtora.
O tema foi um dos principais destaques do Trend Group Fungicidas 2026, promovido pela ADAMA, que reuniu pesquisadores, consultores e especialistas do setor agrícola para discutir os desafios da próxima safra de soja e algodão.
Durante o encontro, especialistas reforçaram que doenças antes consideradas secundárias, como cercospora e mancha-parda, passaram a ganhar relevância ao lado de problemas históricos, como a ferrugem asiática, exigindo uma visão mais ampla do manejo desde o início do ciclo da cultura.
Doenças da soja ganham novo protagonismo no planejamento da safra
A mudança no perfil das doenças está alterando a forma como o produtor estrutura seus programas fitossanitários. Atualmente, a estratégia não depende apenas da identificação da doença predominante, mas da análise conjunta de fatores como ambiente de produção, histórico da área, clima e capacidade operacional.
O pesquisador Marcelo Madalosso, da Madalosso Pesquisa, e os consultores Luis Carregal, da AgroCarregal; Nédio Tormen, da Verde Agro; e Jefferson Brambila, da J&A Inteligência Agronômica, destacaram durante o evento que as decisões dentro da lavoura estão cada vez mais conectadas a fatores agronômicos e econômicos.
Além disso, o economista José Eustáquio Filho, da Taco Agro, abordou como aspectos macroeconômicos e geopolíticos também passaram a influenciar o planejamento agrícola, afetando custos, disponibilidade de insumos e estratégias de investimento.
Ferrugem asiática divide espaço com outras doenças foliares
Segundo especialistas, o desafio atual do manejo não está apenas no aumento da pressão das doenças, mas na diversidade de problemas que podem comprometer o potencial produtivo da soja.
No Sul do Brasil, o cenário indica maior atenção para doenças foliares como cercospora, mancha-parda e ferrugem asiática. As condições de maior umidade e temperaturas elevadas favorecem o desenvolvimento desses patógenos, aumentando os riscos de perda de área fotossintética e antecipação da desfolha das plantas.
Outro ponto de preocupação está relacionado às janelas de aplicação. Condições climáticas adversas podem reduzir o período disponível para entrada de máquinas no campo, tornando o planejamento antecipado ainda mais importante.
Cerrado exige programas de manejo mais robustos
Nas regiões do Cerrado, os desafios permanecem relacionados principalmente à pressão de doenças como mancha-alvo, cercospora, mancha-parda e septoriose.
Em sistemas produtivos intensivos, com temperaturas elevadas e períodos frequentes de chuva, especialistas destacam a necessidade de programas capazes de proteger a cultura durante diferentes fases do desenvolvimento.
A combinação de mecanismos de ação, tecnologias fungicidas e estratégias preventivas passa a ser essencial para aumentar a estabilidade do controle e reduzir riscos durante a safra.
Algodão também demanda atenção para doenças
Além da soja, o algodão esteve entre os temas discutidos no encontro. A ramulária foi apontada como um dos principais desafios fitossanitários da cultura, exigindo monitoramento constante e programas de manejo capazes de acompanhar a evolução da doença ao longo do ciclo produtivo.
Em ambientes de alta produtividade, a prevenção e o acompanhamento contínuo tornam-se fundamentais para evitar impactos no rendimento e na qualidade da produção.
Custos e mercado influenciam decisões dentro da lavoura
A tomada de decisão no manejo fitossanitário passou a considerar não apenas aspectos técnicos, mas também fatores econômicos.
Oscilações cambiais, preços das commodities, custos de produção e disponibilidade de insumos influenciam diretamente as escolhas dos produtores, que buscam soluções capazes de reduzir riscos sem comprometer o potencial produtivo.
Nesse cenário, tecnologias que proporcionam maior eficiência, estabilidade de controle e melhor aproveitamento dos investimentos ganham espaço nos sistemas agrícolas.
Planejamento antecipado se torna diferencial no controle de doenças
Para Marcelo Gimenes, gerente de Fungicidas da ADAMA, o manejo moderno exige uma mudança de postura por parte do produtor.
“O manejo deixa de ser uma resposta ao aumento da pressão de doenças e passa a ser construído desde o início da safra. Hoje, o produtor precisa considerar quais doenças predominam em cada região, como elas evoluem ao longo do ciclo e quais fatores podem comprometer a eficiência do controle”, afirma.
Segundo o especialista, o desafio atual é desenvolver programas capazes de acompanhar um ambiente agrícola em constante transformação.
“Durante muitos anos, o desafio era responder bem às doenças predominantes em cada safra. Hoje, o desafio é construir um programa de manejo capaz de acompanhar um cenário que muda o tempo todo. Esse passa a ser um dos principais diferenciais para proteger o potencial produtivo da lavoura”, conclui.
A tendência para as próximas safras é de um manejo cada vez mais integrado, combinando conhecimento técnico, tecnologias agrícolas e decisões baseadas nas particularidades de cada região produtora.
Fonte: Portal do Agronegócio
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