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Soja

Soja sobe em Chicago, volta a mirar US$ 12 por bushel e mercado acompanha clima nos EUA, China e tensão no Oriente Médio

Cotações da soja avançam na Bolsa de Chicago impulsionadas pelo petróleo, demanda chinesa, expectativa para dados de esmagamento nos EUA e cenário geopolítico, enquanto mercado físico brasileiro segue firme em importantes regiões produtoras


Publicado em: 15/07/2026 às 11:44hs

Soja sobe em Chicago, volta a mirar US$ 12 por bushel e mercado acompanha clima nos EUA, China e tensão no Oriente Médio

A soja voltou a registrar valorização na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quarta-feira (15), recuperando parte das perdas da sessão anterior e recolocando os contratos próximos da marca psicológica de US$ 12 por bushel. O movimento reflete uma combinação de fatores que seguem dominando o mercado global: clima nas lavouras norte-americanas, demanda da China, desempenho dos derivados, alta do petróleo e os desdobramentos das tensões no Oriente Médio.

No início da manhã, os principais contratos futuros avançavam entre 5 e 7,25 pontos, com os vencimentos agosto e novembro negociados a US$ 11,97 por bushel, enquanto o contrato para janeiro de 2027 era cotado a US$ 12,12 por bushel.

A recuperação ocorre após o mercado ter realizado lucros na véspera, depois de alcançar os maiores níveis em aproximadamente dois meses.

Petróleo, geopolítica e mercados agrícolas sustentam as cotações

Além dos fundamentos próprios da soja, o mercado acompanha o desempenho positivo dos demais grãos negociados em Chicago.

O trigo registrava forte valorização superior a 3%, enquanto milho, farelo e óleo de soja também operavam em alta, oferecendo suporte adicional às cotações da oleaginosa.

Outro fator de peso continua sendo o cenário geopolítico. A intensificação das incertezas envolvendo Estados Unidos e Irã mantém elevada a volatilidade no mercado internacional de energia.

Os contratos do petróleo seguem acima dos US$ 80 por barril, com o Brent negociado próximo de US$ 85,50, refletindo preocupações relacionadas ao Estreito de Ormuz e à ausência de avanços diplomáticos entre Washington e Teerã. A valorização do petróleo fortalece especialmente o mercado de óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.

Clima nos Estados Unidos segue como principal fator para a soja

Apesar da recuperação dos preços, o clima permanece como o principal direcionador das negociações.

Os investidores acompanham diariamente os mapas meteorológicos para o Meio-Oeste norte-americano, onde a safra evolui em fases decisivas de desenvolvimento.

Segundo os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 65% das lavouras apresentam condição boa ou excelente, um ponto percentual acima da semana anterior.

Além disso:

  • 50% da área cultivada já entrou na fase de floração;
  • 19% das lavouras iniciaram a formação de vagens.

Esse bom desenvolvimento da safra limita movimentos mais fortes de alta, já que amplia as perspectivas de uma produção robusta nos Estados Unidos.

Mercado aguarda dados da NOPA e novas compras da China

Os operadores também aguardam a divulgação do relatório mensal da NOPA (Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos), que traz números atualizados sobre o esmagamento de soja e os estoques de óleo.

O relatório costuma provocar oscilações relevantes nas cotações por oferecer um retrato da demanda interna norte-americana.

No mercado internacional, outro ponto de atenção continua sendo a China.

A demanda chinesa permanece oferecendo sustentação às cotações, diante do ritmo consistente de compras da soja norte-americana e do elevado volume de importações registrado recentemente.

Em junho, o país asiático importou 13,55 milhões de toneladas, crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período do ano passado, reforçando o apetite pela commodity.

Produção recorde no Brasil e dólar influenciam os preços

No mercado brasileiro, a valorização do real frente ao dólar ajudou a reduzir parte da competitividade da soja nacional nas exportações, limitando impactos positivos da alta registrada em Chicago.

Ao mesmo tempo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou novamente sua estimativa para a safra brasileira, projetando uma produção recorde de 180,57 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como maior produtor mundial da oleaginosa.

Mesmo diante desse cenário, os preços internos permanecem relativamente sustentados em diversas regiões produtoras.

Mercado físico segue firme, mas logística preocupa produtores

Segundo análises do mercado, o comportamento dos preços no Brasil continua sendo influenciado tanto pelo câmbio quanto pelos desafios logísticos enfrentados durante a comercialização da safra.

No Rio Grande do Sul, a soja atingiu R$ 142 por saca no porto de Rio Grande.

No Paraná, os negócios em Paranaguá também giraram ao redor de R$ 142 por saca, enquanto a entrada da safra de milho amplia a disputa por espaço nos armazéns.

Em Mato Grosso, o setor enfrenta forte pressão logística, com elevada ocupação dos silos e necessidade crescente de armazenagem.

Já em Mato Grosso do Sul, algumas regiões registraram recuperação dos preços, embora produtores demonstrem preocupação com a redução dos recursos destinados ao Plano Safra.

Em Santa Catarina, a comercialização segue moderada, limitada pelos custos de produção e pela capacidade restrita de armazenagem.

Mercado segue atento aos próximos catalisadores

Os próximos dias prometem manter elevada a volatilidade da soja nos mercados internacionais.

Além da evolução do clima nos Estados Unidos, investidores acompanham atentamente:

  • os resultados do relatório da NOPA;
  • o ritmo das compras chinesas;
  • o comportamento do petróleo;
  • os desdobramentos da geopolítica no Oriente Médio;
  • o câmbio e a logística brasileira.

A combinação desses fatores deverá definir se a soja conseguirá romper novamente a barreira dos US$ 12 por bushel e sustentar um novo ciclo de valorização tanto no mercado internacional quanto no mercado físico brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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