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Biológicos e Bioinsumos

Biofertilizantes avançam no Brasil e consolidam nova era da agricultura sustentável com foco em produtividade e eficiência

Crescimento dos registros no Ministério da Agricultura revela amadurecimento do mercado de tecnologias biológicas, impulsionado pela busca por maior aproveitamento de nutrientes, redução de custos e sistemas agrícolas mais resilientes.


Publicado em: 15/07/2026 às 15:00hs

Biofertilizantes avançam no Brasil e consolidam nova era da agricultura sustentável com foco em produtividade e eficiência

O mercado brasileiro de biofertilizantes entrou em uma nova fase de desenvolvimento. Mais do que o aumento no número de produtos registrados, o avanço desse segmento revela uma mudança estrutural na agricultura nacional, marcada pela busca por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e uso inteligente dos recursos disponíveis.

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) mostram que, entre 2019 e junho de 2026, foram registrados 33 biofertilizantes no Brasil, distribuídos em seis categorias tecnológicas e desenvolvidos por 17 empresas.

Embora o número ainda seja pequeno diante da dimensão do agronegócio brasileiro, especialistas avaliam que o movimento representa a consolidação de uma nova categoria de insumos agrícolas baseada em tecnologias biológicas voltadas para a fisiologia das plantas e eficiência nutricional.

Segundo Anderson Nora Ribeiro, engenheiro agrônomo e sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão, o avanço regulatório demonstra o amadurecimento de um mercado que até pouco tempo ainda buscava definição dentro da cadeia agrícola.

“Mais do que o crescimento dos registros, esse movimento representa a consolidação de uma nova geração de tecnologias voltadas para melhorar o desempenho das culturas e otimizar o uso dos recursos disponíveis”, avalia.

Regulamentação impulsionou crescimento dos biofertilizantes

Um dos principais marcos para o desenvolvimento do setor foi a publicação da Instrução Normativa nº 61, em 2020, que estabeleceu critérios específicos para o registro de biofertilizantes no país.

Antes da regulamentação, muitos produtos com características bioestimulantes eram enquadrados em outras categorias de insumos agrícolas, dificultando a padronização e a comunicação dos benefícios ao produtor rural.

A criação de regras próprias permitiu maior organização do mercado, mas o processo de adaptação foi gradual. As empresas precisaram estruturar estudos técnicos, documentação científica e processos de registro junto ao MAPA.

Entre 2019 e 2022, apenas cinco produtos foram registrados. O cenário começou a mudar a partir de 2023, quando o setor ganhou ritmo:

  • 2023: nove registros;
  • 2024: seis registros;
  • 2025: cinco registros;
  • Primeiro semestre de 2026: oito novos registros.

O avanço mostra uma aceleração dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e regularização de tecnologias biológicas.

Biofertilizantes não substituem fertilizantes minerais, mas aumentam eficiência

Apesar do nome, os biofertilizantes não devem ser vistos como substitutos dos fertilizantes minerais tradicionais.

O papel dessas tecnologias é complementar: melhorar a capacidade das plantas de utilizar nutrientes, estimular processos fisiológicos e aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.

Produzidos a partir de matérias-primas naturais, como aminoácidos, extratos de algas marinhas, substâncias húmicas e compostos vegetais, esses produtos atuam diretamente sobre o desenvolvimento das culturas.

Entre os principais benefícios estão:

  • estímulo ao crescimento radicular;
  • melhoria da fotossíntese;
  • maior aproveitamento dos nutrientes aplicados;
  • aumento da tolerância a períodos de seca e calor;
  • maior resistência a estresses ambientais.

Na agricultura moderna, o desafio não está apenas em aplicar mais nutrientes, mas em fazer com que as plantas aproveitem melhor aquilo que já está disponível no solo e nos fertilizantes utilizados.

Crises globais aceleram busca por eficiência agrícola

Nos últimos anos, a volatilidade do mercado mundial de fertilizantes aumentou a atenção sobre tecnologias capazes de elevar a eficiência nutricional das lavouras.

A pandemia de Covid-19 expôs fragilidades nas cadeias globais de fornecimento, enquanto conflitos internacionais provocaram aumento nos preços dos fertilizantes minerais e pressionaram os custos de produção.

Esse cenário reforçou uma mudança de estratégia no campo: produzir mais não dependerá apenas do aumento da quantidade de insumos aplicados, mas da capacidade das plantas de utilizar melhor os recursos disponíveis.

Nesse contexto, os biofertilizantes ganham espaço como ferramentas estratégicas para complementar a nutrição tradicional e tornar os sistemas agrícolas mais eficientes e sustentáveis.

Aminoácidos e algas lideram mercado brasileiro

A evolução dos registros junto ao MAPA também revela as principais tendências tecnológicas do setor.

Os produtos à base de aminoácidos lideram o mercado brasileiro regulado, com 13 registros, representando cerca de 39% do total.

Na sequência aparecem os biofertilizantes formulados com extratos de algas, que somam 10 registros, aproximadamente 30% do mercado.

Juntas, essas duas categorias representam cerca de 70% dos produtos registrados no país.

Também cresce a participação de formulações combinadas, que associam diferentes compostos biológicos, como aminoácidos e substâncias húmicas, seguindo uma tendência mundial de desenvolvimento de produtos multifuncionais.

Mercado tem grande potencial de expansão

Apesar do crescimento, especialistas avaliam que o setor ainda está longe de atingir todo o seu potencial.

Segundo Anderson Nora Ribeiro, existem centenas de produtos comercializados no Brasil contendo compostos naturais, como aminoácidos, extratos vegetais e substâncias húmicas, que ainda não possuem registro específico como biofertilizantes.

Muitos desses produtos permanecem enquadrados em outras classificações regulatórias, o que limita a comunicação técnica de seus benefícios ao mercado.

A ampliação dos registros tende a gerar impactos positivos em toda a cadeia:

  • empresas terão maior segurança jurídica;
  • distribuidores contarão com categorias mais claras;
  • pesquisadores terão ambiente regulatório mais estruturado;
  • produtores terão acesso a informações mais confiáveis.
Agricultura brasileira caminha para uma nova geração de tecnologias biológicas

O crescimento dos biofertilizantes representa mais do que uma tendência de mercado. O avanço indica uma transformação na forma como a agricultura brasileira encara a nutrição vegetal e o uso de tecnologias para aumentar produtividade.

Com os desafios relacionados às mudanças climáticas, aumento dos custos de produção e necessidade de produzir mais alimentos utilizando menos recursos, os biofertilizantes tendem a assumir papel cada vez mais estratégico.

A combinação entre ciência, inovação e processos naturais pode colocar o Brasil entre os líderes globais no desenvolvimento de tecnologias biológicas aplicadas à agricultura.

Para especialistas, o futuro da produção agrícola dependerá cada vez mais da integração entre fertilizantes tradicionais, biotecnologia e manejo eficiente dos recursos naturais.

O avanço dos registros no MAPA mostra que essa transformação já começou: os biofertilizantes deixaram de ser uma promessa e passaram a fazer parte da nova geração de ferramentas para uma agricultura mais produtiva, competitiva e sustentável.

Fonte: Portal do Agronegócio

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