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Análise de Mercado

Soja e milho sob pressão: colheita nos EUA e clima no Brasil limitam recuperação dos preços

Biond Agro vê pouco espaço para altas sustentadas até janeiro; plantio brasileiro próximo da média histórica favorece perspectiva para o milho safrinha de 2027


Publicado em: 21/10/2026 às 10:45hs

Soja e milho sob pressão: colheita nos EUA e clima no Brasil limitam recuperação dos preços

O avanço da colheita nos Estados Unidos e as perspectivas favoráveis para a produção brasileira mantêm os preços da soja e do milho pressionados. Embora a retomada das compras chinesas de soja americana ajude a conter as perdas, a oferta elevada reduz o espaço para uma recuperação consistente das cotações até janeiro, segundo análise da Biond Agro.

No Brasil, o plantio da soja acompanha a média histórica. A expectativa de chuvas regulares em importantes regiões produtoras favorece o desenvolvimento das lavouras e pode contribuir para a implantação do milho safrinha de 2027 dentro da janela adequada.

O cenário, entretanto, apresenta diferenças regionais: enquanto o retorno das precipitações acelerou os trabalhos no Centro-Oeste, o excesso de umidade prejudica operações no Paraná.

Soja e milho acumulam perdas na Bolsa de Chicago

No fechamento de 16 de outubro, o contrato de soja para novembro foi negociado a 1.260,50 centavos de dólar por bushel, com queda de 2,4% na semana. O milho para dezembro encerrou a sessão a 474,25 centavos de dólar por bushel, acumulando recuo semanal de 1,1%.

Para Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, as aquisições chinesas oferecem sustentação parcial ao mercado, mas ainda não são suficientes para desencadear novas altas.

A avaliação da consultoria é que a continuidade da colheita americana, combinada às boas perspectivas para a safra brasileira, mantém o viés de pressão sobre as cotações.

Safra americana de soja cresce, mas qualidade exige atenção

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de produção de soja do país para a temporada 2026/27 de 123,4 milhões para 124,2 milhões de toneladas. A produtividade projetada é recorde, de 3,57 toneladas por hectare.

Os primeiros resultados da colheita reforçam a expectativa de uma produção volumosa. A qualidade dos grãos, porém, passou a receber maior atenção após relatos de mofo e brotamento em Iowa, associados ao excesso de chuva.

Até o momento, segundo a análise apresentada, não há indicação de impacto relevante desses problemas sobre o volume produzido.

Isabella destaca que perdas de produtividade ou dificuldades de qualidade mais abrangentes poderiam alterar as expectativas. Por enquanto, a disponibilidade americana permanece como o principal fator de pressão sobre os preços.

Plantio da soja no Brasil favorece planejamento da safrinha

Até 9 de outubro, a semeadura da soja brasileira havia alcançado 15,6% da área prevista, ligeiramente acima da média de 15,2% dos últimos cinco anos.

A retomada das chuvas no Centro-Oeste permitiu acelerar as operações, com Mato Grosso à frente do ritmo nacional. As projeções consideradas pela Biond Agro indicam precipitações regulares no Centro-Oeste e no Matopiba até janeiro.

Caso esse cenário se confirme, as condições podem favorecer o desenvolvimento da soja, uma colheita antecipada e a abertura de espaço para o plantio do milho de segunda safra no período adequado.

No Paraná, a situação exige cautela. O excesso de chuva dificulta a entrada de máquinas nas áreas e provoca falhas de germinação e necessidade de replantio em parte das lavouras.

Compras chinesas oferecem suporte, mas oferta segue determinante

A demanda da China tem ajudado a limitar as quedas em Chicago, mas não compensa integralmente a pressão provocada pela entrada da safra dos Estados Unidos.

A partir de janeiro, a chegada da soja brasileira tende a ampliar a disponibilidade global. Nesse período, segundo a consultoria, boa parte das compras chinesas de produto americano já deverá ter ocorrido.

Por isso, a Biond Agro considera mais provável a ocorrência de recuperações pontuais, em vez de uma trajetória contínua de valorização.

Uma mudança mais expressiva dependeria de fatores como perdas na produção americana, falta de chuva nas regiões produtoras brasileiras ou alterações na política comercial chinesa.

Milho brasileiro tem negócios lentos e perspectiva de oferta elevada

No mercado doméstico de milho, os compradores mantêm uma postura cautelosa. A análise relaciona o ritmo lento dos negócios à espera pelo segundo turno das eleições e por condições mais favoráveis de crédito externo.

A Conab projeta 148 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27, acima das 144,5 milhões de toneladas estimadas para o ciclo anterior.

A perspectiva de maior produção contribui para um quadro de oferta confortável e limita os fatores de sustentação dos preços no curto prazo.

Diferença entre contratos da B3 abre alternativa para quem pode armazenar

Em 16 de outubro, o contrato de milho para março de 2027 na B3 apresentava valor R$ 9,15 por saca superior ao vencimento de novembro.

Segundo a Biond Agro, essa diferença favorece a avaliação de vendas futuras por produtores que dispõem de armazenagem e não precisam comercializar imediatamente para atender ao fluxo de caixa.

A orientação da consultoria é acompanhar a curva de preços da B3 e considerar a fixação gradual de parte da produção durante eventuais recuperações, especialmente para o milho safrinha de 2027. Para a soja, a estratégia indicada também envolve aproveitar oportunidades pontuais, diante da ausência de fatores que sustentem uma alta prolongada.

Fonte: Portal do Agronegócio

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