Milho cai em Chicago e segue pressionado no Brasil com oferta elevada e compras lentas
Contrato dezembro/26 opera abaixo de US$ 4,60 por bushel; compradores brasileiros restringem aquisições, enquanto chuvas dificultam o plantio no Sul
Publicado em: 21/10/2026 às 11:20hs
Os preços do milho seguem pressionados no Brasil e no mercado internacional nesta quarta-feira (21). A oferta elevada, a cautela dos consumidores e o ritmo mais lento das exportações limitam os negócios domésticos. Em Chicago, o avanço da colheita nos Estados Unidos e a perspectiva de ampla disponibilidade do cereal mantêm os contratos futuros em queda.
No mercado brasileiro, compradores priorizam a reposição de estoques e evitam ampliar aquisições, enquanto produtores avançam na fixação de ofertas. Ao mesmo tempo, o excesso de chuva interfere na implantação da safra de verão no Sul, aumentando a atenção às condições das lavouras.
Chicago amplia perdas com avanço da colheita americana
Por volta das 8h50, no horário de Brasília, o contrato de milho para dezembro de 2026 era negociado a US$ 4,59 por bushel, queda de 3 centavos. O março/27 recuava 2,75 centavos, para US$ 4,7325, enquanto o maio/27 apresentava baixa de igual intensidade, a US$ 4,8125 por bushel. O julho/27 perdia 3 centavos, cotado a US$ 4,8775.
O movimento dava continuidade às perdas dos dois primeiros pregões da semana. Na segunda-feira (19), o dezembro/26 caiu 1,53%. Na terça-feira (20), encerrou a sessão a US$ 4,62 por bushel, com recuo de 1,07%.
Segundo análise da Pro Farmer, as condições favoráveis aos trabalhos de campo no Meio-Oeste americano continuam pesando sobre os preços dos grãos.
Produção de 407,28 milhões de toneladas reforça pressão sobre os futuros
O levantamento de progresso das lavouras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na segunda-feira, mostrou que a colheita de milho atingiu 44% da área, ante 33% na semana anterior e média histórica de 52%.
Embora os trabalhos estejam atrasados em relação ao ritmo habitual, a previsão de tempo predominantemente seco favorece a continuidade das operações e a entrada de novos volumes no mercado.
A pressão também reflete as estimativas do relatório de outubro do USDA, que elevou a produção americana para 407,28 milhões de toneladas e os estoques finais para 46,97 milhões de toneladas.
Na demanda externa, os indicadores apresentam sinais distintos. As inspeções semanais de exportação recuaram 48,8%, para aproximadamente 672,5 mil toneladas. Já o relatório de vendas divulgado na sexta-feira anterior apontou crescimento de 46%, para 1,122 milhão de toneladas.
Os dois levantamentos acompanham etapas diferentes do comércio exterior e mantêm o mercado atento à capacidade das exportações de absorver a oferta projetada.
Compradores abastecidos limitam negócios no Brasil
No mercado doméstico, a expectativa é de continuidade da lentidão comercial. Segundo Allan Maia, analista de Safras & Mercado, consumidores sinalizam bom abastecimento e aguardam possíveis quedas adicionais antes de assumir novas posições.
Os produtores, por sua vez, têm avançado na fixação de ofertas, sem que isso resulte em aceleração generalizada dos negócios.
A avaliação do Cepea de que a oferta nacional supera a demanda, somada ao desempenho mais lento das exportações, reforça a pressão sobre as cotações.
O câmbio também permanece no radar diante da proximidade do segundo turno das eleições presidenciais. No levantamento financeiro apresentado, o dólar comercial registrava leve alta de 0,02%, a R$ 5,0190, próximo da estabilidade.
Preço do milho nos portos e nas principais praças
Nas referências reunidas por Safras & Mercado, o milho era indicado entre R$ 63,50 e R$ 68 por saca no Porto de Santos, na condição CIF. Em Paranaguá, a faixa estava entre R$ 63 e R$ 67 por saca.
Em São Paulo, os preços variavam de R$ 58 a R$ 61 na Mogiana e de R$ 64,50 a R$ 65 em Campinas, na condição CIF. Em Uberlândia (MG), as indicações estavam entre R$ 63 e R$ 65 por saca.
No Centro-Oeste, Rio Verde (GO) apresentava referências de R$ 56 a R$ 58 por saca CIF, enquanto Rondonópolis (MT) registrava valores entre R$ 51 e R$ 54.
As cotações variam conforme praça, frete, prazo e condições de negociação.
Rio Grande do Sul e Santa Catarina enfrentam excesso de umidade
No Rio Grande do Sul, a TF Agroeconômica aponta preços entre R$ 60 e R$ 70 por saca, com referência de R$ 75 em Cruz Alta. A média estadual apurada pela Emater recuou 0,37%, para R$ 62,44. No levantamento de Safras & Mercado, Erechim apresentou indicações entre R$ 68,50 e R$ 70.
Segundo a Conab, o plantio gaúcho da safra 2026/27 alcançou 80% da área prevista. Chuvas frequentes e baixa luminosidade dificultam as operações, enquanto a umidade amplia a preocupação com doenças.
Em Santa Catarina, vendedores indicam aproximadamente R$ 60 por saca, mas compradores oferecem cerca de R$ 55. A diferença restringe o fechamento de negócios.
A semeadura catarinense chegou a 86% da área, embora o excesso de chuva prejudique os trabalhos nos solos mais úmidos.
Paraná registra quedas de preços e danos localizados nas lavouras
No Paraná, o levantamento da TF Agroeconômica aponta recuo de 1,90% no Oeste, para R$ 53,12 por saca. Em Cascavel, a queda foi de 1,74%, para R$ 56,03. Londrina apresentou movimento contrário, com alta de 0,33%, para R$ 63,61.
Em outra referência comercial, Safras & Mercado indicou negócios entre R$ 56 e R$ 59 por saca em Cascavel.
O plantio estadual atingiu 90%, mas episódios de granizo e vendavais provocaram danos em algumas áreas. As lavouras também exigem acompanhamento da presença de pragas.
Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 52 e R$ 54 por saca. A indústria de bioenergia continua absorvendo parte da produção, enquanto os demais compradores concentram suas aquisições na reposição de estoques.
A combinação de oferta ampla, demanda cautelosa e pressão externa mantém limitado o espaço para reação dos preços. O avanço da colheita americana, o ritmo das exportações e o comportamento do câmbio seguem entre os principais fatores acompanhados pelos agentes.
Fonte: Portal do Agronegócio
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