Soja recua em Chicago e pressiona preços no Brasil; chuvas dificultam plantio
Colheita dos EUA chega a 64% e pesa sobre os futuros, apesar das compras chinesas; no Brasil, excesso de umidade limita operações e exige atenção à janela do milho safrinha
Publicado em: 21/10/2026 às 11:50hs
Os preços da soja seguem pressionados pela entrada da safra dos Estados Unidos, enquanto o excesso de chuva dificulta o plantio brasileiro de 2026/27. Na manhã desta quarta-feira (21), os contratos futuros recuavam novamente na Bolsa de Chicago, prolongando as perdas dos dois pregões anteriores, mesmo com novos anúncios de vendas para a China.
No mercado brasileiro, o levantamento da TF Agroeconômica referente à terça-feira (20) mostrou quedas em diferentes praças, embora tenham ocorrido valorizações pontuais. Além das cotações internacionais, frete, descontos e prazos de pagamento influenciam as decisões de comercialização dos produtores.
Soja cai em Chicago com avanço da colheita americana
Por volta das 8h47, no horário de Brasília, o contrato novembro de 2026 era negociado a US$ 12,43 por bushel, queda de 5,25 pontos.
O vencimento janeiro de 2027 recuava 5,75 pontos, para US$ 12,5775 por bushel, enquanto março de 2027 perdia 6,50 pontos, cotado a US$ 12,6675. Maio e julho de 2027 também registravam baixas.
A pressão acompanha o avanço da colheita americana. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 64% da área de soja havia sido colhida até 18 de outubro, aumento de 18 pontos percentuais em uma semana. O resultado ficou próximo da média histórica de 65%.
As condições meteorológicas favoráveis aos trabalhos reforçam a expectativa de entrada de novos volumes no mercado. Conforme as análises do Agriculture.com e da DePutter Publishing, essa pressão sazonal da oferta tem prevalecido sobre os sinais de recuperação da demanda externa.
Compras chinesas não impedem novas perdas nos futuros
Na terça-feira, o USDA anunciou uma venda privada de 612 mil toneladas de soja para a China, com entrega na temporada comercial 2026/27. Ainda assim, os contratos encerraram a sessão em baixa.
Outro sinal de melhora na demanda veio das inspeções de exportação americanas, que alcançaram aproximadamente 2 milhões de toneladas, crescimento superior a 80% na comparação semanal, com a China como principal destino.
Dados alfandegários chineses divulgados pela Reuters também indicaram retomada das importações de soja dos Estados Unidos em setembro. No acumulado de janeiro a setembro, porém, as compras de origem americana permaneceram 34% abaixo de 2025, enquanto os volumes provenientes do Brasil cresceram 3,4%.
Os investidores acompanham se essa recuperação será suficiente para absorver a oferta da nova safra americana e conter a pressão sobre Chicago.
Rio Grande do Sul tem negócios pontuais e atenção ao prazo de pagamento
No Rio Grande do Sul, as indicações foram de R$ 145 por saca em Ijuí e R$ 147 em Passo Fundo. Referências anteriores apontavam R$ 148 em Santa Rosa e R$ 154 no porto de Rio Grande.
Segundo a TF Agroeconômica, ocorreram negócios pontuais com entrega imediata e pagamento apenas em janeiro. Essa condição exige avaliar o efeito sobre o fluxo de caixa, especialmente durante o período de despesas com a implantação das lavouras.
No campo, a umidade elevada do solo continua dificultando o acesso das máquinas em determinadas áreas.
Paraná chega a 47% de plantio, mas chuvas limitam operações
O plantio da soja no Paraná alcançou 47% da área, ante 39% no levantamento anterior do Departamento de Economia Rural (Deral).
Apesar do avanço, as chuvas restringem as operações e mantêm a preocupação com possíveis reflexos sobre a janela de implantação do milho de segunda safra.
Nas referências comerciais, Paranaguá registrou R$ 153 por saca, enquanto Cascavel ficou em R$ 142.
Em Santa Catarina, a cotação FOB de Abelardo Luz recuou 0,67%, para R$ 148 por saca.
Excesso de chuva preocupa produtores de Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, Sidrolândia apresentou valorização de 0,71%, para R$ 141 por saca, mesmo preço indicado em Maracaju.
A preocupação nas lavouras está relacionada ao excesso de precipitação, com riscos de erosão e falhas no estabelecimento das plantas.
Segundo a Aprosoja/MS, o acumulado em Dourados chegou a 459,2 milímetros entre o início de setembro e meados de outubro.
Mato Grosso registra queda nas cinco praças acompanhadas
Em Mato Grosso, todas as cinco praças monitoradas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apresentaram recuo.
Campo Verde registrou queda de 0,99%, para R$ 140 por saca. Em Rondonópolis, a referência ficou em R$ 140,80, enquanto Sorriso apresentou R$ 134,50.
O plantio atingiu 51,86% da área estadual. Com a semeadura em andamento e os preços pressionados, a comparação das propostas comerciais passa pelo valor líquido recebido, considerando frete, descontos e prazo de pagamento.
Fonte: Portal do Agronegócio
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