Preço do trigo cai no Sul e em Chicago; falta de qualidade dificulta abastecimento dos moinhos
Avanço da colheita e concorrência argentina pressionam cotações no Brasil, enquanto oferta global elevada leva trigo ao quarto recuo consecutivo na bolsa americana.
Publicado em: 21/10/2026 às 12:00hs
O mercado de trigo enfrenta pressão sobre os preços no Sul do Brasil e no exterior. No mercado doméstico, o avanço da colheita amplia a disponibilidade, mas os problemas de qualidade limitam a oferta de lotes adequados à indústria e dificultam as negociações. Em Chicago, a ampla oferta mundial e as vendas de fundos levaram os contratos ao quarto fechamento consecutivo em baixa.
Segundo a TF Agroeconômica, a comercialização brasileira permanece pontual, com diferenças expressivas de preços conforme a classificação dos grãos. A concorrência do trigo argentino também influencia as decisões dos compradores, especialmente diante das dificuldades para encontrar cereal com qualidade industrial.
Trigo novo ganha espaço nas negociações do Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, os negócios com trigo da nova safra aumentaram em relação às duas semanas anteriores, embora ainda sejam pouco expressivos.
As negociações ocorrem a R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto alguns moinhos indicam R$ 1.350 por tonelada na mesma condição. Também há referência de R$ 1.480 por tonelada CIF, com frete incluído.
Em Panambi, o preço de balcão recuou R$ 2 por saca, para R$ 73. Já o trigo argentino foi cotado a US$ 320 por tonelada em Porto Alegre, ampliando a concorrência com a produção nacional.
Para o cereal destinado à alimentação animal, a indicação de exportação é de R$ 1.100 por tonelada, sobre rodas no porto.
Santa Catarina enfrenta escassez de trigo com qualidade industrial
A dificuldade para adquirir lotes adequados ao processamento leva os moinhos catarinenses a buscar fornecedores fora do estado.
Conforme a TF Agroeconômica, um moinho relatou obstáculos para encontrar trigo com as características necessárias, inclusive no Paraguai. A empresa também informou reajuste de 11,5% nos preços das farinhas.
No campo, a Epagri projeta redução de 35% na área plantada e de 2,5% na produtividade da safra 2026/27. A produção estimada é de 243 mil toneladas, volume 37% inferior ao da temporada anterior.
Paraná registra diferença de R$ 350 por tonelada entre tipos de trigo
No Paraná, a ocorrência de grãos brotados nas lavouras dificulta a oferta de trigo tipo 1 e amplia a diferenciação dos preços conforme a classificação.
As referências informadas pela TF Agroeconômica são de:
- Tipo 1: R$ 1.650 por tonelada;
- Tipo 2: R$ 1.450 por tonelada;
- Tipo 3: R$ 1.300 por tonelada.
O trigo destinado à ração encontra compradores para exportação entre R$ 1.100 e R$ 1.150 por tonelada no porto.
Paralelamente, o cereal argentino da nova safra é ofertado entre US$ 315 e US$ 320 por tonelada, com embarque previsto para dezembro.
Trigo em Chicago acumula quatro sessões de queda
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de trigo encerraram a sessão no menor nível desde 10 de julho. O movimento acompanhou as perdas da soja e do milho, com pressão adicional das vendas de fundos e do enfraquecimento da demanda.
O contrato com entrega em dezembro fechou a US$ 6,4325 por bushel, queda de 12 centavos de dólar, ou 1,83%. Para março de 2027, a cotação terminou em US$ 6,5850 por bushel, recuo de 11,50 centavos, ou 1,71%.
A disponibilidade internacional continua pesando sobre o mercado. O avanço dos embarques da Rússia e da Ucrânia, a colheita na Austrália e a chegada da oferta argentina ampliam as alternativas de abastecimento dos importadores.
Oferta mundial elevada contrasta com restrição de qualidade no Brasil
Nos Estados Unidos, o plantio do trigo de inverno alcançou 63% da área prevista até 18 de outubro, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O resultado ficou abaixo dos 65% esperados pelo mercado.
Mesmo assim, a oferta global elevada manteve a pressão sobre as cotações internacionais. No Sul do Brasil, esse cenário se soma à entrada da safra nova, enquanto a escassez de lotes com qualidade industrial sustenta diferenças de preços entre classificações e mantém os moinhos atentos às alternativas de importação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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