Proteína animal brasileira aposta em integração das cadeias para ampliar competitividade global e conquistar novos mercados
Lideranças do setor destacam no SIAVS 2026 que união entre aves, suínos, bovinos, leite e pescados será fundamental para fortalecer exportações, sustentabilidade e abastecimento mundial de alimentos.
Publicado em: 07/08/2026 às 11:45hs
A integração entre as diferentes cadeias produtivas será um dos principais caminhos para ampliar a competitividade da proteína animal brasileira no mercado internacional. Essa foi a principal mensagem apresentada por lideranças do setor durante o painel “Cenário da Proteína Animal na Visão Setorial”, realizado no segundo dia do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, em São Paulo (SP).
Representantes dos segmentos de aves, suínos, pecuária de corte, leite e pescados destacaram que o Brasil possui condições únicas para ampliar sua participação no abastecimento global de alimentos, mas precisará avançar em comunicação, inovação, sustentabilidade, eficiência produtiva e abertura de mercados.
O encontro reforçou que a competitividade brasileira está diretamente ligada à capacidade de articulação entre produtores, indústrias, entidades setoriais e governo.
Brasil precisa valorizar sustentabilidade e segurança alimentar
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, ressaltou que o país precisa comunicar melhor seus diferenciais produtivos para fortalecer sua imagem internacional.
Segundo ele, o Brasil reúne fatores estratégicos para atender à crescente demanda mundial por alimentos, como disponibilidade de recursos naturais, produtores capacitados, tecnologia e elevados padrões de biosseguridade.
Santin destacou ainda que propriedades rurais brasileiras mantêm extensas áreas preservadas por meio das reservas legais e que existe potencial para ampliar a produtividade utilizando áreas já abertas, sem necessidade de expansão sobre novas áreas.
Para o dirigente, mostrar esses atributos é essencial para consolidar a percepção internacional de que a proteína brasileira combina sustentabilidade, segurança alimentar e responsabilidade ambiental.
Organização da cadeia fortalece liderança brasileira nas exportações
O gerente de Agronegócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Laudemir Müller, afirmou que a estrutura organizada da cadeia produtiva é um dos principais diferenciais do Brasil em um cenário global marcado por instabilidade econômica e disputas comerciais.
De acordo com Müller, a cooperação entre entidades representativas, produtores e governo permitiu que o país conquistasse reconhecimento internacional e alcançasse posição de destaque no comércio mundial de proteínas animais.
O executivo ressaltou que o Brasil conseguiu equilibrar o atendimento ao mercado doméstico com a expansão das exportações, resultado de investimentos em tecnologia, sanidade e eficiência produtiva.
Pescados buscam ampliar produção e presença internacional
Representando o setor de pescados, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados, Eduardo Lobo, destacou que a troca de informações entre as cadeias produtivas pode acelerar o crescimento da atividade.
Segundo ele, o segmento vive um momento de expansão e possui grande potencial para aumentar tanto o abastecimento interno quanto a participação no comércio exterior.
Atualmente, o Brasil exporta aproximadamente US$ 400 milhões em pescados, mas o setor avalia que há espaço significativo para crescimento, especialmente com novas oportunidades comerciais, incluindo negociações com o mercado europeu.
Lobo reforçou que a confiança do setor permanece elevada diante das possibilidades de expansão.
Setor lácteo defende integração para ganhar competitividade
O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados, Guilherme Portela, destacou que o segmento de leite ainda enfrenta desafios para ampliar sua presença no mercado internacional.
Apesar dos avanços em produtividade e na conquista de novos mercados, o Brasil continua importando mais produtos lácteos do que exportando.
Para mudar esse cenário, Portela apontou como prioridades:
- maior integração entre produtores e indústria;
- aumento da competitividade;
- abertura de novos mercados internacionais;
- valorização do produtor rural;
- aproximação estratégica entre entidades do setor.
Segundo ele, uma atuação conjunta entre diferentes organizações pode acelerar a transformação da cadeia leiteira brasileira.
Pecuária brasileira mantém protagonismo no mercado mundial
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, apresentou um panorama econômico da pecuária de corte e destacou a relevância do setor para a economia nacional.
No último ano, a cadeia movimentou aproximadamente US$ 20 bilhões em exportações e cerca de US$ 80 bilhões em vendas totais.
Apesar dos resultados positivos, o segmento enfrenta desafios relacionados ao ambiente geopolítico, conflitos internacionais e novas barreiras comerciais, muitas vezes apresentadas sob justificativas sanitárias.
Perosa ressaltou, entretanto, que a pecuária brasileira mantém elevados níveis de produtividade e desempenha papel fundamental tanto no abastecimento interno quanto no comércio exterior.
Segundo ele, as exportações funcionam como um dos pilares de sustentação da cadeia produtiva, gerando escala e fortalecendo toda a atividade.
Mudanças no consumo exigem nova estratégia para proteínas
Além do debate sobre integração das cadeias, o SIAVS 2026 também discutiu o futuro do setor diante das mudanças no comportamento dos consumidores.
No painel “Futuro das Proteínas”, executivos das principais agroindústrias brasileiras avaliaram os impactos das transformações globais sobre o mercado.
Participaram do debate:
- João Campos;
- Miguel Gularte;
- Neivor Canton.
Entre os principais desafios apontados estão:
- adaptação ao novo perfil de consumo;
- avanço tecnológico;
- eficiência operacional;
- fortalecimento da segurança sanitária;
- manutenção da competitividade internacional.
A avaliação dos líderes é que a posição brasileira como grande fornecedor mundial de proteína dependerá da capacidade de inovar continuamente e responder rapidamente às novas demandas do mercado.
Francisco Turra lança biografia durante o SIAVS 2026
Durante o evento, o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra lançou o livro “O Embaixador do Agro”, publicado pela Critério Editorial.
A obra reúne memórias da trajetória de Turra na política e na representação institucional do agronegócio brasileiro, desde sua infância na zona rural de Marau (RS) até sua atuação em cargos públicos e entidades ligadas ao setor produtivo.
O livro também aborda momentos importantes da construção do agronegócio nacional, destacando o papel do diálogo, da articulação política e da busca por consensos para o desenvolvimento do setor.
O lançamento ocorreu no estande das Agroindústrias de Aves, durante a programação do SIAVS 2026.
Proteína animal brasileira mira novo ciclo de crescimento
As discussões realizadas no SIAVS 2026 reforçaram que o Brasil parte de uma posição privilegiada no mercado mundial de alimentos, mas a manutenção dessa liderança dependerá de integração, inovação e capacidade de adaptação.
Com cadeias produtivas cada vez mais conectadas, o setor busca ampliar exportações, fortalecer sua imagem internacional e consolidar o país como um dos principais fornecedores globais de proteína animal.
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Fonte: Portal do Agronegócio
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