Produção de carnes do Brasil supera 34 milhões de toneladas, mas oferta bovina deve cair em 2027
Conab projeta avanço da carne de frango e suína nos próximos dois anos, enquanto retenção de fêmeas e recomposição dos rebanhos devem reduzir a produção de carne bovina
Publicado em: 17/09/2026 às 10:30hs
A produção brasileira de carnes bovina, suína e de frango deverá alcançar 34,08 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 2% em relação ao volume obtido no ano passado. Para 2027, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima novo avanço, para 34,26 milhões de toneladas.
Apesar da expansão agregada, o crescimento projetado para o próximo ano será mais moderado, de 0,5%. A avicultura e a suinocultura deverão sustentar o resultado positivo, compensando a redução esperada na produção de carne bovina.
As projeções foram apresentadas pela Conab durante o evento Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27. Segundo a companhia, o desempenho das três principais proteínas animais deverá manter a disponibilidade interna de carnes próxima de 22 milhões de toneladas.
Produção de carne suína cresce 4,79% em 2026
A produção brasileira de carne suína está estimada em 5,93 milhões de toneladas em 2026, aumento de 4,79% na comparação com 2025.
O avanço acompanha a expansão do plantel de matrizes e os ganhos de produtividade nas granjas. A maior oferta permitirá elevar as exportações sem comprometer o abastecimento doméstico.
Os embarques deverão atingir 1,58 milhão de toneladas ao final de 2026, alta de 6,49%. A disponibilidade de carne suína no mercado interno está projetada em 4,36 milhões de toneladas, crescimento de 4,28%.
Carne suína pode atingir 6,15 milhões de toneladas em 2027
Para 2027, a Conab espera a continuidade da expansão da suinocultura. A produção deverá crescer 3,7% e atingir 6,15 milhões de toneladas.
As exportações estão estimadas em 1,65 milhão de toneladas, mantendo a trajetória positiva das vendas internacionais. Mesmo com o aumento dos embarques, a oferta doméstica deverá avançar 3,6%, para 4,52 milhões de toneladas.
O cenário indica que a suinocultura seguirá ampliando sua participação no mercado interno e internacional, apoiada por maior produtividade e crescimento da produção.
Carne de frango alcança 16,3 milhões de toneladas
A produção brasileira de carne de frango deverá atingir 16,3 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,1% em relação ao ano passado.
A recuperação das exportações é um dos principais fatores de sustentação do setor. Em 2025, os embarques foram afetados pela ocorrência de gripe aviária no Rio Grande do Sul e pelas restrições temporárias adotadas por importantes compradores.
Com a retomada das compras internacionais, as exportações de carne de frango devem crescer 11,53% neste ano, alcançando 5,76 milhões de toneladas.
Produção de frango deve avançar para 16,7 milhões de toneladas
Em 2027, a produção nacional de carne de frango está projetada em 16,7 milhões de toneladas. O crescimento deverá continuar, mas em ritmo mais moderado e ajustado ao comportamento das exportações.
A Conab estima que os embarques aumentem 0,8%, para 5,8 milhões de toneladas. A disponibilidade interna deverá apresentar expansão mais intensa, de 3,2%, passando de 10,57 milhões de toneladas em 2026 para 10,9 milhões no próximo ano.
O aumento da oferta doméstica pode fortalecer o papel da carne de frango como uma das principais opções de proteína para o consumidor brasileiro.
Carne bovina inicia reversão do ciclo pecuário
Em movimento diferente ao observado nas cadeias de aves e suínos, a produção brasileira de carne bovina deverá recuar nos próximos anos.
Para 2026, a Conab estima produção de 11,84 milhões de toneladas, volume ligeiramente inferior ao registrado em 2025. O resultado sinaliza o início da reversão do ciclo pecuário após um período de maior oferta de animais para abate.
As exportações, por outro lado, deverão crescer 4,46% e alcançar 4,73 milhões de toneladas. A expansão é esperada mesmo diante do encerramento da cota chinesa de importação para 2026, das restrições europeias à carne brasileira e das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
Retenção de fêmeas reduz oferta de carne bovina em 2027
A retração deverá ganhar intensidade em 2027. A Conab projeta produção de 11,41 milhões de toneladas de carne bovina, reflexo da menor disponibilidade de animais para abate.
O movimento está associado ao aumento da retenção de fêmeas pelos pecuaristas e ao processo de recomposição dos rebanhos. Com menos matrizes encaminhadas aos frigoríficos, a oferta de gado tende a diminuir.
Mesmo com a produção menor, as exportações devem continuar crescendo, embora em ritmo mais contido, e poderão atingir 4,843 milhões de toneladas. A combinação entre menor produção e embarques elevados tende a reduzir a disponibilidade de carne bovina no mercado doméstico.
Produção de ovos chega a 49,7 bilhões de unidades
A Conab também projeta crescimento na produção brasileira de ovos. Em 2026, o país deverá produzir 49,7 bilhões de unidades, aumento de 1,37% sobre a estimativa referente a 2025.
Para 2027, a produção está prevista em 51,3 bilhões de unidades, acréscimo de 3,3%. A expansão deverá garantir maior disponibilidade do produto no mercado interno nos próximos anos.
Aves e suínos sustentam crescimento das proteínas
As projeções indicam uma mudança na composição da oferta brasileira de proteínas animais. Enquanto frangos e suínos deverão ampliar a produção, as exportações e o abastecimento interno, a pecuária bovina entrará em uma fase de menor disponibilidade de animais.
Com isso, o Brasil deverá manter a produção total de carnes acima de 34 milhões de toneladas em 2026 e 2027, mas com maior participação das cadeias avícola e suinícola no crescimento do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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